Protótipo de ventilador pulmonar alternativo é desenvolvido por professor da UFSC

O equipamento ainda está em fase de testes e deve passar pelo curso de Engenharia Mecânica, para depois ser levado para a área médica

Barato, com peças nacionais ou acessíveis no Brasil, fácil de fabricar e que cumpre os requisitos médicos: são estes os requisitos para o protótipo de ventilador pulmonar alternativo desenvolvido por Saulo Güths, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O resultado foi divulgado em vídeo pelo YouTube, na noite de segunda-feira, 30 de março.

Saulo explica que um dos gargalos dos ventiladores pulmonares é a vazão do gás injetado. “São vazões baixas e pulsantes, e isso até justifica o valor elevado que possuem no mercado. Aqui a ideia não foi utilizar a vazão como parâmetro, mas ter essa vazão a partir de uma válvula bastante comum, o bico de injeção de GNV automotivo”, afirma o professor. Este tipo de peça, completa Saulo, tem como vantagens o fato de modular a vazão atravessada em alta frequência, ser robusta, intercambiável e esterilizável.

Com o problema da pandemia de Covid-19, Saulo pensou em pesquisar algo que pudesse ajudar no esforço de combate à doença. “Já trabalho com a parte de medição de velocidade, e tentei fazer um medidor de vazão, no início. Não consegui e fui tentando outras alternativas”.  Conversando com colegas, passou a ideia e acabou recebendo informações e dicas até chegar na versão apresentada no vídeo. “Mas ainda tem um caminho pela frente, de testar e ver se é efetivo, (se está dentro das) regulamentações da norma, ver a calibração, e checar o desempenho”.

A calibração do protótipo será testada na Engenharia Mecânica, para depois ser levado para a área médica. A manufatura foi realizada na casa de Saulo, com ajuda de Eduardo Larsen Güths, filho de Saulo e aluno de Engenharia Mecânica da UFSC. “Busquei algumas coisas do laboratório e montei uma ‘oficininha’ em casa. Fui desenvolvendo aqui mesmo por questão de isolamento. Isto é uma dificuldade como pesquisador, porque o trabalho em grupo começa a ficar arriscado, tenho na família gente de risco, preciso me cuidar um tanto. Me preocupa na questão de testes, vou me expor mais; de qualquer maneira, temos de fazer isso”, afirma o professor.

Saulo contou com a ajuda do professor do IFSC Marcelo Vandresen, que passou algumas dicas e um sensor, e de Carlos Moura, dono de uma oficina mecânica que repassou um bico injetor.

Fonte: Notícias UFSC

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