*Por Edson Roberto De Pieri
Tendo em vista a carta de renúncia da vice-reitora da UFSC, Profa. Joana Célia dos Passos, e considerando o que presenciei em reuniões de trabalho com a equipe da reitoria, registro os seguintes pontos:
Desde a campanha para a Reitoria, em 2022, mantive com a professora Joana uma relação institucional respeitosa, mesmo havendo divergências de posicionamento em diferentes temas universitários. Essa relação se preservou durante o período em que estive à frente da direção do CTC e ela exercia a vice-reitoria.
Ao longo desse período, tornou-se recorrente o contraste entre a postura propositiva e assertiva da vice-reitora e a dificuldade do reitor, Prof. Irineu Manoel de Souza, em encaminhar questões cotidianas da universidade.
Em diversas ocasiões, a vice-reitora manifestou posições firmes, inclusive críticas, diante da inércia administrativa e da resistência de membros da gestão em assumir responsabilidades decisórias.
Problemas relevantes — como infraestrutura, segurança no campus e o ambiente de desrespeito observado em algumas reuniões colegiadas, principalmente do Conselho Universitário — foram frequentemente enfrentados pela vice-reitora, muitas vezes sem posicionamento claro da presidência das reuniões.
Em reiteradas reuniões com diretores de centro, coube à vice-reitora acolher demandas da comunidade universitária, sistematizar encaminhamentos e buscar soluções conjuntas. Tais questões, contudo, raramente avançavam após sua formalização, permanecendo sem desdobramentos efetivos.
Registro este depoimento em respeito aos fatos e também às pessoas que apoiaram a candidatura da professora Joana na chapa eleita em 2022, posteriormente nomeada pelo então presidente Jair Bolsonaro, para contribuir com a compreensão do que ocorreu no âmbito da gestão após a posse.
*Edson Roberto De Pieri é professor do Departamento de Engenharia de Automação e Sistemas (EAS/CTC)
Artigo recebido às 10h5 do dia 23 de fevereiro de 2026 e publicado às 11h5 do mesmo dia
