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As mentiras da austeridade. Para meditar seriamente e com responsabilidade no momento atual do Brasil

Foi editado no Brasil um livro de Mark Blyth, professor de política internacional na Brown University, denominado “AUSTERIDADE. A historia de uma ideia perigosa” do qual desejo extrair algumas importantes ideias de como somos enganados com as politicas de austeridade que nas aparências parecem ser logicas, mas na realidade são muito perigosas. Vamos a analisar este fato.

Na pagina 29 escreve “Mas a austeridade faz sentido intuitivamente, não é? Não se pode fazer o caminho para a prosperidade à custa da despesa, especialmente quando já se está endividado, não? A austeridade é intuitiva, apelativa e habilmente resumida na frase não se pode sanar a dívida com mais dívida. Se tem demasiada dívida. Se tem demasiada dívida, parede gastar. Isto é bem verdade, pelo andar da carruagem. Mas pensar deste modo acerca da austeridade não vai suficientemente longe, nem coloca: 1- as questões distributivas importantes, 2- quem paga a redução da divida e 3- que acontece se todos tentarmos pagar as nossas dividas ao mesmo tempo?

Os economistas tendem a ver questões de distribuição como equivalentes a Bill Gates entrando num bar. Uma vez que ele entra todos que estiveram no bar são milionários porque o valor médio de todos os que lá estiverem é empurrado para cima.  Por um lado, isto é estatisticamente verdadeiro e empiricamente insignificante; na realidade, não há milionários no bar, apenas um multimilionário e um punhado de outras pessoas que valem, cada uma delas, poucas dezenas de milhares de US$. As políticas de austeridade sofrem da mesma ilusão estatística e distributiva porque os efeitos da austeridade são sentidos de forma diferente através da distribuição do rendimento.

Os que estão na base da distribuição de renda perdem mais do que estão no topo pela simples razão de que os que estão no topo dependem menos de serviços produzidos pelo governo e podem dar-se ao luxo de perder mais porque, desde logo, têm mais riqueza. Por tanto, embora seja verdade que não se pode sanar divida com mais divida, se aqueles a quem se pede que paguem a divida não puderem fazê-lo ou considerarem os seus pagamentos injustos e desproporcionais, as políticas de austeridade pura e simplesmente não funcionarão. “Em uma democracia, a sustentabilidade política supera a necessidade econômica o tempo todo”

Outro importante conceito econômico está definido nesta frase “Para que alguém se beneficie de uma redução dos salários (tornando-se mais competitivo em termos de custos), tem de haver alguém que esteja disponível para gastar dinheiro no que ele produzir. John Maynard Keynes (famoso economista contrario ao neoliberalismo) referiu-se com razão a isto como “o paradoxo da poupança” : se todos poupamos ao mesmo tempo não há consumo que estimule o investimento”

Finalmente algo que é totalmente oposto ao que as TVs, jornais e economistas neoliberais repetem setenta vezes sete para fazer da mentira uma verdade: “O que importa é um problema de “falácia da composição” e não um problema “de confiança”, em que o que é verdade em relação ao todo não é verdade em relação às partes. Isto vai contra o senso comum e grande parte da política econômica atual, mas é de importância vital que consideremos esta ideia, uma vez que é a terceira razão pela qual a austeridade “um conceito perigoso: não podemos ser todos austeros ao mesmo tempo. O que isso faz é contrair a economia para todos”.

O exemplo mais claro de esta realidade é o caso da Grécia.  Está sendo conduzida para o calote pela continuação do crescimento de sua divida; mais dívida, empréstimos e resgates não estão resolvendo o problema. É bom a Grécia reduzir sua dívida, mas não é verdade para a soma das partes. Porque seus parceiros comerciais –todos os outros estados da Europa- tentam fazer o mesmo: austeridade. Ao mesmo tempo, assim a recuperação é impossível.

Na América Latina, lamentavelmente existem “os super-ricos vivendo em ilhas privadas (...) uma classe profissional confortável (...) e uma enorme classe baixa estrangulada”. Nossa responsabilidade como classe profissional é procurar a justiça distributiva para com a classe estrangulada e a verdade respeito da uma  economia que somente beneficia a uma classe extremadamente privilegiada, com uma grande cobiça e um egoísmo fechado com laminas de aço.

Por este motivo devemos lutar a resignação e covardia, para conseguir recuperar o orçamento de ciência e tecnologia, o verdadeiro funcionamento do triangulo virtuoso de governo-universidade-indústria, que possibilite o desenvolvimento de um Brasil mais soberano e com salários que permitam acelerar o crescimento. Para isto devemos proclamar NÃO A AUSTERIDADE.


Rosendo  A. Yunes
Professor aposentado

 
 

Manchete

Os que estão na base da distribuição de renda perdem mais do que estão no topo pela simples razão de que os que estão no topo dependem menos de serviços produzidos pelo governo e podem dar-se ao luxo de perder mais porque, desde logo, têm mais riqueza


Postado

6.fevereiro | 2018 | Rosendo A. Yunes


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