UFSC e Petrobras lançam sistema para analisar riscos climáticos

Sistema foi desenvolvido no Laboratório de Oceanografia Costeira da UFSC

Antecipar eventos climáticos extremos nunca foi uma tarefa fácil – e se tornou ainda mais crítica com o aquecimento global -, principalmente quando se busca mitigar ou evitar impactos negativos sobre as atividades humanas. No setor de petróleo e gás, a dificuldade em prever esses eventos pode gerar situações de risco operacional, como danos às plataformas, ameaças à segurança das pessoas e prejuízos ao meio ambiente. Com esse objetivo foi lançado o Sistema de Análise de Risco Climático (Sarc), que gera dados e informações de grande valor para o planejamento estratégico, tático e operacional e para o apoio à tomada de decisão.

Financiado pela Petrobras, o Sarc mobiliza a infraestrutura científica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a tecnológica da Appix Inovação e Tecnologia. O sistema foi desenvolvido no Laboratório de Oceanografia Costeira (LOC), do Centro de Ciências Físicas e Matemáticas (CFM) da UFSC, sob a coordenação do professor Antonio Fernando Härter Fetter Filho, e conta com a participação do Programa de Pós-Graduação em Oceanografia (PPGOceano). A equipe reúne oceanógrafos, meteorologistas, estatísticos e desenvolvedores de software, além de profissionais das áreas de web design, programação e sistemas de informação.

“Nosso desafio é transformar os resultados dos modelos climáticos globais em informações relevantes para as condições da costa brasileira e para as operações no mar. O SARC aproxima esse conhecimento científico de quem precisa planejar, avaliar riscos e definir medidas de adaptação às mudanças climáticas”, destaca o professor Fetter.

O trabalho da universidade abrange tanto a análise dos processos atmosféricos e oceânicos quanto a transformação dos resultados em informações utilizáveis ​​fora do ambiente acadêmico. Ao reunir pesquisa, formação de especialistas e desenvolvimento de ferramentas, a iniciativa busca ampliar a capacidade de planejamento diante de um clima em transformação. Com essa integração entre universidade e empresa, a expectativa é converter conhecimento científico em subsídios práticos para tornar as operações no mar (offshore) mais seguras e preparadas para os efeitos das mudanças climáticas.

Ao permitir uma análise de possíveis mudanças na frequência e na intensidade de eventos extremos, a ferramenta busca ampliar a capacidade da Petrobras de se adaptar a cenários que representem riscos à sua atuação. O trabalho também prevê uma avaliação dos modelos climáticos globais por meio da comparação com a proporção realizada diretamente no ambiente. Esses modelos são a principal ferramenta para estimar mudanças na frequência dos padrões atmosféricos em curto, médio e longo prazo.

Dos modelos globais na costa brasileira

Uma das principais contribuições da equipe da UFSC é refinar as informações dos modelos climáticos globais para uma escala relevante às operações da Petrobras no mar. O trabalho se concentra na margem continental do Sudeste brasileiro, onde estão as bacias sedimentares do Espírito Santo, de Campos e de Santos.

Os pesquisadores descreveram e modelaram estatisticamente variáveis ​​como ventos, correntes, temperatura e ondas. Para isso, utilizam dados dos conjuntos de simulações CMIP5 e CMIP6, iniciativas internacionais de comparação entre modelos climáticos que também dão suporte aos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O refinamento permite investigar como as mudanças nos padrões de circulação atmosférica podem alterar as condições atmosféricas e oceanográficas na região. Entre as características de interesse estão alterações no nível do mar, na direção e na altura das ondas e na ocorrência de ciclones na costa. O objetivo é transformar projeções de grande escala em informações com significado prático, antecipando cenários ambientais adversos e proporcionando subsídios para avaliar seus efeitos sobre as estruturas offshore.

Informação acessível para apoiar decisões

Além da modelagem científica, o projeto contempla o desenvolvimento de uma ferramenta de consulta externa para usuários da Petrobras. A plataforma agrega mapas, análises estatísticas e painéis interativos que permitem explorar dados, comparar cenários e identificar áreas e ativos potencialmente expostos a ameaças climáticas. Entre suas aplicações estão a elaboração de protocolos, o dimensionamento de novos equipamentos e o planejamento de respostas a emergências.

O SARC foi concebido para, de forma fácil, armazenar, consultar e visualizar essas informações. Sua estrutura de gerenciamento foi planejada para atender a diferentes regiões, períodos e setores da empresa, tornando acessível a gestores e equipes técnicas resultados que, em sua forma original, envolvem grandes volumes de dados e análises complexas. Ao integrar informações sobre as condições atuais e projeções futuras, o sistema oferece subsídios às diferentes etapas de planejamento organizacional.

Fonte: Notícias da UFSC