Em 44 anos de história, a Apufsc (Sindicato dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina) tornou-se uma das entidades de defesa dos direitos dos docentes mais importantes do país. Foi fundada, como associação, no dia 24 de junho de 1975, em plena ditadura militar, quando os servidores públicos eram proibidos de se organizar em sindicatos. Inicialmente, a entidade tinha como objetivo reunir os professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para troca de ideias e confraternizações.

A primeira reunião convocada para discutir a criação da entidade teve a participação de 185 professores, de um universo de 800 docentes. A diretoria eleita após a primeira assembleia instituiu como meta a instalação de uma sede no campus universitário, para que fosse realmente um local aglutinador dos docentes, com visibilidade junto à comunidade universitária. A reitoria cedeu um espaço, que foi reformado e transformado em um ambiente agradável para receber os associados. A Sede-Campus funciona no mesmo local até hoje. O sindicato também conta com uma sede, no Edifício Max e Flora, na Trindade, onde estão os setores administrativos.

Nos primeiros anos, progressivamente, a Apufsc entrou na luta pela redemocratização do Brasil e participou dos movimentos de enfrentamento ao regime militar e de luta pelos direitos dos professores. Isso ficou mais forte no final da década de 1970, quando os recursos destinados à educação representavam apenas 4,28% do orçamento geral da União, muito pouco para um país que anos antes investia mais de 10% na área.

Em novembro de 1980, em uma assembleia que contou com a participação de 395 docentes, a Apufsc aderiu à primeira greve nacional dos professores universitários, que tinha entre as reivindicações a reposição salarial de 48% retroativa a março daquele ano; além de um reajuste semestral para repor a inflação, que já havia sido concedido aos trabalhadores da iniciativa privada. A palavra de ordem era “a greve educa o educador”.
A entidade participou ativamente da mobilização nacional, que paralisou 19 universidades do país. Depois de 26 dias de greve, o resultado foi um reajuste de 24,5% para os docentes das autarquias federais, além da implementação de um novo plano de carreira.

Entre 1978 e 1984, a Apufsc esteve presente, ao lado de outros movimentos sociais, na luta pelo retorno ao Estado Democrático no país (Diretas já!) e na construção de uma Universidade e de uma Educação pública, gratuita e de qualidade.

Capa do Boletim informativo da Apufsc de dezembro de 1978. O desenho mostra um professor sentado em sua cama, sonhando com melhores salários, melhores condições de trabalho e outras melhorias para o ano de 1979.
Capa do Boletim da Apufsc em 1 de dezembro de 1978: Professor sonhando com suas reivindicações.
Capa do Boletim informativo da Apufsc de 1979. Uma luva de box com mola sai de uma caixa surpresa.  A manchete é "A luta pelo reajuste imediato do salário dos professores".
Capa do Boletim da Apufsc em 7 de dezembro de 1979 com reivindicações dos professores e o apelo à luta.

Em 1981, a entidade participou da criação da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), cujo primeiro presidente foi o professor Osvaldo de Oliveira Maciel, então presidente da Apufsc. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, o direito à organização sindical foi estendido aos servidores públicos e a Andes passou a ser Sindicato Nacional. As associações docentes existentes em cada universidade tornaram-se seções sindicais. Vinte e um ano depois, com a avaliação dos professores de que o posicionamento político-partidário da Andes já não representava a maioria da categoria, a Apufsc se desfiliou da entidade e se tornou um sindicato autônomo – condição que mantém até hoje.

Nasce a Apufsc – Sindical

A Apufsc foi o primeiro sindicato de professores de universidades federais do país a obter o registro sindical para poder atuar como sindicato autônomo, independente e legalmente constituído. A principal crítica em relação do Andes era de que a entidade abandonou a categoria, tornando-se um sindicato voltado para a organização revolucionária da classe trabalhadora, e não mais para os interesses primários dos docentes.
O processo de desvinculação começou em 2007 e contou com o apoio maciço dos professores. A decisão final e a formação do sindicato ocorreram em uma Assembleia em 17 de setembro de 2009 com a participação inédita de mais de mil professores, num universo de 2.500 associados. Com isso, no final de 2009, a Apufsc entrou com o pedido de registro sindical.

Ainda no final de 2009, uma assembleia aprovou as mudanças finais no Estatuto da Apufsc e outra deliberou, favoravelmente, à transformação em Sindicato dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina, representante legal não só dos docentes da UFSC, mas dos professores de todas as universidades federais em Santa Catarina, incluindo a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), sediada em Chapecó.

Em março de 2010, a Justiça do Trabalho em Santa Catarina reconhece a legitimidade da Apufsc-Sindical, determinado que o Andes se abstenha de atuar em todo o território catarinense. A Carta Sindical foi, finalmente concedida no dia 18 de agosto de 2011 pela Secretaria de Relações do Trabalho, do MTE.

Ex- Presidentes da Apufsc

  • 1975-1976 Hamilton Nazereno R. Schaefer
  • 1977-1978 Ernesto Vahl Filho
  • 1979-1980 Osvaldo de Oliveira Maciel
  • 1981-1982 Osvaldo de Oliveira Maciel
  • 1983-1984 Raul Güenther
  • 1985-1986 Hamilton Carvalho de Abreu
  • 1987-1988 Luiz Henrique Verani
  • 1989-1990 Edmundo Lima de Arruda Júnior
  • 1991-1992 Marco Aurélio da Ros
  • 1993-1994 Bernardete Wrublevski Aued
  • 1995-1996 Osni Jacó da Silva
  • 1997-1998 Milton Divino Muniz
  • 1999-2000 Corália Piacentini
  • 2001-2002 Paulo Marcos Borges Rizzo
  • 2003-2004 Paulo Marcos Borges Rizzo
  • 2005-2006 Carlos Henrique Soares
  • 2007-2008 Armando de Melo Lisboa
  • 2008-2010 Armando de Melo Lisboa
  • 2010-2012 Carlos Wolowski Mussi .
  • 2012 -2014 Márcio Campos
  • 2014-2016 Wilson Erbs
  • 2016-2018 Wilson Erbs
  • 2018-2020 Carlos Alberto Marques
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