Ataques de um pária político

*Por Carlos Alberto Marques (Bebeto)

Li com um misto de espanto e revolta, diante de tamanha agressividade das palavras, um artigo com teor acusatório contra a minha pessoa e minha atividade política, tanto na UFSC quanto na Apufsc.

Me afastei, muito recentemente, das atividades de presidente da Apufsc porque assumi funções de Assessoria Institucional na nova reitoria da UFSC. Segui o Estatuto do sindicato, com a análise dos advogados. Deixo claro, portanto, que estou afastado da Diretoria e não exerço mais a presidência da Apufsc até o final do mandato. Tudo muito transparente, com comunicação prévia à Diretoria e à categoria.

A opção por passar TODAS as atribuições da presidência, previstas no art. 31 do Estatuto, à nossa vice-presidente (artigo 32, letra “b”) foi considerada a mais simples, pois a renúncia causaria enormes transtornos administrativos, jurídicos e fiscais à entidade, posto que daqui a três meses haverá uma nova Diretoria. Além disso, temos a obra da nova sede em andamento, com uma série de documentações que precisariam ser alteradas. Simples assim!

As mentes doentias podem fazer as ilações e ter os objetivos que quiserem, mesmo os de cunho eleitoreiro, mas inaceitáveis são as ofensas ao meu caráter. Algo que já está sendo tratado na esfera adequada.

Essa é a terceira vez que presido a Apufsc, sempre submetendo minhas ideias, opiniões e prática política ao escrutínio dos filiados e filiadas. Estou convicto de que muitos sabem ou reconhecem minha dedicação ao sindicato e o meu respeito aos filiados e filiadas.

Minha atuação política na UFSC vem desde que me tornei aluno de graduação, em 1980. Já atuei em âmbito institucional, fui por dezesseis anos conselheiro do CUn, Diretor do CED e coordenador de pós-graduação. Convivi com vários reitores e já fui convidado a estar na gestão da reitoria, além de ter sido candidato a vice-reitor.

Eu poderia, mas não o fiz, ter usado a entidade para galgar cargos aqui ou em outros lugares. Agora, prestes a concluir meu mandato na Apufsc e a me aposentar, decidi aceitar o honrado convite do novo reitor e e da nova vice-reitora. Deixar isso claro à categoria é prova cabal de honestidade política e não de atrelamento obscuro do sindicato à reitoria, como acusa meu detrator.

Essa trajetória me tornou figura pública e tenho orgulho de minha militância sindical, institucional e social. Não há transformismos e tampouco heroísmo nisso. O que há é idoneidade política, muita convicção e forte compromisso na luta por justiça social. Atuo para mudar e melhorar o mundo em que vivo e o lugar onde trabalho.

Eu sempre segui um ensinamento político: não é preciso de cargos para se ter influência ou mesmo poder político. O importante é ter princípios, boas ideias, compromisso público e muito envolvimento com as lutas sociais. Por isso mesmo, desta vez vou colocar essas ideias e compromissos em prática, colaborando com a Administração da UFSC.

Sigo convicto de que contribuo com nosso sindicato e tenho algo a oferecer à Universidade: lugar onde tiro meu sustento, material e imaterial. Outros sujeitos políticos, diferentemente, conseguem jogar sua biografia política no lixo num piscar de olhos e hoje vivem como párias e, por isso mesmo, serão sempre lembrados como tal.

Triste é a pessoa que perde o rumo.

*Carlos Alberto Marques é professor do MEN/CED e ex-presidente da Apufsc-Sindical

Artigo recebido às 13h46 do dia 21 de julho de 2026 e publicado às 15h21 do mesmo dia