Professor da UFSC é premiado pela Academia Catarinense de Letras

“O menino que vê o mundo: confidências sobre os imigrantes italianos”, de Waldir Rampinelli,  foi considerado o ‘livro do ano’ na categoria crônicas

Aos 70 anos, o professor do departamento de História da UFSC  e escritor Waldir Rampinelli ficou surpreso ao receber em sua casa, na segunda-feira , uma carta da Academia Catarinense de Letras que comunicava que seu livro “O menino que vê o mundo: confidências sobre os imigrantes italianos” foi escolhido o ‘livro do ano’ de 2019 na categoria crônicas. Afinal, ele não inscreveu o livro em nenhum concurso ou premiação, conta, ainda emocionado com a notícia. A entrega do prêmio será no dia 12 de dezembro, às 19 horas, na Casa José Boiteux, na rua Hercílio Luz, número 523.

“O livro é dedicado aos bugres, os nossos índios, aos negros e aos ‘baiecas’,  que são os brasileiros legítimos, a quem os italianos sempre tiveram um olhar preconceituoso”, diz Rampinelli.  Desde o casamento de seus avós paternos, que uniu o avô Rampinelli com a avó de sobrenome Machado, fato que na época horrorizou a família italiana, “esse preconceito diminuiu, mas ainda existe”.

Com quatro ilustrações em carvão do chargista Frank Maia, inclusive a da capa, o livro narra de forma romanceada as memórias de infância de Rampinelli, dos quatro aos dez anos, na cidade catarinense de Nova Veneza. Editado pela Insular, o livro é indicado a todos os públicos, a partir da adolescência,  e classificado pelo autor como “literatura militante”. Pode ser adquirido na própria Insular, na livraria Livros & Livros, que fica no Centro de Cultura e  Eventos da UFSC, e na Estante Virtual pelo preço médio de R$ 40,00.

Descendente de italianos, o escritor conta fatos que testemunhou ainda criança e que foram ganhando sentido na medida em que foi se tornando adulto e “crítico”. Como a ocasião em que seu pai “deu um tapa na cara de um negro na frente de todo mundo” – ele devia ter uns 7 anos. “O negro teve que engolir o choro”.

Embora os fatos sejam reais, os nomes são fictícios – o próprio escritor passa a ser Giuseppin. Propositadamente, apenas os personagens negros mantêm os nomes verdadeiros, como uma forma de compensar o fato de terem sido “apagados da história”. Além das memórias pessoais, o livro também aborda o período da escravidão e os anos 50 e 60 para contar um pouco sobre os italianos que migraram para o Brasil.

Imprensa Apufsc

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