Ainda sem projeto para melhorar a educação, Weintraub volta a atacar Paulo Freire

“Paulo Freire é um homem que dedicou sua vida à educação e deu uma contribuição inestimável para o país”, defendeu o ex-ministro da Educação, Aloísio Mercadante

Na mesma entrevista coletiva à imprensa em que culpou a gestão do PT pelo desempenho brasileiro no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2018, Weintraub voltou a fazer deboches do educador Paulo Freire, o que provocou a reação do ex-ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e de pessoas indignadas nas redes sociais.

“O símbolo máximo do fracasso da gestão do PT começou quando foi construída a lápide da educação. Ela está lá embaixo na entrada do MEC, que é esse mural do Paulo Freire. Representa esse fracasso total e absoluto”, declarou Weintraub, para depois emendar: “esse governo não tem a nada ver com o Pisa. Quando vocês olharem em termos históricos, 2019 vai ser o ponto de inflexão”.

Em nota, o ex-ministro Mercadante contestou Weintraub e cobrou que projetos para o setor sejam apresentados pelo atual governo. “Mais uma vez, ao invés de procurar fazer uma análise aprofundada e apresentar propostas concretas para a melhoria da qualidade da educação brasileira, o governo Bolsonaro prefere justificar a tragédia que está em curso na educação com respostas evasivas e uma guerra ideológica obscurantista”, diz um trecho da nota.

“Além de ser o segundo brasileiro com maior número de títulos de doutor honoris causa em todo mundo, Paulo Freire é um homem que dedicou sua vida à educação e deu uma contribuição inestimável para o país, a partir da construção de uma pedagogia libertadora, especialmente para alfabetização de adultos. Ele passou parte importante de sua vida dedicado a superar a perversa herança histórica do analfabetismo adulto. É só lembrar que em 1920, 75% da população brasileira era analfabeta”, diz ainda Mercadante (leia aqui a íntegra). 

A média brasileira do PISA ficou em 413 no quesito Leitura (57º do mundo), 384 em Matemática (70º) e 404 em Ciências (64º). As notas são levemente mais altas do que o último resultado, de 2015, mas insuficientes para serem consideradas um avanço, segundo o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

De acordo com o resultado do teste de 2018, divulgado nesta terça-feira, 43% dos participantes brasileiros não aprenderam o mínimo necessário nas três áreas do conhecimento testadas: Leitura, Matemática e Ciências.

De acordo com o relatório da organização, o desempenho médio do Brasil “em Matemática melhorou no período 2003-2018, mas a maior parte dessa melhoria ocorreu até 2009. Depois, em Matemática, como em Leitura e em Ciência, o desempenho médio ficou estável”, diz o texto.

Leia na íntegra: O Globo e BR Político

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