Homens de preto

*Por Fábio Lopes

Saiu finalmente o resultado da urna estudantil de Blumenau. A candidatura encabeçada por Irineu teve exatos quatro votos, o que equivale a 1,5% do total. Por pouco, não ficou atrás da quantidade apurada de votos em branco.  O exuberante vexame tem várias explicações. A primeira e mais óbvia é que Blumenau não engoliu o fato de ter seus eleitores discentes chamados de “insignificantes” pelo time do reitor. A pá de cal veio na manhã seguinte. Depois de não conseguir incinerar os votos blumenauenses, Irineu e seu vice tiveram o desplante de gravar um vídeo em que afirmavam ter defendido a repetição da votação desde o início.

Creio, ademais, que a acachapante derrota tenha sido também a primeira resposta da comunidade universitária à campanha grotesca que a chapa oficial deflagrou no segundo turno. Blumenau é só um prenúncio do que espera pelo Comando Maluco no próximo dia 15.

A internet não perdoa. Tão logo o terrorismo eleitoral de Irineu & Cia começou a ser publicado, algum observador perspicaz percebeu a semelhança dos posts com os materiais do deputado Nikolas Ferreira. A pecha viralizou, e deu no que deu: a estratégia eleitoral do reitor fez água já no nascedouro.

É claro que o desespero de ter que correr atrás do enorme prejuízo eleitoral foi um fator decisivo na formatação da escabrosa campanha continuísta. Mas não nos enganemos: as escolhas estéticas e discursivas feitas por eles no fundo revelam à perfeição o que foi esta Reitoria.

A atmosfera sombria dos vídeos e panfletos é um retrato fiel do clima de dispersão, melancolia e desalento desde sempre imposto à UFSC pela atual gestão. A violência da linguagem usada é a mais completa tradução da brutalidade e do autoritarismo que campeiam no Conselho Universitário e em outros espaços institucionais da UFSC.

A tentativa de disseminar pânico e desinformação é uma versão exasperada de um staff que, no dia a dia, efetivamente aposta na disseminação do medo e da desinformação como estratégias para manter-se a qualquer preço no poder.

A cara feia e acabrunhada – quase demoníaca – dos candidatos em suas participações espelha a feiúra do campus, o gritante descuido a que estamos submetidos (nota de rodapé: observem a Praça da Cidadania, cartão de visitas da UFSC. Os homens de preto são tão destrambelhados que nem às vésperas da eleição cortam os enormes tufos de mato em meio às pedras portuguesas lá depositadas pelo gênio de Roberto Burle Marx…).

Não, ladies and gentlemen, a campanha da chapa oficial não é só um espasmo de gente desorientada pela derrota que não esperavam. É algo bem mais profundo e consolidado do que isso: a encarnação plena do niilismo que a gestão cultiva e semeia há quatro anos.

*Fábio Lopes é professor do CCE/UFSC

Artigo recebido às 11h04 do dia 11 de abril de 2026 e publicado às 10h40 do dia 13 de abril de 2026