Estudantes protestam contra reitor em colação de grau da Universidade Federal do Ceará

Nomeado por Bolsonaro, Cândido Albuquerque foi o candidato menos votado em consulta pública; Adufc defende que o protesto é legítimo

O protesto de um grupo de formandos contra o reitor Cândido Albuquerque marcou a cerimônia de colação de grau da Universidade Federal do Ceará, realizada na noite de terça-feira (14) na Concha Acústica da Reitoria, no Bairro Benfica, em Fortaleza. Candidato menos votado em consulta pública para o cargo, Albuquerque assumiu a reitoria após ser nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro, o que motivou protestos dos estudantes logo após a escolha, em agosto do ano passado.

Ao site G1, a UFC reprovou o protesto, argumentando  que qualquer ato que coloque em risco a execução da cerimônia de colação de grau, comprometendo seus ritos históricos, simbólicos e legais, também macula o direito dos estudantes, de suas famílias e de todos os convidados de vivenciar esse evento social ímpar e memorável em sua plenitude.

A universidade finaliza dizendo que a programação de colação de grau será mantida e alerta que é absolutamente inaceitável que algumas pessoas e movimentos sindicais atuem — individual ou coletivamente — contra a garantia da colação de grau das alunas e alunos da UFC.

Sindicato dos professores defende a legitimidade do protesto

Em nota divulgada nesta quarta-feira (15), em resposta ao posicionamento da UFC, o Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc-Sindicato) ressalta que classificar o protesto como contrário à colação de grau é “distorção dos fatos”. O protesto, frisa o texto, “era contra a intervenção na universidade”.

A nota ainda destaca que os formandos apoiaram a manifestação, “incorporaram-se ao protesto e até aplaudiram os manifestantes ao fim do ato”. “A manifestação foi pacífica e durou alguns minutos”, pontua a entidade.

O protesto

De acordo com testemunhas, o reitor foi vaiado em todas as vezes em que precisava falar ao público. No momento em que os representantes dos cursos foram chamados a frente, foi exibida uma faixa que dizia “Fora interventor, não elegemos, não reconhecemos”. Outros formando vestiam camisas que formavam a mesma frase.

Na hora de fazer o encerramento da cerimônia e conferir grau aos formandos, Cândido Alburquerque também foi hostilizado. Seguranças da universidade fizeram um cordão de isolamento para resguardar a saída do reitor, que não fez o discurso final.

Na noite de terça-feira (14), a UFC realizou a colação de grau dos cursos ofertados pela Faculdade de Medicina, Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem, Instituto de Cultura e Arte, Instituto de Educação Física e Esportes, Instituto UFC Virtual e Instituto de Ciências do Mar.

Candidato com menos votos

A nomeação de Cândido Albuquerque, anunciada em edição extra do Diário Oficial da União em 19 de agosto de 2019, contrariou a preferência de estudantes, professores e servidores tanto em consulta pública quanto na elaboração da lista tríplice elaborada pelo Conselho Universitário (Consuni).

O reitor escolhido por Jair Bolsonaro foi o terceiro colocado  em uma consulta pública realizada com estudantes e professores da UFC.   O mais votado, o então vice-reitor da UFC, Custódio Luís Silva de Almeida, recebeu 7.772 votos na consulta enquanto Cândido recebeu 610 votos. O segundo colocado, Antônio Gomes de Souza Filho, chegou a receber 3.499 votos.

Já na listra tríplice, elaborada pelo Conselho Universitário para ser encaminhada à Presidência da República, Cândido Albuquerque foi o segundo mais votado, depois da desistência de Souza Filho. Custódio recebera 25 votos, contra nove de Albuquerque e oito da diretora do Campus de Crateús, Maria Elias Soares.

Em entrevista ao G1 após assumir a reitoria, Cândido Albuquerque disse que não há oposição expressiva contra ele.

G1

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