​MEC está à deriva, diz Estadão

Quinze pessoas foram demitidas no ministério e outras 20 podem ser afastadas em nova mudança apurada pelo jornal

Depois de 15 exonerações e seis recuos em decisões essenciais para a Educação, o Ministério da Educação está à deriva, alerta o jornal O Estado de São Paulo. O último recuo do MEC, o cancelamento da portaria que suspendia a avaliação da alfabetização, resultou na demissão do presidente do Inep, Marcus Vinicius Rodrigues, e ainda deve levar a mais baixas.

Conforme apurou o Estadão, nova “onda de mudanças” está por vir e outras 20 demissões estão previstas no ministério. Há semanas o MEC é palco de uma disputa entre grupos ligados ao guru bolsonarista Olavo de Carvalho e aqueles ligados à área técnica e aos militares.

“Tudo isso cria uma situação de muita instabilidade e insegurança na gestão educacional, todo mundo fica na expectativa de qual o próximo fato que vai acontecer”, afirma a ex-secretária de Educação do Rio Grande do Sul, Mariza Abreu. Enquanto isso, ações fundamentais, como a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), estão de lado, lamenta.

A presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Cecília Motta, que é secretária da pasta em Mato Grosso do Sul, também comentou os problemas gerados pela falta de “uma política de Estado” para a Educação: “não temos mais interlocutor no MEC, não tem com quem se possa conversar sobre os anseios dos secretários das escolas do País.

Novo comando no Inep

Para assumir a presidência do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), foi indicado o general Francisco Mamede de Brito Filho, sem experiência em Educação. O Inep coordena o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Brito Filho foi chefe do Estado Maior do Comando Militar do Nordeste.

Em entrevista ao Estadão, o recém demitido  ex-presidente do Ibep, Marcus Vinicius Rodrigues,  criticou o ministro da Educação: “O Brasil precisa de um ministro da Educação que tenha responsabilidade de gestão, competência e experiência”. Rodrigues disse que vinha discordando do ministro e que foi contra a comissão criada para analisar o Enem.

Vélez Rodríguez, cuja permanência no cargo de Ministro da Educação é incerta, tem tido dificuldades para recompor a equipe. O ex-aluno dele Alexandro Ferreira de Souza acumula duas secretarias – a de Educação Profissional e Tecnológica, que já ocupava, e agora também a de Educação Básica. Esta última ficou vaga depois que Tânia Almeida pediu demissão por não ter sido avisada sobre mudanças na prova de alfabetização. 

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L.L.