Uma ocupabilidade mais efetiva e eficaz

Por Raul Valentim da Silva

Para começo de conversa torna-se necessário um prévio entendimento sobre os termos utilizados nesta manifestação. A ocupabilidade diz respeito à ocupação futura. O termo mais usado é empregabilidade, mas considero mais restrito sendo associado apenas a empregos. Ocupações podem incluir também atividades de empreendedorismo, trabalhos sem vínculo e em serviços públicos.

A acepção adotada para “efetiva” é: ser capaz de produzir um efeito real. A efetividade vincula-se a resultados concretos. O significado para “eficaz” é: bom ou ideal para alcançar um resultado pretendido. A eficácia está associada com propósitos previamente estabelecidos. Os termos do título estão sendo colocados no contexto dos alunos de instituições públicas de ensino superior.  Portanto, torna-se necessário começar pelos propósitos em relação à atuação futura do corpo discente destas instituições.  

Os alunos das IES públicas situam-se em geral entre os melhores concluintes do ensino médio. Apesar de ainda estar distante do ideal, essas instituições conseguem oferecer um ensino considerado de boa qualidade. Assim, a sociedade brasileira que as financia tem todo o direito de depositar, nesses alunos, fundadas esperanças de beneficiar-se de significativas melhorias em termos de desenvolvimento social, crescimento econômico e sustentabilidade ambiental. 

Atuando no apoio à UFSC, ao IFSC, à UDESC e à UNILA, a Fundação Stemmer de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (FEESC) está empenhada em colaborar na viabilização de possíveis alternativas de atendimento a essas justas expectativas da população. Para tal constituiu diretorias especiais ocupadas por dois docentes aposentados (Luiz Gonzaga e Ribas Ribeiro) que atualmente representam seus pares no Conselho de Representantes da Apufsc.  

Um diagnóstico preliminar aponta os êxodos rural e urbano, do interior para o litoral catarinense e para as cidades maiores, como fatores relevantes para os problemas existentes. De outro lado, os discentes da UFSC são provenientes de muitos municípios do interior de Santa Catarina e de outros estados. Nas férias escolares, estes alunos retornam aos respectivos municípios de origem.  

Uma forma de melhorar a qualidade de vida no Brasil, evitando a migração das famílias, pode ser alcançada pelo retorno e a atuação profissional dos formados nos municípios ou regiões de onde vieram. Para que isto se concretize, a proposta é aproveitar os anos de curso para incentivar e apoiar os alunos na construção de alternativas de ocupação atrativa nos locais de suas origens. Ao invés de ocupar empregos existentes considero importante que os egressos do ensino superior sejam geradores de novas oportunidades de trabalho.

A curricularização da extensão, que está sendo implantada nas IES pode criar oportunidades de execução dos referidos apoios. Os dois mencionados professores estão liderando a criação do Instituto Sênior, formado por aposentados, que pode também atuar como apoio desta iniciativa. A finalidade maior deste artigo é divulgar este esforço e agregar possíveis interessados em colaborar nesta empreitada.

Raul Valentim da Silva é professor aposentado da UFSC

Os artigos publicados nesta seção não refletem necessariamente a opinião da diretoria e/ou dos filiados da Apufsc.

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