Estudante da USP é preso na sala de aula em operação “Luz da Infância”

Ação conjunta do Ministério da Justiça com as polícias civis dos estados realizaram, na última quinta-feira (28), a quarta fase da Operação “Luz na Infância”, que combate a disseminação e produção de pornografia infantil. A informação é do jornal O Estado de São Paulo. Os mandados dessa etapa foram realizados em 133 cidades brasileiras. Em Santa Catarina, fizeram foram alvo da operação as cidades de Blumenau, Balneário Camboriú, Indaial e Navegantes.

Em São Paulo, um estudante da Universidade de São Paulo (USP) foi preso durante a aula, caso que gerou repercussão online e nota oficial da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP).  De acordo com a nota divulgada pela universidade, policiais fortemente armados interromperam as aulas e violaram a autonomia da instituição.

 

“A diretoria da Faculdade está acionando a procuradoria da Universidade com vistas a esclarecer o episódio. Não vamos aceitar calados que a imagem da FFLCH-USP e a autonomia desta instituição sejam violados por ações injustificáveis. O mais do que necessário combate à criminalidade não pode justificar a agressão às instituições universitárias”, avalia a USP na nota divulgada nesta sexta-feira (29).

O delegado da Polícia explicou que os dados recebidos indicavam um alvo móvel, não tendo informações sobre a residência. “Foi encontrado na sala de aula na USP e a prisão foi realizada com todo o cuidado sem que ninguém se ferisse ou houvesse qualquer abuso. O principal alvo obviamente é um telefone que era a prova e se a gente perdesse ele de dentro da sala poderíamos perder a prova contra ele”, explica o delegado-geral.

 

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA:

Na manhã desta quinta-feira, 28 de março de 2019, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP) foi surpreendida por uma ação policial nos edifícios da Diretoria e Administração, Prof. Antonio Candido (Letras) e no de Filosofia e Ciências Sociais. Policiais Civis uniformizados e fortemente armados entraram em salas de aula para buscar um aluno acusado de crime potencialmente grave que choca a comunidade. O estudante foi levado para uma delegacia onde responde a acusações.

Esta Faculdade é inteiramente a favor do combate a crimes potencialmente graves que chocam a comunidade. Temos uma longa tradição de estudos e ações com vistas a combater quaisquer tipos de violência.

Sem entrar no mérito das acusações, que a Justiça irá julgar, resguardados os direitos também do acusado, de acordo com os preceitos do Estado democrático, chocou-nos a desproporcionalidade entre os fins e os meios do procedimento policial. Por que o aluno não foi preso na sua residência, como seria típico de um flagrante? Para que interromper aulas com armas à vista na Universidade? Para que mobilizar duas dezenas de policiais uniformizados e com uso de metralhadoras para prender o acusado nos prédios da USP?

A diretoria da Faculdade está acionando a procuradoria da Universidade com vistas a esclarecer o episódio. Não vamos aceitar calados que a imagem da FFLCH-USP e a autonomia desta instituição sejam violados por ações injustificáveis. O mais do que necessário combate à criminalidade não pode justificar a agressão às instituições universitárias.

Diretoria da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.

Leia mais: Estadão/ G1


C.G/L.L.

 

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