*Por Fábio Lopes
A crise no HU fechou a tampa do caixão: já não há como ignorar que a Administração Central da UFSC sucumbiu completamente à demagogia, à incompetência e à irresponsabilidade. Vamos aos fatos.
Há quase um ano, a Ebserh vinha alertando a Universidade para o fim do contrato atual e a consequente necessidade de um novo contrato de gestão hospitalar. O reitor, por seu lado, fingia-se de morto.
Só no penúltimo dia útil de vigência do contrato corrente, ele resolveu sair da letargia, enviando à Ebserh a minuta de um termo aditivo em que propunha a prorrogação da parceria em curso por um ano. Sua assinatura foi aposta ao documento às 18h27min da quinta-feira passada.
Do ponto de vista estritamente jurídico, o certo seria a Ebserh dar de ombros para o reitor. E dizem meus informantes no MEC que não faltou gente com vontade de mandá-lo às favas ou a lugares ainda menos amigáveis. Irineu é hoje odiado no Ministério. O mínimo que dele se diz por lá é que é um incompetente desleal.
A questão é que os dirigentes da Ebserh, estes sim, preocupam-se com as consequências de seus atos. A empresa colocou rios de dinheiro em equipamentos e investimentos no HU. De resto, mantém centenas de colaboradores na instituição e está sinceramente preocupada com as pessoas atendidas. Não havia como jogar tudo isso fora só para punir a negligência do reitor.
Assim é que a Ebserh aceitou prorrogar o contrato não por um ano, mas por quatro meses. O reitor decerto vai comemorar o fato como uma vitória. Venderá a ilusão de que nos próximos 120 dias fará uma grande discussão sobre o futuro do HU e blablablá blablablá blablablá.
Quem, no entanto, é trouxa a ponto de acreditar que o que não foi feito em quatro anos será realizado em quatro meses? Ele, ademais, sabe que, no fim do dia, a Universidade será obrigada a assinar o contrato com a Ebserh nos exatos termos empurrados momentaneamente com a barriga por sua inação. Foi esse o acordo celebrado com a empresa a portas fechadas a fim de que o HU não suspendesse os serviços.
Seja como for, o nosso reitor não precisa de muito para ser feliz e já tem o que queria: a fábula de que está lutando pelos servidores do HU.
Na verdade, sua conduta revela flagrante desapreço pela população que precisa do HU, pelos colaboradores da Ebserh e pela imagem da UFSC diante da sociedade catarinense e do MEC. Ouso dizer que os servidores do hospital logo descobrirão que entraram nessa história na condição de mera massa de manobra.
A única coisa que parece realmente importar ao reitor é vencer a eleição. Resta saber se há na UFSC gente disposta a viver no fio da navalha por mais quatro longos anos, torcendo para que, aos 45 minutos do segundo tempo, algum deus ex machina — o governo, o TRE, a Ebserh ou Deus mesmo – nos salve da incúria e da gestão temerária de que a UFSC hoje tem a patente.
*Fábio Lopes é professor do CCE/UFSC
Artigo recebido às 2h41 do dia 17 de março de 2026 e publicado às 11h26 do mesmo dia
