*Por Suzi Barletto Cavalli, Camilo Araújo e José Fletes
As divergências sobre os rumos da Apufsc e sobre as práticas sindicais de quem quer que seja fazem parte do cotidiano político no meio sindical e são próprias do meio social. Contudo, o que estamos vivenciando agora na Apufsc é algo absurdo, com artigos, posts em mídias sociais e falas eivadas de inverdades. Essas manifestações são marcadas pelo discurso de ódio e por argumentos difamatórios por parte de algumas lideranças da oposição sindical em busca de poder.
Um dos assuntos em pauta é a defesa, por parte dessas lideranças, de que é necessária a mudança do sistema de votação eletrônica, praticada há anos na Apufsc. Sem justificativas e provas, levantam suspeitas sobre a correção e a segurança de todas as votações eletrônicas ocorridas ao longo de vários anos no sindicato. No fundo, há também a tentativa de justificar suas derrotas e a rejeição da categoria às suas ideias, práticas e propostas.
É muito grave o que estão propondo e também uma hipocrisia, pois as lideranças que defendem essas mudanças são as mesmas que defenderam o voto presencial nas eleições para reitor — o que levou à exclusão de milhares de pessoas com direito ao voto. O intuito agora é, por um lado, semear a desconfiança sobre a diretoria e, por outro, excluir principalmente os aposentados, dado que a implantação de um novo sistema de votação exigiria cadastrá-los e/ou orientá-los ao uso do sistema Gov.br para que depois pudessem depositar seu voto.
É uma clara demonstração de golpismo eleitoral levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas. Trata-se de uma prática sindical deplorável, e pior ainda é acusar a diretoria de golpista. No mais, são questiúnculas que visam apenas criar um ambiente de desconfiança sobre a condução de uma diretoria e fazer agitação com fins eleitorais.
O que vemos é uma diretoria que tem primado por proteger a categoria, buscando responder às demandas dos filiados e filiadas, bem como dedicando-se à construção da nova sede (que exige muita dedicação e tempo) e aprovada por esta mesma categoria. Além disso, vemos uma diretoria atuando de forma transparente em todos os temas, informando a categoria sobre o que está acontecendo com carreiras, salários, plano de saúde, etc. Essa dedicação espontânea e gratuita à administração sindical ocorre dividindo esse tempo com as tarefas acadêmicas.
Infelizmente, qual a colaboração que a oposição sindical tem dado nos últimos tempos, a não ser atacado a Apufsc. Um exemplo: recentemente defendeu que o sindicato pagasse uma multa que não é de sua responsabilidade, mas sim do Andes. Trata-se de uma oposição cujas lideranças não se conformaram com a decisão de 2009 em tornar a Apufsc autônoma e, posteriormente, federada a sindicatos autônomos em nível nacional. É uma ala que manteve um sindicato paralelo por anos na UFSC, expondo a categoria a problemas jurídicos e semeando a discórdia no meio sindical. Essa oposição tem como único propósito fazer com que a Apufsc se refilie ao Andes-SN, semeando ideias voluntaristas de lutas sindicais, como se bastasse a vontade para resolver nossos problemas e como se faltassem apenas discussões, assembleias e panfletagens. Já vimos isso no passado aqui na Apufsc e foi contra a ideia de greve permanente que a categoria se rebelou e transformou a Apufsc um sindicato autônomo, se desfiliando do Andes.
Atualmente, essa entidade nacional virou o guarda-chuva de partidos e correntes políticas, mantendo-se distante do cotidiano dos professores e professoras. É um sindicalismo de cúpula que não faz consultas amplas (eletrônicas) à categoria e manipula ou desrespeita a vontade da maioria da categoria. Um exemplo dessa cultura sindical é o caso da última greve na qual essa mesma oposição, agindo contra nosso Estatuto, manteve uma greve apesar da decisão da categoria, se ancorando na administração universitária para sustentar uma greve ilegal. É a cultura sindical de greve permanente contra o “patrão”, que fez o Andes só assinar meses depois o mesmo acordo salarial com o governo que foi firmado pelo Proifes. Claro, manter a greve tinha como escopo principal ganhos políticos e ideológicos, e não propriamente trazer resultados à categoria. Esse é um tipo de sindicalismo maléfico ao cotidiano da universidade. Esse é um sindicalismo que não constrói políticas públicas, que flerta com o autoritarismo, tem índole autoritária, aparelhista e distante da base sindical.
Aos filiados e filiadas mais jovens fica o convite para perguntarem às pessoas mais antigas da universidade, por quê a Apufsc optou por sair do Andes e ficar autônoma? O que acontecia naquela época? Podemos garantir que não foi algo tão fácil, foi muito traumático, mas se fez essa opção porque não se aguentava mais o cajado do Andes e as práticas sindicais de seus representantes aqui na Apufsc. Essas mesmas que continuam hoje semeando o discurso de ódio, sectário e enganoso na vida sindical da Apufsc.
Nas próximas eleições da Apufsc temos a oportunidade de renovar nosso voto e dizer não a esse tipo de sindicalismo. Precisamos reafirmar que queremos e precisamos de um sindicato autônomo, com carta sindical e filiado nacionalmente a outros sindicatos autônomos.
*Suzi Barletto Cavalli é professora aposentada do departamento de Nutrição (NTR/CCS), Camilo Buss Araújo é professor do Colégio de Aplicação (CA) e ex-vice-presidente da Apufsc-Sindical, José Guadalupe Fletes é professor aposentado do departamento de Informática e Estatística (INE/CTC) e ex-presidente da Apufsc-Sindical
Artigo recebido às 16h57 do dia 28 de setembro de 2026 e publicado às 8h20 do dia 29 de setembro de 2026
