UFCSPA inicia votação para a reitoria sob incerteza de nomeação por Bolsonaro

Lucia Pellanda, atual reitora, e Miriam da Costa Oliveira, ocupante do cargo entre 2008 e 2017, lideram chapas concorrentes

No ano da pandemia de coronavírus e da adaptação forçada ao ensino a distância (EAD), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) realiza, nesta quinta-feira (26), a consulta para definir a gestão 2021-2025 da Reitoria, como mostra reportagem da Zero Hora. Duas mulheres encabeçam as chapas concorrentes: Lucia Pellanda, atual reitora, e Miriam da Costa Oliveira, ocupante do cargo entre 2008 e 2017.

Por concentrar cursos nas áreas dos profissionais mais exigidos na linha de frente do atendimento a pacientes com covid-19, a UFCSPA, com mais de 5,5 mil estudantes, tem se mostrado cenário propício para embates entre membros da comunidade acadêmica. Em uma crise sanitária sem precedentes, com fortíssimo componente ideológico, divergem aqueles que defendem medidas preconizadas pelo governo federal e os que se opõem a elas.

Enquanto a instituição se destaca no campo da pesquisa e no apoio direto à população, aplicando testes e produzindo álcool gel e equipamentos de proteção individual (EPIs), existem, entre os professores, adeptos do chamado “tratamento precoce”, exaltado pelo presidente Jair Bolsonaro e recomendado pelo Ministério da Saúde, apesar da falta de sólida comprovação científica quanto à eficácia das drogas alardeadas como eficazes contra o Sars-CoV-2.  

Outra característica que acrescenta tensão ao pleito de 2020 é a possibilidade de Bolsonaro não escolher o nome mais votado por alunos, docentes e servidores quando receber a lista que será encaminhada pelo Conselho Universitário (Consun), como ocorreu em outras instituições, quebrando uma tradição bem estabelecida de respeito à autonomia acadêmica. Foi o caso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em setembro, que teve o candidato menos votado, Carlos Bulhões, definido como vencedor, o que gerou ruidosa polêmica. Bulhões ficou em terceiro lugar na consulta e também entre os conselheiros. O presidente tem a prerrogativa legal de optar por qualquer uma das chapas que compõem a lista tríplice.

Leia na íntegra na ZH.

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