Em defesa da pluralidade!

José Fletes

A conjuntura atual está a exigir que nossa entidade APUFSC se engaje na luta pelos interesses da categoria no plano nacional, o qual precisa ser avalizado por decisão de seus filiados para que seus representantes, sejam membros da diretoria ou delegados de Assembleias, possam participar dos debates, articulações e mesas de negociação nacional. Nesse sentido abriu-se o debate, através de decisão do Conselho de Representantes e decidir em data próxima se devemos nos filiar a uma das entidades nacionais ou não.

Desde a criação do ANDES-SN em 1981, a APUFSC esteve presente em todas as lutas com participação ativa e representação efetiva, seja na diretoria regional ou nacional. A decisão de se desligar do ANDES-SN, em 2009, se deu por motivos relevantes, como o de discordar das frequentes narrativas ideológicas impostas nas resoluções, nas práticas sindicais burocratizadas da direção nacional (e das seções sindicais) e dos encaminhamentos nas ações cotidianas muito distantes da maioria dos docentes, normalmente reduzidas a greve. Mas, com tal decisão, criou-se um vazio que nos deixou à deriva e desconectados nacionalmente dos demais sindicatos e de uma representação nacional, fragilizando-nos quanto às informações, bem como do andamento das negociações efetivas que culminavam em tratados firmados com ressonância na vida dos docentes.

É complexo e muito delicado ter que optar por uma das entidades, considerando todos os fatores políticos envolvidos na decisão. Tanto o ANDES-SN como o PROIFES-Federação apresentam as suas vantagens e desvantagens, algumas declaradas nas respostas enviadas à APUFSC e divulgadas no boletim nº 823. No entanto, precisamos ter claro que não podemos nos omitir em ter presença efetiva na representação no plano nacional. Assim, devemos ponderar que filiando-nos ao PROIFES-Federação, por ser um modelo organizativo federado, formado por sindicatos autônomos e um espaço de representação plural, o modelo preserva e garante o respeito à individualidade da entidade sindical de base. Portanto, permanecer como sindicato autônomo e não como uma seção sindical é forte componente para uma decisão da categoria.

Especialmente nesse atual contexto político de desmonte do setor público (universidade incluída), de perdas de direitos de nossa categoria e de desmantelamento dos sindicatos, o fundamental é que a categoria reconheça a necessidade de avançar em sua forma organizativa e de atuação política, optando por estabelecer um vínculo sindical nacional.

Professor do Departamento de Informática e Estatística

Compartilhar