*Por Nildo Ouriques
“Costumamos atribuir as crises à falta de condições, de tranquilidade, de saúde, etc.
Geralmente é apenas falta de coragem”
Guido Wilmar Sassi
Estou surpreso com a resposta de Fábio Lopes ao artigo de Elaine Tavares. Ele descobriu subitamente a existência de um ambiente de “medo e intimidação” entre nós e, pasmem, afirma que tal clima beneficia a candidatura de Irineu. Mas isso não é tudo: a habilidade literária de Fábio sugere entrelinhas que o atual reitor – candidato à reeleição – é em larga medida o principal responsável pelo clima político hostil e os limites intelectuais dominantes entre nós.
No seu longo texto, indica ligeiramente que não somos uma ilha e, em consequência, sugere causas mundiais que afetam o clima universitário – a “crise mundial da democracia”, a pandemia e a voracidade das redes digitais – mas, no essencial, todos nossos males nascem mesmo do terreno fértil da Trindade e Pantanal. E, obviamente, da gestão atual mas, sobretudo, da personalidade do Irineu, segundo Fábio, uma perversa “combinação de enorme ambição pessoal com um vazio de ideias e projetos” responsável, finalmente, pelo “vácuo intelectual e político” permissivo a todo tipo de aventuras.
A revelação que seu texto pretende anunciar não é modesta: o suposto clima de “medo e intimidação” que ele agora descobriu não somente renderia frutos à candidatura do atual reitor, mas, inclusive, o protegeria de eventuais críticas, um privilégio de que nenhum outro ocupante daquele gabinete pode desfrutar. Nosso reitor seria nada menos do que um homem sem virtudes. Qualquer virtude!
Tal como meu amigo Fábio Lopes e minha estimada amiga Elaine Tavares, também eu entrei na UFSC há mais de três décadas e, talvez, mais do que eles, estou implicado diretamente nessa trama desde meus primeiros anos na instituição. Portanto, não reconheço valor algum na conveniente descoberta de Fábio Lopes, pois, precisamente ele, há poucos anos, alertou todos nós sobre a importância da luta pela liberdade.
No primeiro volume da Crítica à razão acadêmica, publicado em 2011 pela Editora Insular – coleção organizada por Rampinelli e por mim – Fábio registrou com precisão não somente a indiferença da maioria dos professores pela luta e preservação da liberdade que de fato temos, mas, sobretudo, denunciava uma incrível disposição para sacrificá-la sem cerimônias sob argumentos realmente vulgares! À época, não existia Irineu reitor, mas o ambiente era exatamente igual!
Eu gostei muito daquele texto e creio que, tanto antes como agora, todos nós desfrutamos de considerável raio de liberdade, mas, estranhamente, a maioria parece recusá-la em nome de temores reais ou imaginários. Eu não tenho dúvidas a respeito, mais imaginários e fantasmagóricos do que reais!
É verdade que no ano daquela publicação, o fantasma do “neofascismo” (seja lá o que isso represente) e outros medos imaginários que atualmente assustam Fábio Lopes ainda não estavam disponíveis no balcão das justificativas cínicas e bem-comportadas agora vigentes, ambas destinadas à esterilização do ambiente político e intelectual e ao elogio da prostração. É também verdade que ele expõe suas posições publicamente seguindo o velho mandamento de Guido Wilmar Sassi que recordei na abertura dessa resposta e era epígrafe de seu belo texto.
Mas algo mudou: Fábio assumiu um liberalismo conservador que constituiu uma ruptura radical com seu passado recente a ponto de supor que estamos diante de um abismo e que, nessas circunstâncias, a “destruição de proteções institucionais” são corroídas pelo tumulto eventual em uma reunião do Conselho Universitário! Impossível não recordar o alerta de um ex-presidente que caracterizou o ambiente universitário como uma “balbúrdia”.
A julgar por seu texto, um “dedo em riste diante da cara” se assemelha a uma ameaça tão violenta que colocaria em risco a vida e a integridade física de um de seus conselheiros! Exagero? Não! Delírio!
Com habilidade, Fábio pretende igualar críticas – sempre bem-vindas! – com ofensas e ataques pessoais. A propósito, nem mesmo minha suposta “metralhadora giratória” que ele recorda não sem intenção estigmatizante e eleitoral, jamais utilizou ofensas e ataques pessoais contra Rodolfo Pinto da Luz, Lucio Botelho ou Álvaro Prata, contra os quais disputei três vezes a reitoria; não, pelo menos, na cena pública ou no Boletim de nosso sindicato.
Ora, colocar Rodolfo “contra a parede” no trágico episódio da pós em Engenharia de Produção (Fábio omite que o pró-reitor responsável era Prata!) é muito diferente de indicar que o ex-reitor era um deserto de ideias e que produzia um “vácuo intelectual e político” onde prosperam todos os males e violências!
Naquele “episódio”, não havia nenhuma calúnia, pois nossas críticas estavam apoiadas em um nutrido e exaustivo parecer da Procuradoria da Capes, indicando que aquela prática colocou em risco o sistema nacional de pós-graduação!
Na mesma desmedida, afirmar que Paraná ocultou a condição de DE e denunciar a Operação Navalha na compra de votos estudantis, que finalmente o derrotou e permitiu a eleição de Roselane, é qualitativamente diferente de acusar o reitor com inusitada insistência no Boletim da Apufsc de completa falta de atributos para ocupar o cargo.
A propósito, recordo outro episódio no qual denunciei num debate entre candidatos e a queima roupa (Álvaro Prata) que a despeito de jamais abrir uma página de qualquer texto de Kant (O conflito das faculdades) assinou um artigo simulando um conhecimento que jamais teve. Não era calúnia, agressão ou mentira e nem mesmo uma sentença condenatória contra um professor que no espaço público teve direito a resposta; entretanto, minha acusação de completa impostura intelectual ficou sem resposta até hoje.
De minha parte conheci todos os reitores da UFSC desde 1980 – de Stemmer a Cao Cancellier – e posso afirmar categoricamente que nenhum deles era leitor sistemático de Shakespeare ou Guimarães Rosa. Com justiça, recordo que apenas com Cao Cancelier discuti a obra de Lukács e literatura, e com a maioria deles, a despeito de manter cordiais relações, jamais encontrei disposição para qualquer horizonte intelectual mais exigente. A bem da verdade, os atributos intelectuais da cultura ampla nunca foram objeto de exigência eleitoral e, sejamos honestos, nenhum reitor passaria no teste que Fábio Lopes pretende submeter Irineu.
Nesse contexto, a tentativa de apresentá-lo como um professor sem virtudes não somente é falsa, mas constitui uma operação eleitoral sórdida! Não representa a busca da verdade, mas falsificação grotesca de nossa breve história. É, na prática, mero apetite eleitoral, sem qualquer conexão com a verdade dos fatos e mínimo contato com a realidade. E sem programa de futuro para a universidade!
Há, de fato, uma estratégia eleitoral em curso na qual Fábio Lopes se inscreve e cujo objetivo é eleger a candidatura conservadora de Amir no embalo da desqualificação pessoal de Irineu, como se alguns de nossos males – alguns deles estão e seguirão presentes com qualquer reitor enquanto as universidades não forem consideradas estratégicas para o país – pudessem desaparecer na simples troca de comando.
Para isso, a falsificação impiedosa do passado é recurso utilizado por Fábio Lopes e jamais por Elaine Tavares. Portanto, ao contrário dele, recuso o suposto que estamos limitados pelo medo e a intimidação; antes, ao contrário, há demonstrações eloquentes que os universitários brasileiros e nosso próprio provincianismo está orientado, entre outros males, por considerável dose de covardia intelectual e política. Medo e intimidação jamais, covardia, sim.
É possível aceitar que o clima na universidade brasileira é mesmo de fim de festa. Em constantes visitas a outras universidades brasileiras e latino-americanas verifico com meus próprios olhos a fratura exposta da marginalização social da universidade. O projeto de Darcy Ribeiro – aquele da universidade necessária – cedeu seu generoso futuro para a universidade ociosa que do norte ao sul do Brasil revela até mesmo para os neófitos a relação negativa entre candidatos/vagas em muitos cursos de todas as instituições do sistema federal além da clara diminuição da demanda para cursos destinados aos profissionais liberais com algum prestígio e possibilidade de mobilidade social.
A importância das universidades no mundo, obviamente, não diminuiu, pois tanto na China quanto nos Estados Unidos, as instituições de ensino e pesquisa seguem sendo estratégicas para qualquer projeto nacional, de vocação imperialista ou não. No Brasil pós ditadura, nenhum governo elegeu a universidade como uma instituição de estado a serviço da cultura, da ciência e da tecnologia destinada à superação do subdesenvolvimento e a dependência!
Ora, nas condições atuais não é preciso muito esforço para perceber que um país exportador de milho, soja, minério de ferro, petróleo cru e, pasmem, boi em pé, pode prescindir serenamente das universidades. Agora, nem mesmo o “projeto” da “universidade inclusiva” pode ser defendido tamanha é austeridade interna e a miséria do mercado de trabalho.
No ano passado, o país pagou nada menos que 5 bilhões de dólares em royalties, marcas e patentes. Em consequência, o orçamento está no osso e a expansão molecular atual é degenerativa: a inauguração de um novo IFE ou universidade hoje torna o orçamento ainda mais curto amanhã!
Aos mais sensíveis, ao acusar a covardia como poderoso ingrediente responsável por nossos males, antecipo que não estamos a procura de valentões! A covardia assumiu entre nós feição particular, orientada com respeito a fins, facilmente reconhecíveis ao analista mais atento. No fundamental, a covardia – e jamais o medo – adota uma disciplina intelectual nos marcos da ordem burguesa que fariam corar os liberais estadunidenses que atualmente orientam Fábio Lopes.
No caso brasileiro, uma parte minúscula dos professores universitários lança mão da covardia como meio de garantir suas posições e o acesso a valiosos recursos que podem ser em não poucos casos, milionários. Os editais lançados pelas agências federais constituem poderoso e silencioso meio de disciplina intelectual orientada em alguma medida pela covardia que Fábio Lopes se esforça em ignorar. É simples: ou o professor adota a agenda de pesquisa imposta pelos órgãos de fomento ou seu destino é irremediavelmente a marginalidade orçamentária!
Ademais, não somente o interesse pecuniário alimenta a covardia pois ela também se manifesta pela omissão e a recusa permanente em tratar temas considerados espinhosos na tribuna pública. A cautela interessada orienta cada passo e afasta muita gente boa da discussão pública: restam os corredores assemelhando a universidade a um muro de lamentações aparentemente eterno.
Há professores que evitam sistematicamente a cena pública sob o artificio ideológico da degradação da política embora cultivem um estranho prestígio nos pequenos círculos onde a plebe não frequenta: são os autodenominados “pesquisadores”. Eles cultivam com os mesmo zelo e determinação a omissão e não se importam com o destino da universidade. O seu lema é “salvar meu laboratório mesmo que o mundo acabe”! Em consequência, a trama cotidiana da política e o trato nobre de um enfoque rigoroso sobre o futuro da universidade, tampouco merece respeito.
É nesse contexto que Fábio Lopes assumiu consciente ou não uma perspectiva liberal conservadora dentro e fora da universidade. Agora brada contra o medo, mas erra o alvo: é contra a covardia que deveria direcionar suas baterias porque ela está no comando das ações. O interesse pecuniário dominante em certos círculos e a prática da omissão em outros, não é precisamente uma novidade.
Um sujeito como Thorstein Veblen (The higher learning in America) – longe de ser um esquerdista – observou há mais de um século as consequências nefastas para a liberdade intelectual irremediavelmente condenada porque o businessman estava no comando do ensino superior nos Estados Unidos. A liberdade intelectual seria, segundo Veblen, proscriata e, de fato, mais tarde foi Jacoby Russel, professor da UCLA, quem elucidou a morte do intelectual público em Os últimos intelectuais. O conto é, portanto, antigo demais para ser ignorado.
Na periferia do sistema capitalista, aqui, no lado escuro do azul, a liberdade intelectual é artigo em falta por múltiplas razões e se pretendemos a justiça, Irineu não figura entre os primeiros responsáveis. Longe, bem longe disso! Ocorre que os exageros e injustiças que Fábio Lopes pratica em seus textos tem objetivo claro e limitado: eleger seu candidato, Amir. No terreno da omissão – sem dúvida um potente ombustível da covardia – não são poucos os silêncios que cobrem a candidatura de Amir e Felipa
apoiada por Fábio Lopes. Afinal, Amir não é um daqueles professores que guardaram absoluto silêncio sobre tudo e todos enquanto a UFSC era levada para o “abismo e a catástrofe”? Nada sei sobre a trajetória e atuação de Felipa, mas no caso de Amir, nas poucas vezes que frequentou o CUn entrou mudo e saiu calado sem denunciar a barbárie que segundo Fábio Lopes nos ameaça.
Não é segredo que a candidatura de Amir nasce do espaço aberto pela desistência de Edson de Pieri em disputar novamente a reitoria. É, portanto, urdida no mesmo terreno de ideias e práticas conservadoras longamente consolidadas em nossa universidade. Em consequência, é tão legitima quanto qualquer outra, mas para ser justo, ele deve prestar contas sobre as mesmas questões elementares que Fábio exige com rigor de Irineu. Na prática, os sucessivos e injustos ataques a Irineu pretendem apenas evitar os holofotes sobre Amir.
Vamos tratar do sindicalismo. Fábio Lopes possui especial predileção por atacar os técnicos-administrativos e o Sintufsc. Entretanto, basta olhar para nosso jardim: na Apufsc o passivo é imenso e nosso isolamento nacional é fruto de um provincianismo tão ruim quanto improdutivo. Os novos professores – aqueles que entraram aqui nos últimos 15 anos – não querem comandar a Apufsc ou mesmo participar de uma singela reunião ordinária do Conselho de Representantes. Obviamente, os novos professores não constituem um bando de alienados premidos pelo medo e a intimidação! Na prática, são produto da universidade sem função social estratégica que estimula o individualismo nas formas ideológicas do empreendedorismo e/ou da meritocracia. Ademais, a única alternativa nacional é o Andes/SN – o Proifes não é uma farsa, mas uma traição completa – e ninguém pode ocultar que, de fato, o único sindicato nacional existente não representa um convite sedutor como de resto todo o sindicalismo nacional, com raríssimas exceções.
Contudo, longe da apatia, na última eleição para reitor a diretoria da Apufsc agiu de maneira aberta contra o processo democrático na forma de nossa tradicional consulta paritária. É sabido que a oposição ao Irineu defende a eleição nos termos da lei (70 x 30) em que estudantes e técnicos figuram com a importância de um retrato na parede. A recente aprovação no Congresso Nacional da lei que permite cada universidade eleger a forma da consulta nos marcos legais, reacenderá esse debate entre nós nas próximas eleições. Não tenho dúvida que as forças que se alinham em torno da candidatura de Amir pressionarão o conselho universitário para legalizar a eleição na base do 70 x 30! A vida dirá!
E o Sintufsc? Fábio Lopes ignora fatos elementares. Não é uma novidade a presença de técnicos-administrativos no primeiro escalão e considero que algumas funções devem ser mesmo ocupadas pelo corpo técnico da UFSC. Contudo, em nossa breve história, não se deve atribuir à gestão de Irineu uma excepcionalidade, afinal qualquer um com apreço à memória não esquece que os funcionários defenestrados na gestão Diomário voltaram com força na administração Prata e, sob outras circunstâncias e razões, praticavam uma servidão voluntária nada nobre. Acaso, em todas as gestões de Rodolfo Pinto da Luz, os técnicos não tinham proeminência que Fábio quer considerar inédita com Irineu?
Ademais, há outra mudança qualitativa importante no corpo técnico: é crescente o número deles que exibem o título de mestre e doutor, uma diferença radical com outros tempos. O sindicalismo é também exercido por eles e se caracteriza pela luta incessante contra os baixos salários.
Há poucos dias a Fasubra convocou uma nova greve alegando que o governo não cumpriu o acordo fechado na greve anterior. Ora, os salários dos técnicos são tão baixos nas universidades que, para os novatos, a aprovação no concurso público não introduz ninguém na carreira, mas tão somente no primeiro emprego. Na menor oportunidade, técnicos talentosos vazam em busca de melhores salários, pois grande parte deles possuem mestrados e doutorados conquistados a duras penas em nossos programas de pós-graduação. Entretanto, permanece conosco gente muito valiosa com imenso compromisso com a instituição. Eles fazem escolhas sob circunstâncias concretas, exatamente como nós professores! Por que razão a escolha deles – inclusive as eleitorais – seria menos legítima e nobre em relação às nossas? Acaso as CDs ocupadas por eles seriam mais nocivas que aquelas destinadas aos professores?
Fábio ataca o DCE alegando que o mandato da atual diretoria venceu na pretensão de tirar legitimidade da entidade na comissão que organiza a consulta paritária. Ora, o DCE possui também um conselho de representantes – tal como nossa Apufsc – que se manifesta com regularidade sobre os temas e ambos padecem de limitações que ninguém pode ocultar. Entretanto, a régua que mede a legitimidade da entidade estudantil também deve medir cada decisão da Apufsc! Não é o que Fábio faz.
A vida do professor na UFSC – ao contrário do que diz Fábio Lopes – não é um imenso Gulag e está longe de ser o templo do niilismo, da depressão, do desânimo e do desespero. Há e haverá sempre, sob qualquer circunstância, imenso espaço para fazer algo aqui e agora no terreno da política. Eu poderia descrever as inúmeras virtudes do atual reitor, mas tampouco posso ocultar que os anteriores também tinham algo a oferecer, mesmo quando estavam longe – bem longe! – de minhas exigências e simpatias políticas e intelectuais.
O processo eleitoral será breve e creio que não será útil para o futuro da UFSC a degradação do debate público nessa eleição. A crítica ácida, quando leal, sustentada nos fatos, será sempre bem-vinda. Ela pode fortalecer nossa convivência, ajuda na busca de uma coesão interna que nos falta e contribui poderosamente para a universidade brasileira sair da situação difícil em que se encontra, caso um presidente da república decida finalmente que as universidades devem estar no centro do esforço pela soberania plena, da superação da dependência científica e tecnológica e do reconhecimento da fecunda cultura nacional tão desprezada pelos modismos acadêmicos e a indústria cultural metropolitana. Ao contrário, o processo eleitoral em curso pode descambar para o caminho fácil e demagógico das agressões pessoais sem fundamento que alimentam indefinidamente uma guerra interna sem futuro para todos nós.
*Nildo Ouriques é professor titular do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Artigo enviado às 8h9 do dia 13 de março de 2026 e publicado às 11h31 do mesmo dia
