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Dia Internacional da Mulher

No dia 8 de março de 2017 se tem nos cinco continentes, uma série de manifestações alusivas ao Dia Internacional das Mulheres. Algumas manifestações são comemorativas, outras, ao contrário, são de protestos E de reivindicações. 

Para entender essas manifestações é importante saber a origem e o que inspirou o movimento. Nesse sentido, há diferentes versões. Dentre elas afirma-se ter sido num 8 de março e na cidade de Nova York, em 1857. Qual o fato mobilizador das mulheres trabalhadoras pela luta de seus direitos?

Segundo versão preponderante em fontes bibliográficas, as trabalhadoras de uma indústria do ramo de tecelagem exerciam jornada de 16 horas diárias. Lá, enfrentavam a violência sexual e outras formas de agressões no local de trabalho. A remuneração era apenas 33% do que era pago para os homens.

Consta como resultado dessa mobilização: 1) a luta pela redução da jornada de trabalho: ao invés de 16h deveria ser 10h; 2) salários iguais aos dos homens quando exercido atividade laboral semelhante. Por certo, em meio ao processo de produção e métodos de gerenciamento praticados naquela época, existiram outros resultados não trazidos ao conhecimento das gerações futuras.

A greve foi reprimida. As versões afirmam ter a repressão contado com a intervenção da polícia. Para historiadores a pressão foi tão violenta que as trabalhadoras se agruparam dentro do espaço fabril e forças contrárias ao movimento atearam fogo no local.  Ocorreram assassinatos. Para outros, esse incêndio não é de 1857 e teria ocorrido apenas em 1911, em função de péssimas condições de trabalho numa outra fábrica de Nova York.

Qualquer que seja a versão correta se tem presente nas diferentes narrativas históricas alguns fatores típicos da luta por direitos trabalhistas: 1) jornada de trabalho compatível com a remuneração socialmente justa; 2) disparidade na remuneração para a mesma atividade entre mulheres e homens; 3) repressão estatal oficial contra a classe trabalhadora e a favor dos patrões; 4) violência física e uso de força desproporcional contra grevistas; 5) punição publicamente exemplar aos grevistas como elemento inibidor das futuras manifestações.

Foram 118 anos de luta para aquelas que escolheram, sustentaram os debates,  e conseguiram convencer a Organização das Nações Unidas,  em 1975, a reconhecer a data.  Agora, em 2017, portanto 160 anos depois da heroica manifestação inspiradora da data, uma pergunta é oportuna: qual é o cenário e as reivindicações atuais das mulheres brasileiras?

Para a resposta é prudente destacar a sua própria limitação, vez que as dinâmicas (social, econômica, política, cultural, dentre outras), estão constantemente em mutação gerando afetação direta e indireta sobre o direito das mulheres. Portanto, as respostas aqui expostas reconhecem não exaurir as abordagens potenciais neste assunto.

A primeira é afirmar a permanência, apesar de decorrido mais de um século e meio, dos cinco fatores detectados quando da manifestação que originou a escolha da data.  

A segunda é, particularmente no Brasil, alertar para a dificuldade de inserção das mulheres no comando de instituições mandatárias do bloco de poder decisório (estatal, privado, misto). Quando conquistada a posição de comando é comum ser constatado uma série de estereótipos, preconceitos e inconformismos tentando inibir futuras demandas ou retirar o ânimo de militantes e simpatizantes.

No setor estatal a chefia do Poder Executivo ocorreu apenas uma vez, em 2011. Foram 36  na era republicana, logo,  a representatividade é de 1/36 avos ou menos de 3% (três por cento). No Poder Judiciário a ocupação do cargo de presidente do Supremo Tribunal Federal  aconteceu apenas em dois mandatos (2006 e 2016), logo,  a representatividade é de 1/46 avos ou menos de 2%.

No Poder Legislativo, tanto na Câmara dos Deputados com 54 mandatos, quanto no Senado Federal com 51 mandatos, jamais elegeram uma mulher para as presidências das Casas Legislativas.   

No setor privado e em entidades para-fiscais, se tem, dentre outras, as confederações nacionais, os conselhos federais das categorias profissionais, as federações (bancos, indústrias, comércio e da agricultura), bolsa de valores dentre as instituições influentes no bloco de poder. Grandes empresas privadas nacionais e filiais de grandes empresas internacionais. Numa rápida visita, aleatória, nos sítios eletrônicos de 12 delas, constata-se apenas uma mulher ocupando a presidência.

É consenso a capacidade da mulher e sua necessidade no mundo científico, empresarial e estatal. O que explica o conservadorismo aqui escancarado?  Os órgãos e as entidades de defesa da mulher poderão auxiliar na resposta. O engajamento e participação de todos poderá contribuir para superar esta situação.

Por outro lado, a ausência de mulheres no comando máximo de entidades públicas e privadas, aqui brevemente visitadas, indica o tamanho do desafio a enfrentar rumo ao equilíbrio participativo nas decisões.

A terceira resposta é escolher, dentre as várias reivindicações deste 8 de março, um ponto relevante e concentrar as atenções no mesmo. Assim, a reforma previdenciária, em tramitação no Parlamento, pode ser a escolhida. Sabe-se que, se aprovada a pretensão do Poder Executivo, serão exigidos mais cinco anos de trabalho para as mulheres obterem o direito à aposentadoria.

Seria a extinção de uma conquista da classe trabalhadora e a negação do reconhecimento pela dupla jornada de trabalho exercida pelas mulheres.

O Sindicato dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina (Apufsc-Sindical), atento a essa e outras questões previdenciárias, estará promovendo no dia 14 de março de 2017, às 14  horas,  no Auditório da Reitoria,  debate aberto sobre este tema.

Por último, acreditamos que todos os homens devem reconhecer a capacidade de trabalho das mulheres, a procedência das suas lutas,  as injustiças na falta de ocupação de cargos diretivos,  a disparidade de remuneração e reconhecer a legitimidade das entidades atuantes na defesa dos seus direitos.

*Diretoria do Sindicato dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina (Apufsc-Sindical)

Manchete

A ausência de mulheres no comando máximo de entidades públicas e privadas, aqui brevemente visitadas, indica o tamanho do desafio a enfrentar rumo ao equilíbrio participativo nas decisões


Postado

3.março | 2017 | Diretoria da Apufsc-Sindical


Tags

Dia da Mulher; diretoria; opinião


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