Colégio de Aplicação começa o ano letivo sem professores, sem bolsistas e com recursos bloqueados

Representantes da escola e da UFSC se reuniram nesta semana com mais de 300 famílias para esclarecer situação

Funcionários e pais de alunos do Colégio de Aplicação estão apreensivos com a situação orçamentária da escola, que começou o ano letivo com déficit de professores e bolsistas e com recursos bloqueados. Na última terça-feira (11), representantes da UFSC e do Colégio se reuniram com mais de 300 famílias para esclarecer a situação. Representantes de entidades como a Apufsc e o Sintufsc também participaram da reunião e prestaram apoio à instituição.

O orçamento destinado pelo governo federal para as despesas de custeio do Colégio de Aplicação foi reduzido em 34% neste ano. Com esses recursos bloqueados, a compra de material de enfermagem, brinquedos, material didático e até papel está comprometida. Em uma carta aberta divulgada ontem (12), a diretora de Ensino do CA, Marina Guazzelli Soligo, detalha a situação dramática da instituição e chama a atenção para a dificuldade de arcar inclusive com a merenda dos 945 estudantes. Para cada refeição, o governo repassa um subsídio de R$ 0,36, que fica muito distante do custo total do lanche, de R$ 2,93 em média. “Quando o dinheiro acabar, o que conseguirei oferecer de lanche aos alunos? Trinta e seis centavos equivalem a duas bolachas de água e sal”, escreveu. 

Em paralelo, a direção do Colégio tem que lidar com um outro problema, não menos grave, que é o déficit de professores. Com a portaria do Ministério da Educação que suspendeu a contratação de funcionários nas instituições de ensino federais, o ano letivo começou com 10 docentes a menos no CA.  “Nas séries iniciais, conseguimos cobrir as lacunas com o mesmo corpo docente até o fim de fevereiro, mas nos anos finais e no ensino médio, não foi possível fazer isso. Os alunos ficam no pátio quando não há professor”, diz o diretor Edson de Azevedo. O déficit prejudica 28 das 39 turmas existentes.

Com a portaria do governo, três processos seletivos para cinco substitutos tiveram que ser suspensos. Além disso, o Colégio teve que abrir mão de outros três docentes que já haviam sido selecionados  no ano passado e estavam para ser contratados. Há, ainda, dois concursos para professor efetivo em andamento – e agora sem previsão de contratação. O desfalque afetou as seguintes disciplinas: Arte (música e artes visuais), Educação Especial, Educação Geral, História, Educação Física e Língua Portuguesa. O déficit 

Segundo a diretora Marina Soligo, para o pleno funcionamento do colégio é necessária a realização de 1.684 aulas semanais das diferentes disciplinas. Com a suspensão de contratação de novos professores, até início de abril os alunos perderão 221 aulas semanais. “E não para por aí”, diz ela, “Para cada professor que adoece ou que termina seu contrato teremos mais aulas em aberto. A perda de conteúdo é algo posto. O dano é enorme para os nossos estudantes que terão defasagem em conteúdos importantes para sua formação.”

As bolsas para alunos da graduação, que ajudam nas atividades diárias da escola e na mediação da aprendizagem de alunos com deficiência, também foram alvo de corte.  O Colégio precisa de 37 bolsistas para garantir a acessibilidade do ensino a todos os estudantes e até agora só tem a confirmação de 10, a partir de março. 

“Somos uma comunidade escolar de quase 2.000 pessoas (estudantes, famílias, professores, técnicos e estagiários) e estamos nos sentido contra a parede”, diz Marina. “O Colégio de Aplicação corre risco de extinção se nossas autoridades governamentais não garantirem as condições necessárias para o nosso funcionamento.” 

A Associação de Pais e Professores do Colégio de Aplicação (APP-CA-UFSC), em conjunto com o grêmio estudantil, pretende acionar o Ministério Público se as contratações não forem restabelecidas e os recursos, desbloqueados.  

Imprensa Apufsc

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