Os dados de 2025 mostram que 1 mil mulheres concluíram o mestrado ou doutorado ao longo do ano
As mulheres são maioria entre matriculadas, ingressantes e concluintes nos programas de pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Os dados de 2025, divulgados neste Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, mostram que 1 mil mulheres concluíram o mestrado ou doutorado ao longo do ano, em comparação a 814 homens.
O maior volume de concluintes mulheres da pós-graduação na UFSC, atualmente, está concentrado no Centro de Ciências da Saúde (CCS), com 164. O Centro Tecnológico (CTC) também se destaca, com 160. Nesta área, entretanto, o número de homens concluintes ainda é muito maior: foram 227.
Futuras cientistas
O dado ilustra um desafio: incluir meninas e mulheres na área das engenharias e tecnologias ainda é um processo difícil. No mês de janeiro, Amanara Potykytã de Sousa Dias Vieira, professora da UFSC em Joinville, viveu com outras colegas a experiência de orientar uma jovem estudante de ensino médio da rede pública no projeto Futuras Cientistas, programa que estimula o contato de alunas e professoras da rede pública de ensino com as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
Elas formaram uma equipe para construir uma estação meteorológica com recursos de Internet das Coisas. A equipe foi formada por ela, Gabriella Arévalo Marques, Camille Andreski Pan, Franciele Maria Vanelli e Simone Malluta.
O desafio já começou no processo de engajamento do público-alvo, já que havia mais vagas, mas somente uma estudante participou do início ao fim do projeto. Apesar da equipe reduzida, o desempenho foi promissor e positivo para todas.
“As estatísticas do Futuras Cientistas mostram que cerca de 70% das alunas que participam desse programa são aprovadas no vestibular e mais aproximadamente 80% delas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática”, conta a professora.
Amanara vive os desafios de ser uma mulher na ciência desde quando decidiu seguir carreira na Engenharia. Segundo ela, no entanto, na área em que atua, a Engenharia Civil de Infraestrutura, é mais comum que mulheres compartilhem do espaço. “Não existe motivo para termos profissões ditas masculinas e profissões ditas femininas, sendo que o mais importante é a capacidade intelectual e a gente sabe que não existe diferença nenhuma nesse ponto”.
No campus Joinville, na pós-graduação, apenas sete mulheres concluíram a pós-graduação em 2025 em comparação aos 15 homens que encerraram o mestrado e o doutorado no mesmo período. “Eu diria para as meninas das novas gerações realmente não se amedrontarem, nem ficarem paralisadas pelo medo. Nós temos toda a capacidade de chegar onde os outros estão chegando”, comenta.

A jovem estudante do ensino médio Marina Deschamps de Borba viveu seus primeiros momentos de cientista no projeto liderado pela professora Amanara. A aluna conheceu o mundo da pesquisa e, agora, pretende investir nisso. Hoje, seu desejo é fazer graduação em Física.
“Uma coisa que me ajudou muito foi realmente estar entendendo o que estava acontecendo. A experiência de estar na universidade é algo mágico, é incrível. É uma realidade completamente diferente”, conta. As experiências vividas em laboratório também fizeram diferença no processo. “Me abriu os olhos principalmente para a pesquisa, que é algo que eu não dava muita importância um tempo atrás”, comenta.
Mais dados
A UFSC tem, atualmente 393 estudantes mulheres na iniciação científica, com 387 orientadoras. Há, ainda, 38 jovens na iniciação científica no ensino médio como bolsistas do programa PIBIC.
Dados da Pró-Reitoria de Pesquisa da UFSC também destacam uma mudança no perfil de liderança de projetos de pesquisa ao longo do tempo entre mulheres cientistas. De 35 projetos financiados e liderados por mulheres, em 2022, o número saltou para 66 neste início de 2026. Destes, sete envolvem mais de R$ 1 milhão em investimentos.
Amanara reconhece que, em alguns momentos, a carreira tende a ser hostil com as mulheres, especialmente em territórios dominados por homens, mas confia que projetos como o Futuras Cientistas e um novo padrão de realidade nas instituições tende a contribuir com um cenário mais otimista.
Fonte: Notícias UFSC
