Fake News da Desunião

*Por Raphael Falcão da Hora

O processo eleitoral para a Reitoria da UFSC deveria ser um espaço de debate sério, responsável e centrado nos reais problemas da universidade. No entanto, o que se observa em parte da campanha é um desvio preocupante desse objetivo.

Materiais recentes da Chapa 52 – UFSC Unida, liderada pelo atual reitor, Prof. Irineu Manoel de Souza, insistem em associar a Chapa 41 – Mudar para Transformar a rótulos políticos e a supostas posições que não correspondem ao que foi publicamente apresentado por seus candidatos. Esse tipo de estratégia não contribui com o debate, ao contrário, o empobrece e o distorce. Em uma universidade pública, plural por definição, é inaceitável a propagação de notícias falsas e que supostas diferenças de visão sejam tratadas como instrumento de desqualificação.

Quando uma campanha recorre a simplificações, informações falsas e enquadramentos questionáveis, deixa de lado aquilo que realmente deveria estar em discussão: propostas, resultados e compromissos com a universidade. Isso não é apenas uma escolha retórica, é um sinal claro de enfraquecimento do debate acadêmico.

Mais preocupante ainda é que essa postura parta de quem atualmente ocupa o cargo de reitor e busca sua continuidade. A responsabilidade institucional desse lugar exige elevação no nível do diálogo, não sua redução.

A UFSC enfrenta desafios concretos e urgentes: permanência estudantil, evasão, infraestrutura, condições de trabalho e valorização da comunidade acadêmica. São esses os assuntos que deveriam estar no centro da discussão. A propagação de notícias falsas e o deslocamento do debate para disputas de rotulação política não apenas desviam o foco, como desrespeitam a maturidade da comunidade universitária.

No próximo 15 de abril, estou seguro de que comunidade da UFSC saberá distinguir entre um debate baseado em propostas e outro sustentado por narrativas falsas e simplificadas. Mais do que uma escolha entre chapas, este é um momento de afirmar qual padrão de debate institucional consideramos aceitável para a universidade.

*Raphael da Hora é professor do Departamento de Matemática (CFM/UFSC)

Artigo recebido às 22h32 do dia 9 de abril de 2026 e publicado às 8h03 do dia 10 de abril de 2026