Juliana Dal Piva concorre com o livro “Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva”
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou nesta segunda-feira, dia 27, os cinco finalistas de cada uma das categorias da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. Entre eles, está o livro “Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva”, de autoria de Juliana Dal Piva, jornalista formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na categoria Comunicação e Informação. Veja a lista completa de finalistas aqui.
A obra relata as investigações sobre o desaparecimento do ex-deputado federal Rubens Paiva, em 1971, e a identificação dos responsáveis pelo crime, feita pela Justiça 43 anos depois. Com 208 páginas, o livro também mostra como a ditadura militar brasileira interferiu nas apurações que buscavam elucidar o caso. Apenas em 2014 o Grupo de Justiça de Transição do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro conseguiu apontar cinco militares como responsáveis pelo assassinato.
Sobre a história
O engenheiro e deputado federal cassado Rubens Paiva foi levado de sua casa no Rio de Janeiro por um grupo de militares sob os olhos apreensivos de sua família em 20 de janeiro de 1971. Nunca mais voltou. Descobrir o que ocorreu com ele depois disso tornou-se uma missão para sua família. Em especial, para sua mulher, Eunice Paiva. Essa história ganhou o mundo com o Oscar de melhor filme internacional para “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles.
Por diversos anos, a ditadura sustentou, de modo falso, que Rubens Paiva teria fugido de militares após a prisão. Na obra, a jornalista reproduz um documento encontrado no acervo do Serviço Nacional de Informações (SNI), guardado no Arquivo Nacional, que aponta que a ditadura já listava Paiva como morto em uma listagem feita por militares em 20 de janeiro de 1977. No entanto, continuava negando a responsabilidade sobre o paradeiro dele.
No livro ainda estão esmiuçadas milhares de páginas sobre as investigações feitas desde 1971 sobre o desaparecimento do ex-deputado. Também está relatado como a ditadura monitorou de perto cada passo dos interessados em desvendar o caso para garantir que não se chegasse à verdade. Apenas em 2014, o grupo de Justiça de Transição do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro conseguiu concluir o caso apontando cinco militares pelo assassinato de Rubens Paiva.
Sobre a autora

Juliana Dal Piva concluiu o curso de Jornalismo na UFSC em 2009 e é repórter do Centro Latino-Americano de Investigação Jornalística (Clip) e colunista do ICL Notícias. É criadora do podcast “A vida secreta do Jair” e autora do livro “O negócio do Jair: a história proibida do clã Bolsonaro” — best-seller em 2022 e finalista do Prêmio Jabuti em 2023.
A jornalista venceu diversos prêmios de jornalismo, entre eles o Relatoría para la Libertad de Expresión (Rele), da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, em 2019. Tem mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da FGV-Rio e já atuou como repórter especial do jornal O Globo e colunista do portal UOL.
Jabuti Acadêmico
A cerimônia de entrega dos prêmios será realizada no dia 11 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, reunindo autores, editores, pesquisadores e representantes das principais instituições científicas e acadêmicas do país. Os autores vencedores receberão a estatueta do Jabuti Acadêmico, além de um prêmio de R$ 5 mil. As editoras das obras premiadas também serão contempladas com uma estatueta.
Criado em 2024, o Prêmio Jabuti Acadêmico tem como objetivo reconhecer e valorizar obras acadêmicas, científicas, técnicas e profissionais. Nesta edição, a premiação recebeu 2.085 inscrições, refletindo a força e a diversidade da produção acadêmica nacional.
Imprensa Apufsc
