Em comunicado oficial, MEC ataca passado de jornalista

O jornalista Ancelmo Góis informou a retirada de vídeos da ˜TV Ines˜, canal do Instituto Nacional de Educação de Surdos, órgão vinculado ao Ministério da Educação, em sua coluna no jornal O Globo, na última terça-feira (29). Os vídeos retirados contavam em Libras a história de personagens como Marx, Engels, Nietzsche e Gramsci e, segundo a coluna, foram retirados após a posse do novo ministro.

Em nota oficial publicada na noite desta quarta-feira (30), o Ministério da Educação, sob a tutela do ministro Vélez Rodrigues, publicou um comunicado em suas redes sociais confirmando a retirada dos vídeos e informando que uma sindicância foi instaurada para investigar o motivo, uma vez que não teria havido autorização do atual Ministério para que eles saíssem do ar. Mas, segundo o órgão, “uma apuração preliminar identificou que os vídeos foram retirados em abril e em novembro de 2018”, ou seja, durante o governo Temer.

Além de questionar a veracidade da nota do Globo, o comunicado atacou o passado do jornalista, dizendo que o atual ministro da Educação recusa-se a ˜adotar métodos de manipulação da informação, desaparecimento de pessoas e de objetos, que eram próprios de organizações como a KGB – o serviço secreto do governo comunista na antiga União Soviética – que, na década de 60, protegeu e forneceu identidade falsa para o colunista˜.

Ancelmo foi líder estudantil perseguido e preso pela ditadura militar no Brasil, tendo aceitado refúgio na união Soviética em 1969, após a instauração do AI-5.

A resposta

Ainda na quarta-feira (30), o colunista publicou nova nota reafirmando a censura ocorrida no Ines já na gestão do novo ministro. O jornal consultou o cache do Google – espécie de histórico de versões de uma página na internet – onde verificou que em 1 de janeiro ainda constava o vídeo sobre Nietzsche e, em 2 de janeiro, ainda estava no ar o de Marx.

Leia mais: O Globo

Leia o comunicado do MEC na íntegra: Ministério da Educação


V.C. / E.M.