Apenas 26% dos signatários de termo de compromisso com a ciência são eleitos para Câmara e Senado

Número de signatários eleitos saltou de 31 para 58 em relação a 2022; adesões ao Termo de Compromisso cresceram 53%

Iniciativa criada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) para estimular a presença da Ciência no debate eleitoral, o Observatório das Eleições 2026 encerra a sua participação no 1º turno com a adesão de 220 candidatos a diferentes cargos dos poderes Executivo e Legislativo. Destes, 58 obtiveram sucesso nas urnas e irão compor a base decisória do País a partir de 2027.

A situação eleitoral dos 220 signatários do Observatório das Eleições é dividida em: 26,36% eleitos (58 candidatos); 41,36% suplentes (91 candidatos); 31,36% não eleitos (69 candidatos); 0,45% concorrendo ao 2º turno (1 candidato) e 0,45% com candidatura inapta (1 candidato). É importante ressaltar que a iniciativa somente aceita candidaturas elegíveis pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ato de adesão, mas que ao longo do período de votações diferentes acontecimentos podem comprometer o status cadastral de cada político.

Na análise regional, os políticos vitoriosos se concentram em 17 Unidades da Federação (UF): 16 estados e no Distrito Federal. Metade de todos os mandatos conquistados pelos signatários do Observatório estão na região Sudeste (29 eleitos), impulsionados principalmente por São Paulo e Rio de Janeiro, que juntos somam 43,10% do total nacional.

O Nordeste aparece como a segunda região com maior êxito (13 eleitos, 22,41% do total), com destaque para a Paraíba, Bahia e Rio Grande do Norte. A região é seguida por candidatos eleitos do Sul (13,79%), Centro-Oeste (10,34%) e Norte (5,17%). Infelizmente, o Observatório das Eleições 2026 não registrou adesões de políticos dos estados de Tocantins e Rondônia.

No comparativo com as eleições de 2022, o número de candidatos que assinaram o Termo de Compromisso com a Ciência, a Democracia e a Soberania cresceu 52,78%, passando de 144 para 220. O total de mandatos conquistados pelos signatários também aumentou. No comparativo com 2022, o Observatório registra um aumento de 87,10%, passando de 31 signatários eleitos para 58 agora em 2026.

Partidos e atuações

Na análise por cargos conquistados, o poder Legislativo é o maior representado, compilando mais de 93% do total de políticos signatários eleitos: 44,83% ocupando as cadeiras de Deputado Estadual (26 eleitos); 43,10% de Deputado Federal (25 eleitos) e 5,17% de Deputado Distrital.

Outro destaque é para as cadeiras no Senado Federal, que têm maior tempo de atuação, 8 anos. Ao todo foram quatro eleitos (6,90% do total): Eduardo Braga (MDB-AM), João Azevêdo (PSB-PB), Samanda de Lula (PT-RN) e Mara Rocha (REPUBLICANOS-AC).

Uma análise importante é sobre os partidos que aderiram ao Observatório das Eleições. Considerando os 220 candidatos signatários, a iniciativa da SBPC chegou a 17 dos 30 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral. Entretanto, é possível identificar uma ausência dos maiores partidos de direita e centro-direita, com destaque a três das maiores bancadas da Câmara dos Deputados que se formarão em 2027 – o Partido Liberal (PL), que terá 121 cadeiras; o União Brasil, que terá 46 e o Progressistas (PP), que terá 41.

Ao mesmo tempo, olhando para os 58 signatários eleitos, o que se percebe é uma quase totalidade dos vitoriosos (96,56%) pertencente ao campo da esquerda e centro-esquerda – representado por Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Socialista Brasileiro (PSB) – e apenas duas adesões vitoriosas em partidos de centro/direita, representadas pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e pelo Republicanos.

Com o mapa dos eleitos, o desafio agora é o cumprimento das promessas. A adesão ao Observatório das Eleições significa o comprometimento com uma agenda defendida pela comunidade científica e materializada no caderno “Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos”. Dividida em sete eixos temáticos, essa agenda tem como defesa central que Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) seja reconhecida como Projeto de Nação, o que significa a aprovação de mecanismo constitucional para proteção orçamentária ao setor, metas gradativas para que CT&I tenha uma destinação orçamentária de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) e a garantia da plena execução do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

“Se em 2022 a tarefa central era a reconstrução de um sistema de ciência e educação devastado por anos de desmonte, em 2026 a agenda se amplia: consolidar o que foi reconstruído e enfrentar novos desafios estruturais — a transição climática, a reindustrialização sustentável, a soberania diante da inteligência artificial, o combate à desinformação, a educação continuada, a produção de conhecimento inclusivo, a saúde pública em todos os níveis e a redução das desigualdades que ainda marcam profundamente o país”, justifica o documento.

Para a presidente da SBPC, Francilene Garcia, os resultados do Observatório das Eleições ressaltam um cenário positivo na participação do setor no debate político, mas é necessário que isso se converta em resultados.

“O crescimento de 87% no número de signatários eleitos mostra que a ciência ganhou espaço no debate político, mas espaço no debate não paga bolsa, não equipa laboratório nem segura cientista no país. Entre 2016 e 2022, o FNDCT foi contingenciado e o sistema de ciência e tecnologia sofreu perdas profundas. A execução plena do Fundo, retomada em 2023, foi uma conquista da comunidade científica e precisa ser protegida para que não haja retrocesso. Ainda há agências de fomento a recompor e um orçamento que carece de previsibilidade. Os programas de governo apresentados nesta eleição falam de ciência, mas quase nunca dizem quanto, de onde vem o dinheiro e como garantir continuidade. Por isso, quem assinou o Termo assumiu uma responsabilidade concreta: transformar compromisso em orçamento, em lei e em política pública. E é preocupante que as maiores bancadas do próximo Congresso tenham ficado de fora desse compromisso. A ciência não pode depender de um único campo político. No segundo turno, com a iniciativa ‘A Ciência Pergunta. O Brasil Decide.’, vamos cobrar das duas candidaturas presidenciais respostas objetivas, com metas e prazos. A comunidade científica vai acompanhar cada mandato e não aceitará que a ciência volte a ser tratada como despesa adiável.”

Confira a lista dos signatários eleitos, organizada por Unidade Federativa:

  • Acre (AC) — 1 eleito

Mara Rocha: Senadora — REPUBLICANOS

  • Amazonas (AM) — 2 eleitos

Eduardo Braga: Senador — MDB

Zé Ricardo: Deputado Estadual — PT

  • Bahia (BA) — 3 eleitos

Alice Portugal: Deputada Federal — PCdoB

Daniel: Deputado Federal — PCdoB

Olivia: Deputada Federal — PCdoB

  • Ceará (CE) — 1 eleito

Gabriel Biologia: Deputado Estadual — PSOL

  • Distrito Federal (DF) — 4 eleitos

Fábio Felix: Deputado Federal — PSOL

Gabriel Magno: Deputado Distrital — PT

Keka Bagno: Deputada Distrital — PSOL

Múcio: Deputado Distrital — PSB

  • Mato Grosso (MT) — 1 eleito

Valdir Barranco: Deputado Estadual — PT

  • Mato Grosso do Sul (MS) — 1 eleito

Tiago Botelho: Deputado Estadual — PT

  • Minas Gerais (MG) — 4 eleitos

Ana Pimentel: Deputada Federal — PT

Beatriz Cerqueira: Deputadao Estadual — PT

Bella Gonçalves: Deputada Federal — PT

Rogério Correia: Deputado Federal — PT

  • Paraíba (PB) — 4 eleitos

João Azevêdo: Senador — PSB

Jô Oliveira: Deputada Estadual — PCdoB

Ricardo Coutinho: Deputado Federal — PT

Tiberio Limeira: Deputado Estadual — PSB

  • Paraná (PR) — 1 eleito

Arilson Chiorato: Deputado Federal — PT

  • Pernambuco (PE) — 1 eleito

Professora Ivete Caetano: Deputada Estadual — PT

  • Rio de Janeiro (RJ) — 12 eleitos

Dani Balbi: Deputada Estadual — PCdoB

Elias Jabbour: Deputado Federal — PCdoB

Elika Takimoto: Deputada Estadual — PT

Flavio Serafini: Deputado Estadual — PSOL

Glauber Braga: Deputado Federal — PSOL

Jandira Feghali: Deputada Federal — PCdoB

Luciana Boiteux: Deputada Estadual — PSOL

Marina do MST: Deputada Estadual — PT

Nísia Trindade: Deputada Federal — PT

Renata Souza: Deputada Estadual — PSOL

Rick Azevedo: Deputado Federal — PSOL

Talíria Petrone: Deputada Federal — PSOL

  • Rio Grande do Norte (RN) — 3 eleitos

Francisco do PT: Deputado Estadual — PT

Isolda Dantas: Deputada Estadual — PT

Samanda de Lula: Senadora — PT

  • Rio Grande do Sul (RS) — 4 eleitos

Maria do Rosário: Deputada Federal — PT

Matheus Gomes: Deputado Estadual — PSOL

Miguel Rossetto: Deputado Estadual — PT

Sofia Cavedon: Deputada Estadual — PT

  • Santa Catarina (SC) — 3 eleitos

Giovana Mondardo: Deputada Federal — PCdoB

Luciane Carminatti: Deputada Estadual — PT

Marquito: Deputado Estadual — PSOL

  • São Paulo (SP) — 13 eleitos

Ediane Maria: Deputada Estadual — PSOL

Guilherme Cortez: Deputado Federal — PSOL

Jonas Donizette: Deputado Federal — PSB

Keit Lima: Deputada Estadual — PSOL

Luiza Erundina: Deputada Estadual — PSOL

Luna Zarattini: Deputada Federal — PT

Mariana Conti: Deputada Estadual — PSOL

Marina Bragante: Deputada Estadual — PSB

Natália Boulos: Deputada Federal — PSOL

Nilto Tatto: Deputado Federal — PT

Professora Luciene Cavalcante: Deputada Federal — PSOL

Sâmia Bomfim: Deputada Federal — PSOL

Tabata Amaral: Deputada Federal — PSB

Fonte: Jornal da Ciência