Apufsc Solidária: sindicato apoia padaria comunitária e doa pães a pessoas em situação de rua

Receita do “Pão da Quebrada” foi desenvolvida em conjunto com extensionistas da UFSC

De um lado, uma padaria comunitária, desenvolvida com a ajuda de extensionistas da UFSC e que tem entre seus objetivos gerar renda para a população local. Do outro, pessoas em situação de rua e famílias que dependem de doações para se alimentar. A Apufsc, por meio do programa Apufsc Solidária, serviu de ponte entre essas duas realidades neste mês de dezembro.

O sindicato comprou 100 dos cerca de 220 pães produzidos semanalmente na Padaria Comunitária Dona Zezé, na Vila Aparecida, e distribuiu para famílias em situação de vulnerabilidade social, em parceria com o Instituto Padre Vilson Groh (IVG). A ação vai se repetir semanalmente, ao longo de dois meses.

A Padaria Comunitária Dona Zezé foi inaugurada em outubro, em plena pandemia, pelo Centro de Integração Social Santa Dulce dos Pobres, na Vila Aparecida, região continental de Florianópolis. O espaço foi cedido para a Ação Social Arquidiocesana (ASA), entidade membro da Cáritas Brasileira – entidades que a Igreja Católica cria para ter atuação técnica no campo social.

“O espaço físico foi cedido em 2019, mas ainda não tínhamos uma inserção e atuação na Vila Aparecida. Começamos a nos aproximar da comunidade, conversando com lideranças e vimos as demandas. Assim, procuramos mobilizar recursos para poder fazer a atuação na Vila”, conta Luciano Leite, assistente social e coordenador do Centro de Integração Social Santa Dulce dos Pobres. Desde então, toda quarta-feira o grupo se reúne para pensar nas ações do Centro.

Em apenas 3 salas, funcionam a Padaria Comunitária Dona Zezé, a Cozinha Comunitária Dona Hilda, o Ateliê de Costura Retalhos da Vila, a Saboaria e Cosmética da Vila, além dos projetos Esperançar e Programa Jovem Aprendiz, que visam a capacitar os moradores para o mercado de trabalho.

A UFSC também está presente na comunidade por meio de um projeto de extensão do Centro de Ciências da Saúde, o APRINDCor (Ações Preventivas Interdisciplinares para Doenças do Coração). Durante a pandemia, muitos dos projetos do grupo tiveram de ser paralisados, mas os extensionistas adequaram suas atividades para não parar.

A parceria com a ASA teve papel fundamental para que o projeto da padaria saísse do papel. Foram os extensionistas da UFSC, em colaboração com a estudante do curso de Nutrição Greicy Vedana, que ajudaram os moradores a desenvolver a receita do Pão da Quebrada. Com uma fórmula 30% integral e de valor acessível, o pão foi pensado para as necessidades da comunidade. Para os moradores, ele custa R$ 3,50, e para as demais encomendas, R$ 6,00.

“É importante lembrar o simbolismo por trás dessa ação. O pão simboliza a segurança alimentar que é fundamental para que uma comunidade tenha soberania”, diz o professor Roberto Ferreira de Melo, coordenador do APRINDCor e diretor de Promoções Sociais, Culturais e Científicas da Apufsc. Ele reforça que a padaria permite empregar moradores, mas também levar um pão com qualidade nutricional e subsidiado àquela comunidade. “Com o esse projeto, saímos do muro da universidade e aumentamos nossa inserção na comunidade.”

Padaria Comunitária: alternativa saudável e espaço de construção coletiva

Com a ajuda de Marcelo de Mendonça Corradini, morador da Vila Aparecida que já tinha trabalhado com panificação, a receita do Pão da Quebrada tomou forma, cor e sabor. Funcionando três vezes por semana, a Padaria Comunitária Dona Zezé produz uma média de 160 pães.

Marcelo e seu companheiro de trabalho, Javier Hurtado, aperfeiçoam cada dia mais a receita e procuram novas ideias para diversificar o catálogo. Ambos estão participando de cursos de fermentação natural, para que no próximo ano a comunidade tenha a oportunidade de ter uma alimentação ainda mais saudável.

A ASA, com a ajuda de outras entidades, como a Apufsc, por exemplo, banca os insumos para a produção. Hoje são 4 pessoas trabalhando na padaria: dois padeiros e duas pessoas na comercialização. Todo o lucro da padaria é revertido para o pagamento do salário dos envolvidos, gerando renda para a comunidade. 

“Fazemos uma produção baixa para não perder a qualidade do produto. Já pensamos em aumentar a produção, mas não queremos que seja algo capitalista”, comenta Luciano. “Todo dia pensamos em soluções novas: antes, os pães eram distribuídos em sacos plásticos. Hoje, utilizamos sacos de papel, mais sustentáveis”. 

Ateliê, saboaria, cozinha comunitária e projetos de capacitação

Além da padaria, o Centro também desenvolve outras atividades visando gerar renda para a população da Vila Aparecida. “Nossa função não é suprir as demandas e funções do estado, mas sim ajudar no que pudermos”, salienta o coordenador do Centro.

Cozinha Comunitária Dona Hilda: foi o primeiro projeto do Centro, inaugurado em junho. Funciona uma vez por semana, na sexta-feira, e produz 150 marmitas para distribuição nas comunidades Vila Aparecida e Maloka.

Ateliê de Costura Retalhos da Vila: com um grupo de quatro moradoras da comunidade, o ateliê trabalha com consertos de roupas, confecção de tapetes e desenvolvimento de uma marca própria. Atualmente, estão sendo desenvolvidos absorventes de pano, uma alternativa barata e sustentável para as mulheres da comunidade. 

Saboaria e Cosmética da Vila: em parceria com o Ateliê do Neem, três moradores da comunidade realizam a produção e venda de dois tipos de sabonetes (argila e maracujá), shampoo e condicionador em barra e desodorante em pasta. 

Projeto Esperançar: esse projeto visa a capacitar imigrantes através de cursos online para que consigam exercer suas profissões no Brasil. O Centro possui uma sala com internet e computadores disponibilizados para a comunidade de imigrantes que quiserem fazer o curso.

Programa Jovem Aprendiz: em novembro, o Centro fez uma parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) para buscar a inserção dos jovens da comunidade no mercado de trabalho. Atualmente, seis jovens estão participando de um curso de barbearia e a própria comunidade corta o cabelo no local com os alunos.

Como ajudar

Para que o Centro de Integração Social Santa Dulce dos Pobres funcione, é preciso que entidades, associações e pessoas físicas ajudem financeiramente a manter os custos do local. “O Centro na verdade é uma junção de entidades que ajudam a comunidade. Integração é a palavra-chave. Os projetos são resultados dessa soma de conhecimentos e saberes”, explica Luciano.

A forma mais direta de ajudar é com a compra dos produtos produzidos pelo Centro, além de doações para a conta bancária da ASA. “Num período curto de tempo a nossa avaliação é que em 6 meses conseguimos abrir vários leques de atuação na comunidade. Nossa meta agora é potencializar os projetos que já temos e para isso a ajuda da sociedade é fundamental”.

Projeto Apufsc Solidária

Com o objetivo de aproximar os filiados de seu entorno social, o projeto Apufsc Solidária apoia projetos de extensão e de trabalho voluntário em instituições que se propõem a melhorar as condições de vida da população. O programa busca fazer a ponte entre professores ativos e aposentados com estas instituições.

Atualmente, o sindicato financia várias iniciativas, todas com o objetivo comum de amenizar os problemas gerados pela Covid-19. 

Ana Sophia Sovernigo / Imprensa Apufsc

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