*Por Nilton da Silva Branco
Estamos a poucos dias do início do semestre 2026-1. É a hora de recebermos calouros e veteranos, todos com expectativa de adquirirem novos conhecimentos e se capacitarem para criar conhecimentos, a serem utilizados pela sociedade e a serem discutidos com futuros estudantes. Um ciclo virtuoso, que deveria encontrar na UFSC a infraestrutura adequada, com segurança, capacidade tecnológica e um ambiente estimulante do trabalho intelectual.
Mas nos deparamos com uma universidade aos pedaços, em que cada uma das poucas condições que citei acima são negadas à comunidade: infraestrutura muito aquém do suficiente e sem manutenção adequada, insegurança em vários espaços da UFSC, capacidade tecnológica do meio do século XX – aparelhos de ar condicionado comprometidos ou simplesmente inservíveis, data shows insuficientes (e muitos dos que funcionam tendo sido comprados pelos centros e não pela reitoria) e espaços insalubres – e um ambiente muito parecido com uma repartição burocrática sem a vibração que se espera em uma instituição de ensino e de criação de conhecimento.
Em particular, após pouco menos de três meses de recesso de aulas, a UFSC deveria estar como um cartão postal de boas vindas à comunidade. Mas o que vemos em uma caminhada pequena em nosso campus é o sinal de anos de descaso com a instituição e de prioridades equivocadas e não discutidas com a comunidade.
Na foto abaixo vê-se o mato quase impedindo o uso de uma ponte importante entre o EFI, o CCE e o estacionamento do CSE e do Colégio de Aplicação. Provavelmente este “problema” não existirá até 9/3, dada a simplicidade em resolvê-lo. Seria inédito começarmos o semestre com o mato tomando posse dos espaços universitários. Ao fundo, o prédio administrativo do CFM em construção, sem cercamento, o que, como denunciou o próprio reitor, então em campanha, há exatamente quatro anos, desrespeita a legislação.

Nas fotos seguintes, mostramos as condições de duas salas de aula no prédio G1 do Depto. de Física. Deste assunto já tratei em meu artigo anterior: mofos em paredes, algumas vezes causados pela ineficácia dos aparelhos de ar condicionado, o que é prejudicial à saúde, além de criar um ambiente que não incentiva o bom ensino e aprendizado. Aqui, também a solução é simples: manutenção dos canos de escoamento e do teto dos prédios da UFSC. Mas esta certamente não será feita até segunda próxima, visto que o CFM já solicitou esta manutenção há anos e apenas conseguimos, com a reitoria, reuniões que geraram somente promessas vazias. Se você for o pai ou a mãe de um potencial aluno da UFSC, este panorama o incentivaria a matricular sua(eu) filha(o) em nossa instituição, apesar da competência de seus servidores e de nossos cursos bem avaliados?


Na próxima foto exponho a situação em um corredor do Depto. De Física. Uma universidade, colegas, tem que ter a maioria de seus professores frequentando seus espaços. A devida interação entre professores, pesquisadores, servidores técnicos e estudantes se dá com esta convivência diária: nela, ideias novas são geradas, discutidas e aperfeiçoadas, conexões são feitas e todos os processos necessários nas vida universitária ganham com esta convivência. As experiências que estamos tendo na UFSC nos afastam de nosso ambiente de trabalho e ensino e prejudicam o desenvolvimento da universidade pública e, por consequência, da ciência, da tecnologia e do desenvolvimento humano nacionais.

Por fim, mas não menos importante (pelo contrário!!!), devemos citar a manobra feita por DCE, APG e SINTUFSC na COMELEUFSC (comissão que normatiza a consulta informal para reitor e vice-reitor), que, ao impor o voto presencial por urnas eletrônicas, alija milhares de estudantes e alguns servidores técnicos e docentes de seu direito de voto. Mas o que adiciona insulto à injúria é que o atual reitor e candidato à re-eleição entrou em contato com o TRE para viabilizar a cessão das urnas (veja https://www.apufsc.org.br/2026/03/02/reitor-rejeita-solicitacao-do-conselho-de-representantes-sobre-calendario-e-impasse-na-comeleufsc/), patrocinando a manobra feita pelas três representações citadas acima. Esta atitude é totalmente descabida, visto ser o reitor parte interessada na forma em que a eleição se dá. Mas para o estudante, que deveria estar sendo recebido de braços abertos pela instituição, a lição é que seu voto não é importante e que alguns agentes da UFSC farão o possível para que ele(a) não consiga exercer o direito de voto.
Difícil de sentir bem-vindo(a)!
*Nilton da Silva Branco é professor do Departamento de Física (CFM/UFSC)
Artigo recebido às 13h39 do dia 4 de março de 2026 e publicado às 10h27 do dia 5 de março de 2026 .
