O Clube dos Cafajestes: Resposta ao Gabinete do Ódio

*Por Fábio Lopes

Os leitores são testemunhas do quanto eu tenho tentado animar o debate sobre a UFSC. Quase semanalmente, publico textos em que procuro analisar as causas de nossa crise. 

Nem todas as nossas dificuldades decorrem de fatores externos e distantes de nós. Há aspectos locais da crise, assim como há gestores e outros agentes públicos de nossa universidade que devem ser diretamente responsabilizados pelo caos em que estamos metidos. Quando acho que é o caso, chamo-os pelo nome, até para que eles possam se defender. Detesto referências indiretas, insinuações ou fórmulas que, sob o disfarce de polidez, visam apenas não dar à pessoa criticada o devido direito de resposta, a não ser que ela vista a proverbial carapuça.

Entre meus adversários, raríssimos são os que aceitam as regras elementares do debate público e se entregam ao confronto intelectualmente honesto de ideias. Ultimamente, por causa das eleições para reitor, até que apareceram uns gatos pingados para me confrontar abertamente. Todos, não por coincidência, ocupam cargos de confiança e recebem por isso gordas gratificações. Desconfio de que a súbita disposição para me replicar tenha mais a ver com finanças domésticas do que com interesse autêntico em discutir os pontos que defendo.

Regra geral, meus detratores preferem mesmo o mundo das sombras, a fofoca de corredor, o diz-que-me-diz. No último fim de semana, a falta de escrúpulos dessa gente ultrapassou todos os limites: eles fizeram circular um vídeo apócrifo com o objetivo de me difamar. Até a pró-reitora da Prodegesp compartilhou a publicação. O seu conceito de gestão de pessoas, pelo jeito, não me inclui, já que ela se incomda de se acumpliciar a um crime para me atingir. Pode ficar tranquila, minha cara: não vou processá-la. Não sou como o candidato a vice na chapa oficial, que, não tendo como me replicar, acaba de entrar na Justiça contra mim. Não me faltam argumentos e documentos para lutar o bom combate sozinho, de cara limpa e peito aberto.

A beleza de ser um intelectual público é que, em horas como esta, quando cafajestes encapuzados da pior espécie tentam me intimidar, posso exibir fartas provas públicas de que o material que exibem é puro lixo. 

O encontro a que aludem foi uma apresentação da advogada da família Ferreira Lima sobre a questão da mudança de nome do campus. Na época, eu dirigia o CCE e usei o grupo de Whatsapp de diretores de centro para avisar que iria ao encontro. De resto, convidei os colegas a fazer o mesmo. A mensagem que enviei, cujo original está à disposição de quem queira vê-la, foi a seguinte: “Para falar a verdade, estou cada vez menos esclarecido sobre o mérito do processo [de mudança do nome do campus]. Estava convencido de que o Prof. David Ferreira Lima era culpado, mas fiquei balançado com os artigos do Prof. Armando [Lisboa] e uma manifestação que recebi do Prof. Diomário, nosso melhor ex-reitor. O contraditório da advogada [da família Ferreira Lima] é tão cerceado que começo a desconfiar de que há mais coisas entre o Céu e a Terra do que sonha a nossa vã historiografia. Hoje o grupo de apoio à família Ferreira Lima faz um evento em que a advogada apresentará sua tese. Vou lá. Acho que todos deveríamos fazer o mesmo.”

Vê-se, pois, que o grande escândalo denunciado pelo Gabinete do Ódio da campanha do reitor é um segredo de Polichinelo. Eu anunciei publicamente o que faria e dei as razões por que o faria. 

Já estou nesta vida há tempo suficiente para saber como nascem os bebês. Não se engravida pelos ouvidos nem pela boca. Conversar com as pessoas, encontrá-las, não contamina ninguém com doenças infecciosas. E creio firmemente que, no caso em tela, agi em harmonia com o espírito democrático. Orgulho-me muito de ter ido lá para ouvir uma pessoa que, àquela altura, a instituição preferia silenciar ou reprimir por meio de vaias e interrupções. 

Naqueles dias, o Clube dos Cafajestes estava com toda a corda, tocando o terror nos espaços institucionais. E a tirar pelo vídeo que publicaram sobre mim, eles continuam achando que dão as cartas, sem perceber que o tempo da intimidação e da podridão moral na universidade está no fim. 

A UFSC por vezes demora a dar o troco, mas essa hora acaba chegando, cedo ou tarde. Aos que passaram os últimos quatro anos espetando o dedo na cara dos outros, fica o alerta. O primeiro turno das eleições mostrou a vontade de mudança está presente na ampla maioria das pessoas na UFSC O pleito da semana passada criou o que até agora parecia impensável: uma porta de saída para quem se sentia ameaçado. Uma generosa janela finalmente foi aberta para arejar  o clima sufocante imposto a nós por um fascismo de esquerda (sim, há um fascismo de esquerda impiedoso até com a própria esquerda democrática). Estou absolutamente convencido de que os que ainda não haviam tido coragem de mostrar o que realmente pensam e querem farão isso no segundo turno. Escrevam aí: muitos eleitores que, por medo ou desalento, votaram na chapa oficial no primeiro turno vão deixá-la falando sozinha na votação vindoura. 

A onda já se ergueu no mar, como na canção de Jobim. Ela tem a cor da esperança. E quando ela chegar até nós e lavar nossas almas, vai levar para bem longe os canalhas e covardes capazes de produzir e divulgar vídeos apócrifos como essa peça infame e ridícula com que tentam manchar minha reputação.

Quem deve explicações à UFSC não sou eu, que, aliás, não passo de um zé ninguém. A pessoa que, em neu lugar, tem que dizer a que veio e o que faz entre as coisas é o companheiro de chapa de Irineu. Ainda no último fim de semana, soube que o próprio Bruno Souza publicou uma foto em que o novo partner do reitor é flagrado em evento na casa do ex-deputado, olhando com indisfarçàvel admiração para o anfitrião. Ele parecia bem à vontade. E até agora, s.m.j., não esclareceu por que nada contou sobre esses encontros furtivos a seus novos amigos, assim como não disse nada que fizesse sentido acerca de ter trocado tão rapidamente de lado político.

Muita gente sabe que haveria outras fotos comprometedoras, além dessa chez Bruno Souza. Fotos como a do evento organizado pelo vice de Irineu no Dia Internacional da Mulher. Na época, ele achou por bem convidar para falar a vereadora Manu Vieira, que era do Novo e agoral é do PL. O registro, com direito a sorrisos e abraços calorosos, estava até bem pouco tempo no Instagram do CCS, mas foi apagado recentemente. 

Está virando moda limpar o passado a golpes de vassoura. Esse mesmo colegou apagou do Google suas fotos em trajes maçônicos, que antes exibia alegremente. Apagou também um vídeo em que, com o diretor do CCS do qual é vice, criticava os TAEs durante a greve. 

Não nos esqueçamos de que a moda de apagar o passado recente pegou até na Comeleufsc. A postagem da Comissão sobre a posição das candidaturas a respeito dos problemas na votação estudantil em Blumenau simplesmente sumiu das redes. Pudera: estava lá escrito que a chapa oficial havia defendido descartar a urna estudantil. Ato contínuo, o reitor e seu vice apareceram em um vídeo em que, tratando-nos como um bando de desmemoriados, dizem que sempre foram a favor da repetição da votação dos discentes daquele campus.

Os bandidos que se escondem sob vídeos apócrifos farão silêncio sobre tudo isso, claro.

*Fábio Lopes é professor do CCE/UFSC

Artigo recebido às 10h44 do dia 6 de abril de 2026 e publicado às 11h32 do mesmo dia