No início deste ano, Zara Figueiredo se manifestou sobre lei que tentou colocar fim às cotas raciais em SC
Ciente dos ataques racistas proferidos contra a secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação (Secadi/MEC), professora Zara Figueiredo, o Proifes-Federação manifestou solidariedade, endossando a nota publicada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee).
O Proifes reafirma sua atuação contra todo tipo de preconceito, como representante de docentes das instituições federais de ensino e como instituição que atua na defesa de todos os brasileiros e brasileira.
Leia a nota na íntegra:
“A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino vem a público manifestar seu repúdio integral aos ataques racistas e às tentativas de desqualificação dirigidas à professora Zara Figueiredo. Secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação, ela sofreu ataques racistas pelas redes sociais em razão de sua atuação pública na defesa da igualdade racial e dos direitos humanos, em pleno mês em que celebramos o Dia Internacional da Mulher Negra latinoamericana e caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, mês que tem sido marcado pela referência e contribuição de mulheres negras na nossa história.
Expressamos também toda a nossa solidariedade à professora, educadora comprometida com a democracia, com a diversidade, com a reparação histórica e com o direito de cada criança, jovem, adulto e idoso deste pais existir plenamente dentro da escola.
Os ataques direcionados à professora Zara não atingem apenas a sua trajetória pessoal e profissional. Atingem diretamente sua presença institucional e o lugar político que ela ocupa na educação brasileira. São ataques que buscam calar uma voz negra, competente e atuante na defesa da educação, da democracia e de uma sociedade mais justa e antiracista.
A Contee reafirma que não tolerará nenhuma forma de racismo, assédio ou violência política. Racismo não é opinião. É crime. E atacar a dignidade, a história e a atuação de uma educadora é atacar toda a categoria e a própria educação do país.
Neste momento, nos colocamos ao lado da professora Zara Figueiredo. Sua luta é a nossa luta. Sua trajetória inspira milhares de professoras, professores e trabalhadores em educação em todo o Brasil.
Seguimos juntas e juntos na defesa da educação, da democracia e da igualdade racial.”
Ataques a secretária e jornalistas
Conforme o site Brasil de Fato, Zara Figueiredo e as jornalistas Basília Rodrigues e Ester Cauany, do SBT, sofreram uma série de ataques racistas nas redes sociais após a publicação de uma chamada para o programa Sala de Imprensa, do SBT News, que foi ao ar no último sábado, dia 4. A entrevista com a secretária abordou a persistência do racismo estrutural e as desigualdades raciais no Brasil.
A postagem, veiculada na esteira do Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, teve comentários de cunho racista. Zara Figueiredo gravou um pronunciamento público confirmando que todos os registros visuais e as identidades dos agressores já foram formalmente entregues à Polícia Federal.
Zara Figueiredo se manifestou sobre fim das cotas raciais em SC
Em janeiro deste ano, em entrevista à Folha de S. Paulo, Zara Figueiredo classificou o projeto de lei proibindo a política afirmativa em Santa Catarina, sancionado pelo governador Jorginho Mello (PL), como “antiético, imoral e inconstitucional”.
“É dever do Estado reduzir as desigualdades no acesso é educação. Isso é constitucional, como afirmou o Supremo. Santa Catarina faz parte da República Federativa do Brasil, não é? Então eles devem cumprir a Constituição”, afirmou a secretária Zara na ocasião.
Em abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou por unanimidade inconstitucional a lei aprovada em Santa Catarina que proibia o ingresso via cotas raciais ou outras ações afirmativas no ensino superior em instituições que recebem verbas do Estado.
Imprensa Apufsc
