“Lobo em pele de Cordeiro” ou “A cigarra e a formiga”

*Por Marcos Baltar

Dia 15 temos segundo turno para reitoria na UFSC. E eu queria falar com  quem está indeciso/a. Principalmente para aqueles que votaram  legitimamente na chapa 63. 

1. Sobre a presença da direita/extrema direita na chapa 41. Isso é fato não é fake como alguns têm dito. É gravíssimo, pois esse grupo político, muito  bem organizado, é a antítese da Universidade Necessária para a qual todos  trabalhamos há quatro anos. É preciso dizer que a custa de muito esforço  conseguimos realizar boa parte do programa aprovado na última eleição.  Basta ver no folder da chapa 52 as realizações da gestão do Prof. Irineu. Os  grupos de direita e extrema direita falam que a UFSC está um caos e por isso  precisam assumir o controle. É o teatro do absurdo, ou melhor, com o perdão  ao Corpo Santo e a Ionesco: é uma falta de absurdo. Desde o golpe na Dilma,  o vampiresco Temer e o congresso de “trezentos picaretas com anel de  doutor” emplacaram o “teto de gastos” e depois, durante todo  bolsonarismo, de Paulo Guedes, Moro e Weintraub, atacaram as  Universidades de todas as formas, a UFSC em especial, ao ponto de  provocarem a morte do nosso reitor Cancelier. Trata-se de serviçais do  interesse neocolonial sediado no hemisfério norte, que sabem que se  deixarem a Universidade livre, sempre encontrarão resistência. Porque aqui  se respira a liberdade, se respeita o contraditório, aqui se produz ciência e  tecnologia de ponta, com um único objetivo: tentar retirar o Brasil de uma  dependência econômica histórica, provocada e mantida pelas potências  hegemônicas. Então, a cada nova eleição tentam se associar a uma chapa  concorrente (de situação ou oposição) para assumirem o controle. Por isso  tenho dito para termos cuidado com os “Lobos em pele de Cordeiro”. Ouvi  da colega Felipa quando esteve na Coperve que ela tem uma história de luta.  Certo, todo respeito. Um outro “companheiro” nas redes sociais afirmou que  ela é de esquerda, ok. Mas contra fatos não servem “argumentos de  autoridade”. Isso veio em resposta a pergunta que fiz sobre como a chapa  41, caso ganhasse as eleições, aguentaria a pressão da direita e da extrema  direita, para transformar a UFSC em uma instituição servil às forças  dominantes e do atraso de Santa Catarina? Por isso, é sim uma disputa de  dois projetos, que pode até ser entendida com disputa entre “esquerda e  direita”. Lembram do “future-se”? Nós já lutamos juntos contra o servilismo  da UFSC aos interesses da classe dominante, contra o controle ideológico  neoliberal, contra a “privataria” habitual dos serviços públicos, que só  produz desigualdade e miséria. Concordam que não queremos isso? 

2. Mudança? Chama a atenção os “slogans” das duas chapas adversárias. Pareceu jogo combinado: Moro e Dalagnol. Ambas adotam a tese da mudança. Mais uma incoerência. Mesmo admitindo que todos têm direito  de colocar sob escrutínio seus projetos e posicionamentos ideológicos, não nos iludamos, pois o que a UFSC precisa neste momento não é de correção  de rumo, mas de avançar com ajustes com o mesmo projeto vitorioso nas últimas eleições. E não podemos aceitar na universidade, que é o lugar do  predomínio do discurso científico e da verdade, que se valham de falsidade  e farsa. Contra fatos não há argumentos. O discurso da chapa 63 na pauta  da hipocrisia (principalmente para quem está na gestão e trabalhou com o  grupo dissidente) assemelhou-se à fábula da “Cigarra e da Formiga”. Eles  ficaram até o final do mandato e saíram atirando, cantando, como as  cigarras. Que está tudo errado e que eles vão corrigir o trem da história, num  passe de mágica. Como “Alice no país do REUNI”. Isso talvez explique a  quantidade de votos que obtiveram no primeiro turno. Mas quando  estiveram na gestão, trabalharam muito pouco. Alguns dos protagonistas da  63 atuaram na gestão mais na direção do dividir do que de somar esforços  para debelar os problemas que eram importantes. Prof. Irineu teve uma  paciência de Jó. Houve traição, projeto de autopromoção, problemas com  bolsas atribuídas a parentes, um pouco “de um tudo” ele teve que suportar  e corrigir. Mas o discurso da cigarra tentou convencer a comunidade que  eles saberiam fazer aquilo que não contribuíram para resolver durante o  período em que estavam na gestão. Muito contraditório! A pergunta que  sobra é: mudar para quê? Para entregar a Universidade ao mainstream catarinense? Aos interessados de sempre em mandar na UFSC de fora para  dentro? Ambas as chapas falaram abertamente em novas formas de captar  recursos com empresas privadas, como se isso não fosse vender a alma ao  diabo. Mudar para quê? Se a gestão do prof. Irineu acertou muito mais do  que errou? Mudar a distribuição dos parcos recursos? Priorizar os prédios em lugar de atender a permanência estudantil? Deixar de priorizar RU?  Diminuir o valor das bolsas para estudantes? Mudar o perfil dos alunos que  entram na UFSC? Oprimir os cotistas? Os indígenas? Acabar com as ações  afirmativas? Como tentou fazer o governador do estado? Bolsonatista,  patrocinador de blogs de direita e de extrema direita que estão promovendo  a chapa 41?  

Não devemos e não podemos entrar nessa “conversa fiada”. Nem o grupo do  canto da cigarra, nem a chapa 41, que quer esconder a direita e a extrema  direita de sua campanha, têm a competência que dizem ter para conduzir  com soberania e altivez uma das maiores Universidades brasileiras. A chapa  52 está no segundo turno e tem chances claras de se reeleger. Prof. Irineu e  prof. Moretti não têm interesses pessoais, nem defendem interesses  partidários ou de grupos extra-UFSC. São colegas que já demonstraram sua  experiência na gestão. Prof. Irineu, além de ter escrito uma tese sobre gestão de universidade pública, dirigiu com serenidade por duas vezes o CSE e  conduziu a UFSC nesses últimos quatro anos, administrando um orçamento vergonhoso. O prof. Moretti, além da Coordenação do Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva por dois mandatos, esteve na vice-direção do  CCS e, portanto, sabem muito bem como enfrentar os desafios dos  próximos quatro anos de gestão da UFSC, para corrigir o que é necessário e  avançar. Caríssimos colegas da UFSC: docentes TAEs e estudantes, o sábio  Guimarães Rosa, na voz de Riobaldo, nos ensinou que “o que a vida quer da  gente é coragem”. Coragem no nosso caso é não se deixar enganar e votar  no projeto e nas pessoas certas para conduzirem nossa universidade por  mais quatro anos no melhor caminho. 

*Marcos Baltar é presidente da Coperve e professor do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas (CCE/UFSC)

Artigo recebido às 11h32 do dia 13 de abril de 2026 e publicado às 15h40 do mesmo dia