É de conhecimento público que não há consenso na Comeleufsc sobre o sistema de votação, presencial ou remoto. A Apufsc se posicionou a favor do sistema remoto, diferentemente das outras três entidades. Destacamos que o regimento da Comissão, Art 6º, define que TODAS as decisões devem ser por consenso, portanto, há um impasse.
O sistema presencial, via urnas eletrônicas, dificulta ou mesmo impede que eleitores com direito ao voto o exerçam, deixando de fora cerca de 1.500 pessoas – sem contar os estudantes de pós-graduação que estão em pesquisas de campo. Já o sistema remoto elimina tal barreira.
A solução ao impasse deveria passar pelo Conselho Universitário (CUn), dado que aquela instância foi a responsável por constituir a Comeleufsc, delegando-lhe a função de promover a consulta informal para a escolha do novo reitor/a.
Ocorre que, à revelia do regimento, as outras três entidades, encaminharam ao TRE-SC solicitação de cessão das urnas eletrônicas a fim de realizar votação presencial nos quatro campi do interior e em todos os centros de ensino do campus Trindade. Posteriormente, informaram que o TRE havia concordado em ceder as urnas, o que se demonstrou uma inverdade.
Nesta sexta-feira, dia 20, fomos surpreendidos com a informação de que, excedendo completamente as suas responsabilidades e atribuições, o reitor havia intercedido junto ao TRE-SC com o pedido de reconsideração da negativa do Tribunal em ceder as urnas eletrônicas, ocasião em que o diretor do TRE-SC ofereceu, alternativamente e sem custos, o sistema e-Voto, desenvolvido pelo próprio Tribunal para votações remotas, com acesso pelo gov.br. Porém, diante da insistência do reitor, o diretor solicitou uma reunião com todas as quatro entidades da Comeleufsc, incumbindo o reitor de informá-las sobre a mesma.
A reunião ocorreu na sexta-feira, às 16h, na sede do Tribunal, sem que a Apufsc tenha sido previamente informada pelo reitor. Soubemos da reunião por vias informais apenas 30 minutos antes do início.
Ato contínuo, nosso representante e presidente da Comeleufsc acorreu ao Tribunal. Uma vez lá, reafirmou a posição da Apufsc a favor do voto remoto. Contudo, premido pelo pedido do reitor, autoridade máxima da UFSC, o diretor aceitou ceder as urnas eletrônicas do TRE, alertando que a lista definitiva de votantes deverá ser impreterivelmente fornecida pela UFSC ao Tribunal até dia 1° de março.
A data-limite impede que um número significativo de estudantes vote, dado que estaremos ainda em período de chamadas de ingressantes e reajustes de matrícula, agravando ainda mais a exclusão já perpetrada pela adoção do voto presencial.
Vários problemas derivam dessas atitudes. A primeira é a do reitor que, mesmo sabendo do impasse (não consenso) sobre o sistema de votação, toma partido de uma determinada posição, quando deveria levar ao CUn o problema.
Não lhe cabe decidir sobre qual sistema deve ser adotado, ainda mais sendo o reitor candidato à reeleição. Não deveria usar seu cargo para eventuais interesses eleitorais. Deveria, sim, como reitor, garantir a lisura da consulta e que todos os eleitores/as com direito a voto possam ter acesso às urnas em plenitude. Foi um grave erro do reitor.
A consulta informal ganhou contornos de descontrole, seja pelas atitudes já sabidas das lideranças das outras três entidades, seja pela campanha antecipada da candidatura oficial já em curso, antes mesmo da inscrição.
Servem de exemplo as festas em sindicato, visitas fora da rotina aos centros de ensino, vídeos com candidato a vice em dependências da universidade. Tudo isso sem regras definidas e sem capacidade de coibição pela Comeleufsc. O que se exige acima de tudo é ética e postura à altura do cargo. E serve para todos os que disputarem o pleito.
O Conselho de Representantes da Apufsc aprovou, nesta sexta-feira, uma solicitação ao reitor para que, como presidente o CUn, convoque com urgência uma reunião extraordinária do Egrégio Conselho para apreciar o impasse e a reformulação do calendário eleitoral. Será a oportunidade de recolocar o processo eleitoral no caminho democrático e de lisura, servindo também para que o reitor-candidato forneça as devidas explicações e tenha a oportunidade de se refazer do erro.
A Apusfc-Sindical não renunciará a princípios e continuará perseguindo o direito de que todos possam votar, livre e democraticamente. E seguirá lutando para que, na escolha, prevaleçam as ideias e propostas a fim de que a UFSC possa melhor servir à sociedade.
