*Por Carlos Alberto Marques (Bebeto)
Grande parte da polêmica envolvendo meu afastamento, e não renúncia, ao cargo de presidente do sindicato por ocupar um cargo na Reitoria, no fundo, esconde mais uma disputa eleitoral do que uma interpretação estatutária. Afinal, boa parte dos agora críticos nunca teve muito apreço e respeito por nosso sindicato, seu estatuto e a legislação sindical. Sigo convicto de que a solução mais simples, a do afastamento, traz menos prejuízos administrativos e legais ao sindicato. Por isso, agi de boa-fé.
As palavras ofensivas à minha pessoa e as ilações sobre a Diretoria, com acusação de hipotético conflito de interesses, mostram a mesquinharia de argumentos e o desvio de questões reais na vida sindical. Isso denota e distingue em muito o grupo que dá sustentação política à atual Diretoria e grande parte da oposição sindical.
Há que se repetir à exaustão: a presença e a função na Reitoria do presidente afastado, por si só, não significam adesão do sindicato ou de sua Diretoria aos ditames do “reitor-patrão”. Nesse quesito, aliás, a oposição tem experiência real, exemplar e recente, pois encontrou na Reitoria passada o livre trânsito e apoio no episódio da continuidade da greve, depois de a categoria ter votado seu fim numa AGE – uma intromissão institucional e uma prática antissindical por parte desse mesmo grupo. Um grupo que, igualmente, se calou diante da ordem da Reitoria de demolir nossa sede histórica.
Entretanto, minhas palavras aqui também são para reafirmar meu profundo respeito ao sindicato. Filei-me no dia seguinte à posse como professor da UFSC. Em todos esses quase 30 anos como docente, sempre estive presente no movimento sindical, local e nacional, dividindo o meu tempo na atuação política, com o ensino, com as pesquisas CNPq e, algumas vezes, atuando como gestor. Como sabem, essa é a terceira vez que presido a Apufsc, agindo sempre com muito zelo e cuidado, tratando com respeito os adversários e acolhendo a todos em atividades para além do terreno árido do debate político.
Minha decisão pelo afastamento, repito, foi pensada pela Diretoria exclusivamente no bom funcionamento da Apufsc e não em interesses particulares. Não preciso do cargo no sindicato – antes, pelo contrário –, pois me consome noites de sono, tempo familiar, energia e, por vezes, atritos com colegas. O grupo da Diretoria tem plenas condições de conduzir as demandas e resolver problemas sindicais até o final do mandato, em meados de outubro próximo.
Reluto contra essa “falsa polêmica” e contra o fato de ela ser explorada por aqueles que não querem um sindicato autônomo e independente, mas que seja subordinado a uma organização nacional rígida, desfuncional, descolada dos filiados, ideologicamente monoteísta e semi-partidária, como ao longo do tempo se transformou a Andes. Aqui na UFSC, essa entidade é representada por um grupo que por anos atuou e manteve uma estrutura sindical paralela à Apufsc e, por isso mesmo, foi condenada em definitivo pela Justiça a pagar uma vultuosa multa (R$ 30 milhões, em peritagem judicial). Uma organização que tenta ainda, a todo custo, imputar ao nosso sindicato uma multa de R$ 2,5 milhões que é dela. Por isso o desespero em ganhar a Apufsc, para perdoar a vultuosa dívida e rebaixar nosso sindicato, submetendo-o ao controle da Andes.
Mas, em respeito à consulta que fiz a vários colegas, que sugerem simplificar as coisas para se concentrar no essencial – manter a Apufsc autônoma e no bom caminho sindical –, e como já transcorreu o prazo estatutário, renuncio a esses menos de três meses restantes de mandato e assim acabo com esse falatório “dos mesmos de sempre”.
Tenho orgulho do que fiz pela Apufsc. Muito obrigado, um abraço e até breve.
*Carlos Alberto Marques (Bebeto) – MEN/CED/UFSC.
