Programa busca estimar condições ambientais extremas em plataformas e outras instalações
Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) está desenvolvendo um software para a Petrobras que, a partir de critérios e metodologias avançadas em meteorologia e oceanografia, visa a estimar condições ambientais extremas em plataformas e outras instalações de extração e produção de petróleo e gás natural em alto-mar.
O objetivo é otimizar a prevenção contra desastres ambientais e humanos e reduzir os riscos de colapso nas estruturas offshore. O trabalho conta com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). “A Fapeu tem se mostrado uma excelente fundação de apoio à gestão de recursos financeiros do projeto, tanto da UFSC quanto da UFRGS”, observa o coordenador do projeto, professor do Departamento de Engenharia Mecânica Pedro Veras Guimarães.
O projeto “Análise de extremos multivariada de onda, perfil de vento e perfil corrente para projetos de engenharia offshore” foi a proposta vencedora de chamada lançada em 2023 pela Petrobras, que financia a iniciativa. Os trabalhos começaram em setembro de 2024 e têm previsão de 48 meses. “A partir de uma análise multivariada que considere a interdependência estatística entre variáveis como ondas, ventos e correntes, tratando-as como grandezas tridimensionais, a proposta é fornecer estimativas mais realistas e reduzir incertezas no dimensionamento de projetos de engenharia offshore”, explica o coordenador do projeto.
Segurança e economia
Os dados poderão ser aplicados em bacias brasileiras, como as de Santos, Campos e Espírito Santo, que cobrem boa parte do litoral brasileiro, de Florianópolis, em Santa Catarina, até o Espírito Santo. Ou em qualquer outra bacia do planeta, pois a metodologia será válida para qualquer local offshore de extração e produção de petróleo e gás natural.
“Ao aprimorar a precisão das estimativas de cargas extremas, o projeto busca garantir a segurança de plataformas e outras instalações marítimas, evitando falhas estruturais que poderiam ter consequências catastróficas”, observa o professor Pedro Guimarães. Além dos benefícios em termos de segurança, o projeto também traz vantagens econômicas. “Ao utilizar metodologias mais precisas para o dimensionamento das estruturas, evita-se o superdimensionamento, que eleva os custos de construção sem necessidade. Isso permite otimizar os investimentos, tornando os projetos mais eficientes e economicamente viáveis e sustentáveis”, acrescenta o professor.
Atualmente, as análises de extremos vigentes nas MetOcean (abreviação para meteorologia e oceanografia que se refere à combinação de dados meteorológicos e oceanográficos, como vento, ondas e condições climáticas, em uma determinada localização) não consideram a interdependência estatística entre as variáveis ambientais, o que aumenta a incerteza no valor dos parâmetros estimados. “A inovação proposta avalia uma alternativa às limitações das normas atuais ao integrar a interdependência estatística entre as variáveis ambientais”, detalha o coordenador do projeto. “Essa abordagem possui aplicação prática significativa, aprimorando a precisão de projetos offshore e, consequentemente, promovendo a redução de custos e riscos associados. Em termos de impacto setorial, esse projeto traz benefícios diretos para as indústrias de óleo e gás e potencialmente a outros setores da economia, como a energia eólica offshore e naval”, acrescenta.
Coordenado por Guimarães, da UFSC, o trabalho é coexecutado por Leandro Farina, docente da UFRGS, e conta com a participação de dois alunos de pós-doutorados, sendo um da UFSC e outro da UFRGS. “O software que está sendo desenvolvido representa um avanço importante para a análise multidimensional das variáveis ambientais, como ondas, perfil de ventos e perfil de correntes. Essa abordagem inovadora não apenas amplia o conhecimento científico na área, mas também estabelece novas referências para futuros projetos de engenharia offshore, fortalecendo a capacidade técnica do setor”, define o professor Pedro Guimarães.
Fonte: Notícias UFSC e Fapeu
