Cortes massivos no orçamento para a ciência dos EUA são propostos novamente pelo governo Trump

Proposta orçamentária de 2027 restringiria os pagamentos federais para publicações científicas e reduziria o financiamento de muitas instituições dos Estados Unidos, segundo a Nature

Pelo segundo ano consecutivo, o presidente dos EUA, Donald Trump, propôs cortes significativos nos orçamentos das agências científicas mais proeminentes dos EUA. O plano da administração para gastos federais no próximo ano, divulgado na sexta-feira, dia 3, também inclui a proibição de usar fundos federais para pagar assinaturas e taxas de publicação de alguns periódicos acadêmicos.

O plano propõe cortes para agências federais que financiam ou realizam pesquisas sobre saúde, espaço e meio ambiente1. Alguns dos cortes mais acentuados seriam feitos à National Science Foundation (NSF) e à Agência de Proteção Ambiental (EPA). Os orçamentos de ambos cairiam mais de 50% em 2027 em comparação com seus níveis atuais. O orçamento dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH) diminuiria 13%.

Um documento orçamentário divulgado pela Casa Branca afirma que a proposta manteria o financiamento para pesquisas em informação quântica e inteligência artificial “para garantir que os Estados Unidos permaneçam na vanguarda” nessas áreas. A administração planeja aumentar o financiamento para pesquisa aplicada nesses temas para os departamentos de defesa e energia, diz Alessandra Zimmermann, que acompanha orçamentos e políticas científicas na American Association for the Advancement of Science, uma organização sem fins lucrativos em Washington DC. Mas o financiamento de pesquisa quântica e de IA na NSF, por exemplo, seria reduzido em 37% e 32%, respectivamente, em relação aos níveis de 2025.

No fim das contas, é o Congresso dos EUA quem decide como o orçamento federal será gasto — não o presidente. O Congresso rejeitou os pedidos da administração por cortes enormes em 2026, restaurando o financiamento para muitos dos programas que a Casa Branca buscava eliminar. A proposta de Trump é um ponto de partida para as negociações no Congresso, que podem durar até o início do ano fiscal de 2027, em 1º de outubro — ou até mesmo além dele, devido às eleições para o Congresso que serão realizadas em 3 de novembro, diz Zimmermann.

A proposta orçamentária aumentaria o financiamento para as prioridades do presidente — como o Departamento de Defesa, que receberia US$ 1,5 trilhão, um aumento de mais de 40% em relação aos níveis de 2026 — ao mesmo tempo que reduziria os gastos com muitos programas domésticos.

Mudanças radicais

A Casa Branca pretende cortar o orçamento da NSF em quase 55%, para US$ 4 bilhões. A proposta também elimina todo o apoio à divisão da NSF que financia pesquisas em ciências sociais e economia. Em uma reunião interna com todos os funcionários, realizada em 3 de abril, líderes da NSF anunciaram que dissolveriam a Diretoria de Ciências Sociais, Comportamentais e Econômicas (SBE, na sigla em inglês) da agência, com base na solicitação orçamentária, segundo dois funcionários da NSF que compartilharam informações anonimamente para poderem falar livremente. A solicitação orçamentária da NSF ao Congresso afirma que a agência fechará a SBE, mas manterá as “bolsas que estejam alinhadas com as prioridades do governo, como em ciências comportamentais e cognitivas, e todos os funcionários afetados serão transferidos para outras áreas da agência”.

Tradução: Jornal da Ciência
Fonte: Nature