Nota da Diretoria: Letargia e Responsabilidades

Como Sindicato, tivemos de lembrar que, desde a suspensão das atividades de ensino, em 16 de março, nós professores continuamos trabalhando. Em casa e usando nossos recursos pessoais, não interrompemos nossas pesquisas, as atividades de pós-graduação, de extensão, bem como as atividades administrativas. Mesmo assim, fomos acusados de ganhar sem trabalhar e tivemos que nos defender na imprensa.

Como sindicato, por meio da Apufsc-Solidária, disponibilizamos meios e recursos financeiros para ajudar iniciativas de professores-pesquisadores no apoio ao sistema de saúde e de combate à Covid-19. Também apoiamos várias entidades sociais em iniciativas de solidariedade aos mais necessitados, com doação de cestas básicas, Kits de segurança, material de informação, entre outros. Adaptamos nosso sistema de serviços administrativo para atender todos nossos filiados. Continuamos muito ativos nas questões políticas que, infelizmente, se agravaram com várias medidas que retiraram direitos trabalhistas e de “desfinanciamento” da ciência e das universidades. Nosso CR e Conselho Fiscal continuaram se reunindo. Enfim, a Apufsc não parou.

Como sindicato, tivemos e temos ainda muitas dificuldades em explicar os motivos da letargia da instituição em planejar e executar o retorno das atividades de ensino, por meio remoto, durante o período da pandemia. Todos sabiam, de antemão, a extensão e gravidade da crise sanitária vivida por outros países, portanto, não era difícil imaginar o quanto a mesma impactaria na normalidade de nossas vidas, inclusive a institucional. Logo, a UFSC deveria ter agido mais rapidamente. Apenas agora, após 3 meses, a retomada está por vir, ainda assim, com sérios problemas e muitas incertezas.

Como sindicato, colaboramos para a obtenção de propostas dos docentes sobre o retorno das atividades. Mas só agora, três meses após a suspensão das atividades presenciais, a UFSC obtém dados dos questionários aplicados junto aos alunos, técnicos e docentes. Os mesmos revelam um elevado grau de dificuldades e de desafios que teremos em praticar o ensino remoto. Somente 63,5% dos alunos responderam o questionário. Se a participação dos docentes e TAEs foi maior, 92% e 81%, respectivamente, cerca de 7% deles disseram ter algum tipo de dificuldade (computadores, internet, aplicativos e assessórios) para o ensino remoto. O que causa maior preocupação é o baixo percentual de estudantes que foram alcançados pelo questionário, indicando que a falta de contato institucional com esse segmento, se persistir, pode deixar cerca de 14 mil alunos fora das salas de aula virtual e de outras atividades de ensino, nas 1.050 disciplinas desse primeiro semestre.

Como sindicato, já ressaltamos a necessidade de soluções que competem à Administração Central, como esses relativos à comunicação com os alunos, cuja matrícula já foi garantida. É inaceitável que problemas não resolvidos ou mal resolvidos pela Reitoria – como as eventuais turmas incompletas – sejam jogados nas costas dos professores das disciplinas e dos coordenadores de cursos, que não podem ser responsabilizados por sua solução.

Como sindicato, sugerimos um modelo para organizar os dois semestres de 2020. Agora nos depararemos com o semestre 2020.1 iniciando praticamente dentro do calendário físico previsto para o semestre 2020.2, antes da pandemia. Isso produzirá a “sobreposição” de dois semestres em um ano. Além disso, em as condições sanitárias permitindo (pela retração na curva de infectados e mortes) poderemos talvez retornar às atividades semipresenciais até o final deste ano, o que vai alterar, no todo ou em parte, o planejamento de agora. Isso produzirá efeitos rebotes e o aumento dos problemas acadêmicos. A Reitoria precisa nos dizer algo sobre isso.

Como sindicado, já alertamos várias vezes, nas poucas oportunidades em que fomos ouvidos pela reitoria, sobre a necessidade de um amplo levantamento sobre as necessidades materiais (tecnologias) que garantam as condições ao trabalho docente e as aulas remotas para os alunos. Um levantamento permitiria à UFSC, com seu orçamento ou com verbas sendo buscadas no MEC, já ter adotado medidas concretas para retomar e oferecer atividades de ensino sem excluir ninguém. Agora, pressionada e na iminência de um rápido retorno, via ensino remoto, o pouco tempo para as providências poderá agravar os problemas.

A UFSC é uma instituição renomada e respeitada em nosso estado e fora dele. Ela já passou por inúmeras situações difíceis e encontrou caminhos para superá-las. Em todas elas nosso Sindicato, que completa 45 anos agora em junho, sempre esteve muito presente e ajudando. O atual desafio imposto pela pandemia da Covid-19 sem dúvidas encontra uma instituição combalida por suas dificuldades estruturais e financeiras, as quais dificultam encontrar soluções. Contudo, seja qual for a solução, isso requer tempestividade e eficiência administrativa na sua gestão. Algo em que, infelizmente, os fatos estão demonstrando, até aqui a reitoria foi pouco proativa nas ações e pouco transparente nas informações. Nosso Reitor precisaria ter estabelecido maior diálogo com a sociedade. Por isso hoje, premidos pelo calendário, teremos dificuldades adicionais de compreensão, acolhida e apoio dos diversos setores sociais e econômicos da população. Os resultados da letargia administrativa serão sentidos e tendem a não ser bons. Mesmo assim, a UFSC contará com o profissionalismo e a responsabilidade dos professores.

Diretoria da Apufsc-Sindical

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