Apufsc lamenta que Sintufsc, DCE e APG acolham entidade ilegal em comissão unificada da UFSC

Confira as notas públicas divulgada pelas entidades

A Apufsc tomou conhecimento no mês passado, em meio à pandemia e ao desmonte do serviço público por parte do governo federal, de mais uma ação da autodenominada Comissão Unificada de entidades ligadas à UFSC, que exclui o Sindicato dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina. A diretoria da Apufsc e a Comissão de Mobilização do Conselho de Representantes registraram sua indignação em uma nota pública divulgada no dia 14 de abril, respondida 13 dias depois em nota assinada pelo Sintufsc, APG e DCE. 

Diante da manifestação das entidades, que pode ser lida abaixo na íntegra, o presidente da Apufsc, Bebeto Marques, reforça que  “só existe um sindicato de professores legalmente constituído, que é a Apufsc-Sindical”.  “O “outro” é ilegal, segundo a Justiça do Trabalho”, afirma.

Depois de se desvincular do Andes, em 2009, a Apufsc passou a atuar como sindicato autônomo, reconhecido pela Justiça do Trabalho em Santa Catarina e com Carta Sindical concedida pela Secretaria de Relações do Trabalho, do MTE . Com isso, a atuação da seção sindical do Andes em Santa Catarina passou a ser ilegal. Em 2012, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) – 10ª Região condenou o Andes a retirar de seus estatutos a base territorial do Estado de Santa Catarina. 

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela Apufsc e a resposta das entidades: 

Nota Pública às entidades representativas da comunidade universitária da UFSC: SINTUFSC, DCE Luiz Travassos e APG.

A Comissão de Mobilização do Conselho de Representantes (CR) e a Diretoria da APUFSC-Sindical tomou conhecimento de nota divulgada no dia 13 de abril intitulada: ENTIDADES LIGADAS À UFSC UNIFICAM LUTA. Nos causa estranheza e muita indignação que a APUFSC-Sindical, entidade legalmente representante dos Professores da UFSC, com mais de 3.200 filiados, não tenha sido convidada para integrar a autodenominada Comissão Unificada das Entidades. 

Num contexto de consternação e preocupação com os efeitos letais da Pandemia do Covid-19 e também onde, infelizmente, o governo federal insiste em manter sua política de cortes e desmonte do serviço público – em particular das universidades e da C&T –, não estar atuando em conjunto nas lutas e interesses comuns pode soar aos mais desavisados como indiferença e irresponsabilidade. Mas não é esse o caso da Apufsc. Criar o isolamento do nosso sindicato é proposital e tem como motivação abrigar no seio dessa Comissão Unificada uma entidade de natureza sindical ilegal e ilegítima, paralela e concorrente à Apufsc, chamada Andes-Ufsc. 

Desde 2019, lamentavelmente, as direções das outras três entidades têm desenvolvido essa prática diversionista, beirando ao sectarismo, ao preferirem escolher estar com um grupo de pessoas abrigadas nessa entidade ilegal e paralela, talvez por afinidades ideológicas, do que fortalecer as históricas, legítimas e respeitosas relações entre as instituições que representam cada categoria. Portanto, ao contrário de unificar o movimento, dividem e enfraquecem as lutas comuns.

Reafirma-se, aqui, nosso mais profundo respeito às entidades DCE-Luiz Travassos, SINTUFSC e APG, pois são elas e não outras que representam cada segmento. Não há disfarces, delegações e meias verdades nas representações. Andes-SN, Proifes-Federação, UNE ou FASUBRA são legítimas entidades nacionais, mas no âmbito local quem representa cada categoria são as entidades internas da comunidade universitária da UFSC, incluindo a APUFSC. 

Portanto, ao registramos nosso veemente protesto político-sindical, o fazemos mantendo nosso espírito e disposição de lutas para, nos limites aqui delineados, em conjunto construir a UNIDADE NA LUTA E AÇÃO EFETIVA CONJUNTA para enfrentar as diversas questões que afetam a vida dos estudantes, servidores técnico-administrativos e professores.

Florianópolis, 14 de abril de 2020. 

Comissão de Mobilização do CR-APUFSC.

Diretoria da Apufsc-Sindical

Resposta à nota pública da Apufsc às entidades representativas da comunidade universitária da UFSC: SINTUFSC, DCE e APG

O SINTUFSC, DCE e APG, entidades citadas em nota publicada pela a APUFSC-Sindical no dia 14 de abril de 2020, sobre a Comissão Unificada de Mobilização, vem por meio desta responder o que foi apresentado pela Comissão de Mobilização do Conselho de Representantes (CR) à Diretoria da APUFSC-Sindical.

Primeiramente, salienta-se a surpresa com o teor da nota. Isto porque foram inúmeros os convites feitos à APUFSC-Sindical para compor a Comissão Unificada de Mobilização da UFSC. Na última assembleia realizada pela categoria docente, no dia 12 de março, uma representação da APG refez, de forma pública, o convite à entidade. Na mesma semana, no dia 13 de março – exato um mês antes das entidades lançarem material unificado sobre a luta na pandemia, como citado pela APUFSC –, protocolou-se na sede da entidade um convite de participação em nome da Comissão Unificada, com cópia atestando o recebimento, como mostra a imagem anexa. Outros chamados já haviam sido feitos em anos anteriores.

Desta forma, o ataque da APUFSC-Sindical é, primeiramente, infundado e acusa de sectarismo as entidades que constroem a luta de forma unificada desde 2015. A alegação de que se buscou propositalmente um isolamento da APUFSC não é verdadeira, visto que é a própria entidade de representação docente que recusou, até o momento, se somar à Comissão.

Nossa atuação junto à Seção Sindical do ANDES na UFSC não pode ser entendida como uma questão de “afinidade ideológica”, como sugere a nota, na tentativa de caracterizar a Comissão Unificada como sectária, visto que a Comissão não se trata de um grupo ideologicamente homogêneo. Construímos com o ANDESUFSC, porque essa sempre foi uma entidade orgânica, por meio do qual se organiza um setor da categoria docente da UFSC, com papel importante nas lutas em nossa Universidade. Nos somamos com as entidades que enxergam a importância de mobilização, tanto em torno de pautas locais como em âmbito nacional. São inúmeras as lutas que construímos juntos com o ANDESUFSC nos últimos anos e assim esperamos seguir enquanto essa seção sindical manter a mesma disposição de solidariedade e de ação unitária, posição que independe das divergências apontadas pela APUFSC-Sindical.

Causa estranheza que esta nota apareça no mesmo período em que a categoria docente discute sua filiação nacional. Esperamos que as entidades docentes prezem a luta acima das questões internas de representação da categoria, visto que para nós, técnicos administrativos em educação e estudantes, tal debate deve ser tratado junto com a base dos docentes. Pautar a ação efetiva e conjunta é construir de forma sincera com todos os grupos que, mesmos diferentes, estão dispostos a encontrar pontos de unidade em reivindicações comuns – que, em nossa avaliação, são numerosas e urgentes. Mas essa tarefa se torna mais difícil quando se coloca em dúvida a legitimidade de uma ou outra entidade perante às demais categorias.

Mais uma vez, colocamos aqui o convite para que a APUFSC-Sindical se some à Comissão Unificada de Mobilização, que já conta com cinco anos de história de lutas na UFSC, e pedimos que essa carta seja levada ao Conselho de Representantes que assinou a primeira nota. Estamos à disposição para um diálogo honesto sobre o assunto, porém não consideramos ter que fazer uma escolha entre um sindicato ou outro – essa é uma escolha feita por cada docente no momento de sua filiação. 

Atenciosamente,

Associação de Pós-Graduandas e Pós-Graduandos da UFSC (APG-UFSC)

Diretório Central de Estudantes Luís Travassos (DCE UFSC)

Sindicato de Trabalhadores da UFSC (SINTUFSC)

Florianópolis, 27 de abril de 2020

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