Manaus completa 1 mês de reabertura de escolas públicas com bons exemplos, temor e desafios

Capital foi a primeira do país a retomar aulas na rede estadual; professores relatam sobrecarga de trabalho e alunos dizem que regras nem sempre são cumpridas fora dos portões

Manaus completa, nesta quinta-feira (10), um mês do retorno das aulas presenciais na rede estadual de ensino. A cidade foi a primeira capital do país a retomar as atividades, quase cinco meses após o início da pandemia do coronavírus. Voltaram apenas alunos do ensino médio e do programa de Educação para Jovens Adultos (EJA) – cerca de 110 mil estudantes. O ensino fundamental e o básico não têm data para o regresso, e a transmissão de aulas ocorre pela internet e pela TV aberta.

Dentro das 123 escolas da rede estadual em Manaus, foram adotadas medidas de segurança, como sabão nas pias, álcool gel e medição de temperatura, por exemplo. Mas há também problemas e desafios. Professores relatam sobrecarga de trabalho, pais temem o transporte coletivo lotado e alunos dizem que regras nem sempre são cumpridas.

O cronograma de retomada das atividades estabelece alternância entre aulas presenciais e à distância. A ocupação das salas foi reduzida a 50% da capacidade.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil está entre os países que fecharam as escolas por mais tempo em razão da pandemia de Covid-19 – 16 semanas até o fim de junho. A média das nações do grupo é de 14 semanas.

Além do Amazonas, apenas outros cinco estados têm previsão de retomar atividades na rede estadual neste ano. São eles: Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Desde o dia 18 de agosto, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) do Amazonas, por meio da Fundação de Vigilância e Saúde (FVS), tem testado profissionais da rede pública em Manaus. Até 1º de setembro, foram aplicados 3.140 testes rápidos,com 922 resultados positivos para Covid-19 – desses, 229 estavam com infecção recente. Para a Seduc, o dado não indica que os profissionais tenham se contaminado após o retorno das aulas.

Até a última atualização desta reportagem, não havia registro de alunos que morreram por causa do coronavírus ou de contaminação entre estudantes. Em todo o estado do Amazonas, mais de 120 mil pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus, e o número de mortos passa de 3 mil.

G1 visitou duas escolas localizadas na Zona Norte da capital para verificar o funcionamento dessas unidades um mês após a retomada das atividades presenciais

Em ambos, o distanciamento entre as carteiras não chegava a 1,5 metro. Em algumas das salas, havia pouca participação dos alunos, além de horários vagos – eles seriam ocupados por aulas de professores que estão afastados porque têm Covid-19.

Nas escolas visitadas, todos os estudantes e professores estavam de máscara – não é permitido entrar nas unidades sem a proteção. Todas as pias estavam funcionando, havia água e sabão para lavar as mãos – mas nem sempre tinha papel. Alunos e professores disseram ao G1 que na merenda estão sendo distribuídos alimentos que não precisam de preparo, como bolachas, sucos e frutas.

Pontos positivos:

  • Pias com sabão, dispensador de álcool, medição de temperatura na entrada, distribuição e obrigatoriedade do uso de máscara.
  • Alunos dizem que as aulas presenciais permitem melhor assimilação do conteúdo.
  • Consciência coletiva: os próprios alunos “fiscalizam” se os colegas estão cumprindo as regras.
  • Merenda “seca”, com biscoito e suco em caixinha.

Pontos negativos:

  • Relatos de descumprimento do distanciamento na escolas.
  • Estudantes cumprem as regras melhor dentro das escolas, mas relaxam do portão para fora
  • Risco de contágio no transporte coletivo.
  • Professores faltam com mais frequência, e aqueles afastados por Covid-19 não são substituídos de imediado – além disso, alunos são informados apenas quando já estão na escola.
  • Professores dizem estar sobrecarregados, porque, com o rodízio de alunos, precisam dar tanto aulas presenciais quanto on-line.

O que mudou nas escolas

Para o retorno das aulas, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) montou um plano de ação, a partir das recomendações da Fundação de Vigilância e Saúde. Algumas iniciativas adotadas foram:

  • distribuição de 1 milhão de máscaras a todos os professores, estudantes e demais profissionais das escolas (o uso da proteção é obrigatório);
  • reforço nas práticas de higiene pessoal, como lavagem correta das mãos nas pias instaladas nos ambientes comuns;
  • distanciamento de pelo menos 1,5 metro entre as pessoas, tanto na sala de aula como nos corredores e refeitórios;
  • e limpeza constante das superfícies para evitar a proliferação do vírus.

A entrega de máscaras para os estudantes foi um dos pontos que gerou polêmica. O equipamento de proteção entregue pelo governo era grande demais para os alunos e cobria todo o rosto, não apenas boca e nariz. O governo admitiu o erro e anunciou a distribuição de novas máscaras foram distribuídas.

Leia na íntegra: G1

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