*Por Rosete Pescador
Escrevo este texto exercendo algo que considero essencial na vida universitária: a liberdade de dizer o que penso, com responsabilidade institucional e compromisso com a verdade que vivenciamos no cotidiano da universidade. A universidade pública se sustenta precisamente sobre essa liberdade. A liberdade de refletir, de discordar, de construir coletivamente e também de se posicionar quando a experiência e a consciência institucional assim o exigem. É nesse espírito que escrevo.
Ao longo dos últimos anos tive a oportunidade de ocupar diferentes funções de gestão na UFSC. Primeiro na direção do Centro de Ciências Agrárias (CCA) e, mais recentemente, há cerca de um ano e meio, na gestão da pós-graduação, atuando na direção da PROPG e atualmente como superintendente da Pró-Reitoria de Pós-Graduação. Essas experiências me permitiram acompanhar de perto a complexidade das decisões institucionais, os desafios permanentes da condução de uma universidade pública e também os limites que muitas vezes se impõem a quem assume responsabilidades de gestão. É a partir dessa vivência concreta, e não de impressões superficiais, que afirmo com serenidade e convicção: Eu apoio o Prof. Irineu.
Minha posição não nasce de circunstâncias momentâneas. Ela resulta de uma trajetória que me permitiu observar a universidade a partir de diferentes perspectivas institucionais. Durante o período em que estive à frente da direção do CCA, vivi intensamente os desafios de administrar um centro acadêmico complexo, com múltiplas demandas acadêmicas, administrativas e humanas. Em vários momentos, essa experiência também evidenciou os limites institucionais que, por vezes, restringem a autonomia necessária para avançar em determinadas ações ou implementar mudanças importantes.
Mais recentemente, ao integrar a gestão da pós-graduação da UFSC, passei a compreender ainda mais profundamente o funcionamento da administração central e a dimensão real das decisões que precisam ser tomadas diariamente. Essa experiência ampliou minha percepção sobre o tamanho, a diversidade e a responsabilidade institucional que envolve conduzir uma universidade pública da magnitude da UFSC.
Hoje, a UFSC reúne mais de 40 mil estudantes, cerca de 2.600 docentes e aproximadamente 3 mil servidores técnico-administrativos. Oferecemos cerca de 110 cursos de graduação e 90 programas de pós-graduação, distribuídos também em campi fora da sede, ampliando a presença da universidade em diferentes regiões do estado. A instituição abriga ainda 827 grupos de pesquisa, mantém aproximadamente 4 mil projetos de pesquisa em andamento e possui cerca de 400 convênios internacionais, evidenciando sua forte inserção científica e acadêmica no cenário nacional e internacional.
Esse conjunto de atividades sustenta não apenas o ensino e a pesquisa, mas também a extensão e a inovação, dimensões cada vez mais essenciais para o papel contemporâneo da universidade pública. A UFSC tem contribuído de forma significativa para a geração de conhecimento, o desenvolvimento científico e tecnológico e a promoção da inovação, dialogando com a sociedade, com o setor produtivo e com instituições nacionais e internacionais.
Esses números não expressam apenas a dimensão da universidade; revelam sobretudo a complexidade de sua gestão. Cada decisão institucional precisa considerar múltiplas áreas do conhecimento, realidades territoriais distintas, demandas acadêmicas e administrativas diversas e, acima de tudo, a responsabilidade permanente com o objetivo maior da universidade: a formação qualificada de estudantes de graduação e de pós-graduação, a produção de conhecimento relevante e a contribuição efetiva para o desenvolvimento da sociedade.
Gerir uma instituição com essas características exige equilíbrio, visão institucional, capacidade de diálogo e profundo compromisso com o interesse coletivo. Não se trata apenas de administrar estruturas ou responder a demandas imediatas, mas de conduzir projetos acadêmicos, fortalecer políticas institucionais e assegurar condições para que ensino, pesquisa, extensão e inovação continuem sendo desenvolvidos com qualidade, responsabilidade pública e compromisso social.
É nesse contexto que considero importante reconhecer as características do Prof. Irineu. Ao longo de sua trajetória, ele tem demonstrado serenidade diante de cenários complexos, capacidade de diálogo e disposição para ouvir os diferentes setores da universidade. Essas qualidades são particularmente valiosas em uma instituição tão plural quanto a nossa, na qual a construção de caminhos institucionais exige escuta, respeito às diferenças e capacidade de articulação.
A gestão universitária exige firmeza nas decisões, mas também sensibilidade para compreender a pluralidade de vozes que compõem a universidade. Exige compromisso com o projeto institucional da universidade pública, respeito às divergências legítimas e capacidade de construir soluções coletivas diante de desafios muitas vezes complexos.
Por isso considero importante exercer uma liberdade que também constitui a essência da vida universitária: a liberdade de manifestar apoio de forma transparente, consciente e responsável. Não se trata de buscar unanimidade, algo que nunca caracterizou o ambiente universitário, mas de expressar, com base na experiência, na convivência institucional e na responsabilidade acadêmica, uma posição construída ao longo do tempo.
A universidade se fortalece quando seus membros podem se posicionar com respeito, responsabilidade e compromisso com o bem comum. É nesse espírito que afirmo, de forma clara e serena: eu apoio o Prof. Irineu, porque acredito que sua atuação contribui para conduzir a UFSC com equilíbrio, diálogo e responsabilidade diante da complexidade que caracteriza nossa instituição e dos desafios que ainda temos pela frente.
*Rosete Pescador é professora do Departamento de Fitotecnia (CCA/UFSC) e superintendente da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da UFSC
Artigo recebido às 05h07 do dia 11 de março de 2026 e publicado às 9h54 do dia 12 de março de 2026
