José Ronaldo da Silva Ferreira, representante do conselho de moradores da Moradia Estudantil, lamentou os anos de descaso da Administração Central da UFSC com o espaço
Uma cerimônia nesta segunda-feira, dia 1°, às 14h, na Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), marcou a assinatura da ordem de serviço para a reforça da Moradia Estudantil. O evento contou com a presença do assessor parlamentar do gabinete do ministro da Educação, Leonardo Cunha de Brito, e do diretor de Desenvolvimento da Educação em Saúde da Secretaria de Educação Superior (Sesu/MEC), Aristóteles Homero dos Santos Cardona Júnior, além de outras autoridades e representantes dos estudantes e moradores da casa.
O ato foi marcado por falas que delimitaram a importância da luta de estudantes para que a reforma fosse viabilizada. José Ronaldo da Silva Ferreira, representante do conselho de moradores da Moradia Estudantil, lamentou os anos de descaso da Administração Central da UFSC com o espaço, especial da Pró-Reitoria de Permanência e Assuntos Estudantis (Prae).

Entre as reivindicações pendentes, está a de criação de uma comissão, formada também por moradores, para acompanhar a obra, e a de água quente nos chuveiros. “Em abril, tendo em vista a proximidade do inverno, fizemos novamente esse pedido, e até agora não foi resolvido”, lamentou José Ronaldo.
“Não foi a Pró-Reitoria que conseguiu essa verba, foi o DCE em parceria com os moradores”, destacou o representante. Ele apontou ainda a falta de transparência sobre o projeto: “O que vai entrar nessa reforma? Os moradores não sabem. Nem nosso administrador é chamado para as discussões”. José finalizou com uma solicitação: “Gostaríamos de, a partir de hpje, ser ouvidos sobre aquele espaço. Um espaço que tem pessoas”.
Isadora Miranda, representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE), seguiu a mesma linha: “O movimento estudantil traz grandes vitórias para a universidade. Nós ouvíamos que essa obra era praticamente impossível”.
Os representantes do MEC destacaram que a moradia é uma importante política de permanência estudantil e que a pressão dos estudantes da UFSC, aliada à sensibilidade do governo federal, fez com que a verba para a reforma fosse liberada.
Sobre a obra

(Foto: Stefani Ceolla/Apufsc)
Em março deste ano, foi aberta a licitação para a contratação de empresa para a execução da obra, e no dia 10 de abril o contrato foi assinado. A empresa contratada foi a Ghimm Tec, de Tijucas, pelo valor de R$ 1.345.545,96. O prazo da obra vai de 10 de abril de 2026 até 5 de junho de 2027. Segundo o reitor Irineu Manoel de Souza, a obra teve início na semana passada.
As obras incluem a reforma do sistema de aquecimento de água da ala antiga e da ala nova, com a substituição integral das antigas placas de aquecimento solar por bombas de calor; a reestruturação do sistema de esgotamento sanitário externo, com novo traçado da rede na área externa dos blocos para corrigir problemas estruturais e eliminar vazamentos; a revitalização e pintura interna e externa das edificações das alas antiga e nova e do módulo 3, além da pintura externa da moradia; e a substituição parcial de esquadrias e portas danificadas.
Atuação do movimento estudantil
A reforma da Moradia Estudantil é uma reivindicação antiga de estudantes. Em visita à UFSC em dezembro do ano passado, o então ministro da Educação, Camilo Santana, foi confrontado por alunos e recebeu o pedido. Segundo os estudantes, a situação do local “está ferindo direitos humanos”. Eles citaram como problemas a falta de água quente para banho e vazamento de esgoto no terreno. Além disso, afirmaram que a estrutura não é suficiente para atender as necessidades de estudantes da UFSC.
“Nós não temos banheiros para tomar banho quente, temos esgoto sendo jogado a cinco metros de uma nascente. É um crime ambiental”. Os representantes do DCE convidaram Santana a conhecer a moradia. A visita ocorreu no fim daquela tarde.
Em fevereiro deste ano, representantes do DCE e da Moradia estiveram em Brasília, em reunião no MEC, para cobrar a execução da obra. Depois disso, as tratativas para a captação de recursos junto ao governo federal para a obra avançaram.

Sobre a Moradia Estudantil
A Moradia Estudantil, também conhecida como Casa do Estudante Universitário (CEU), tem por finalidade acolher estudantes de graduação do campus de Florianópolis, vindos de municípios fora da Grande Florianópolis e com renda per capita de até um salário mínimo.
A capacidade é de 156 vagas, totalmente gratuitas. Não há nenhuma cobrança de água, energia elétrica, gás de cozinha ou qualquer outro insumo. A administração é realizada pelo Departamento de Gestão da Moradia e acompanhada pelo Conselho de Moradia, uma comissão composta por servidores e moradores.

Nas áreas privadas há quartos, cozinhas e banheiros. Os ambientes são compartilhados da seguinte forma: quartos para duas pessoas, cozinhas para quatro pessoas e banheiros para duas ou quatro pessoas, a depender do bloco. Nas áreas comuns há sala de estudos, sala de convivência, sala de leitura e lavanderia.
A limpeza dos ambientes comuns é realizada pela universidade. Já nos quartos, cozinhas e banheiros, a limpeza é de responsabilidade das pessoas moradoras.
A universidade oferece cama, colchão, armários, escrivaninha e cadeiras nos quartos, e armários, fogão, geladeira, microondas, mesa e cadeiras nas cozinhas. Na lavanderia há tanques e máquinas de lavar roupas e, na sala de estudos, computadores.
Stefani Ceolla
Imprensa Apufsc
