Apelo ao respeito

*Por Marília Carbonari

Estamos no meio de uma disputa eleitoral tanto na UFSC quanto no âmbito nacional e, infelizmente, temos visto algo semelhante: o desrespeito e acusações mentirosas sendo divulgadas.

Essa cultura do desrespeito e da mentira tem somente um objetivo: desvirtuar o debate, atrapalhar a discussão verdadeira e os argumentos. A melhor forma de construir e defender um projeto de universidade e um projeto de país é através de propostas concretas, de balanço tanto político quanto econômico, e de respeito — sempre com respeito.

Precisamos elevar o nível do debate. Precisamos parar com calúnias e acusações sem provas. E digo isso não apenas porque somos docentes da educação superior no Brasil, mas porque somos cidadãs e cidadãos, somos trabalhadoras e trabalhadores da educação pública, somos servidoras e servidores públicos. Temos estatuto do serviço público, devemos ser exemplo a seguir e não a ser combatidos.

Estamos sob ataque ao funcionalismo há anos, e a melhor resposta sempre é mostrar que nossa diversidade e nossas divergências são nossas riquezas, que toda ciência precisa de um espaço de debate elevado para poder avançar. Qualquer atitude diferente disso deve ser corrigida.

Àquelas pessoas que fazem acusações dizendo que existe um grupo querendo roubar o sindicato, eu peço, eu apelo para que, por favor, ofereçam provas de suas acusações. Às pessoas que por acaso estão apoiando os autores de tais mentiras, também apelo para que mostrem provas ou falem abertamente de onde tais acusações provêm.

Eleições nacionais e situação local

Temos visto, a nível nacional, uma tática de desestabilização a partir de fake news. Isso rebaixa qualquer debate político e faz com que toda a população perca.

O mesmo parece que algumas pessoas estão querendo fazer aqui no debate sobre as eleições do nosso sindicato, pois, se não for por isso, por qual outro motivo haveria de ter essas acusações feitas tanto em assembleia quanto em textos de opinião?

Quero acreditar que a maioria de nós aqui — senão a totalidade — estamos defendendo a reeleição do presidente Lula em defesa da educação pública gratuita de qualidade para todos. Se esse é o caso, como podemos admitir que a tática utilizada pelo outro candidato esteja sendo reproduzida por docentes filiados ao nosso sindicato?

Por que utilizar palavras de baixo calão ou insinuações sobre as pessoas da chapa 1 sem provas? A qual tipo de atitude isso se assemelha? Somos um sindicato de professoras e professores, mas mesmo se não fosse, o respeito, o diálogo através de argumentos, o debate franco e respeitoso deveria ser a base dessa disputa eleitoral.

Conquistas

Somos docentes de uma universidade que está entre as melhores do país. Temos aqui no nosso sindicato uma história de muita luta que deveria nos orgulhar.

Foto retirada do site da APUFSC (último acesso em: 20 out 2026)

No último período, tivemos uma conquista salarial muito importante para a categoria. Essa conquista se deu diretamente ligada à luta de docentes desta universidade e de toda a categoria a nível nacional.

Temos uma entidade nacional que nos representa através de nosso sindicato. Infelizmente, na última greve de 2024, tanto a direção do sindicato quanto essa entidade nacional não estiveram na linha de frente na batalha por nossas reivindicações. Gostaríamos que tivesse sido diferente, mas essa é a verdade. De todo modo, os ganhos das nossas lutas são para todos e todas, como foi na greve
de 2024.

As/os docentes desta universidade que não só foram contra a greve mas muitas vezes trabalharam contra a base grevista, também receberam (e recebem) o aumento conquistado por toda a categoria a nível nacional.

Precisamos ter coerência em todas as nossas ações. Se hoje todos se beneficiam da conquista alcançada pela mobilização nacional coordenada pelo Andes, por que insistimos em atacar essa organização que lutou por nós?

Podemos falar abertamente: o PROIFES e o ANDES são ambos sindicatos de uma mesma categoria que deveriam estar, inclusive, juntos na luta pelas reivindicações dessa categoria. Isso é o que realmente importa: as nossas reivindicações, a melhoria das nossas condições de trabalho e de vida. Sabemos o que o ANDES fez em 2024, pergunto honestamente: quais foram nossas
conquistas através do PROIFES?

Eleição da diretoria da APUFSC

As eleições do nosso sindicato devem ser um momento privilegiado de balanço sobre o que ocorreu na última gestão e as coisas que devem ser melhoradas no nosso sindicato. Essa discussão deve ocorrer com respeito e através de propostas concretas, de dados concretos. Nesse sentido, eu gostaria de verdade que as pessoas que hoje dizem apoiar a chapa 2 — porque eu acredito que há pessoas muito comprometidas que apoiam também a chapa 2 — gostaria que elas colocassem quais foram os ganhos concretos da categoria que estiveram diretamente ligados à atual gestão.

Para mim, como docente, o que me faz apoiar a chapa 1 é sua ligação com a base, com a vida concreta das professoras e professores da nossa universidade. Eu acredito que, se a chapa 1 estiver na direção da APUFSC nós todas/os, como base sindical, poderemos cobrá-la e teremos o estatuto e suas instâncias sendo respeitados.

É por isso que eu apoio a chapa 1, porque eu concordo com as suas propostas e, sobretudo, porque eu tenho confiança que ela defenderá a democracia sindical e não atacará, em nenhuma hipótese, as/os próprias/os filiadas/os.

Precisamos de um sindicato que realmente seja para todas e todos. Nesse sentido, precisamos de um sindicato que defenda todas e todos, que não seja desrespeitoso e que não provoque desavenças. No próximo período, independente do que aconteça a nível nacional, precisamos nos unir na UFSC e continuar melhorando a nossa universidade, para que ela não seja apenas uma referência educacional no Brasil, mas uma referência na melhoria das condições de trabalho e de vida das professoras e professores que aqui estão.

Apelo final ao respeito

Por tudo isso, faço um apelo sincero e firme: que elevemos o nível do nosso debate. Que abandonemos as calúnias, as insinuações e as acusações sem provas. Que sejamos exemplo de respeito e de compromisso com a verdade. Somos servidoras/es público e é nossa responsabilidade construir um debate à altura da universidade que queremos e do país que defendemos.

*Marília Carbonari é professora de Artes Cênicas (ART/CCE)

Artigo recebido às 15h24 do dia 20 de outubro de 2026 e publicado às 15h51 do mesmo dia