Professores da UFGD contestam nomeação de reitora não eleita

Nomeada por Abraham Weintraub, Mirlene Damázio não participou das eleiçõesd+ resultado do pleito foi questionado na pelo MPF e a disputa judicial ainda está em andamento no Tribunal Regional Federal da 3ª região

Com balões alaranjados em alusão aos laranjas do PSL, professores da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) se reuniram ontem (17) em torno à reitoria da instituição para protestar contra a nomeação da nova reitora pró-tempore. Embora não tenha sequer participado do processo eleitoral, a professora Mirlene Damázio foi nomeada reitora temporária da UFGD, no último dia 11, pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, informa matéria do site Sul 21.

Logo que tomou posse, a reitora – considerada uma interventora do governo por parte da comunidade universitária –, nomeou como vice-reitor o professor Luciano Geisenhoff, apoiador do presidente Jair Bolsonaro. Para os professores que se manifestam  contrários à nomeação, “o fato (nomeação do vice) reforça a tese de que, ao designá-la, o governo procurava fortalecer o grupo da Chapa 2 e instituir, na universidade, uma direção alinhada à administração federal”.

No dia 21 de março, a chapa dos professores Etienne Biasotto e Cláudia Gonçalves, que venceu a consulta paritária, ganhou também a disputa no colégio eleitoral, com 51 dos 66 votos. Mas o Ministério Público Federal (MPF) questionou o processo eleitoral  junto a 1ª Vara Federal de Dourados e conseguiu, em 10 de maio, a suspensão da lista tríplice e a determinação de novas eleições.

A denúncia do MPF alegou que o processo de escolha do novo reitor havia desrespeitado a legislação e que a conduta dos professores envolvidos na eleição havia sido “antiética”. O MPF questionou também o sistema de consulta com voto paritário. A UFGD respondeu argumentando que, mesmo que a proporção de peso de 70 para os professores, e de 30 para estudantes e técnicos, tivesse sido adotada, a chapa de Etienne e Cláudia teria saído vencedora.

Após uma audiência de conciliação a Justiça interpretou que a eleição havia sido realizada sem ilegalidades. Mas a briga não parou aí. O MPF questionou a decisão da audiência, o que levou o processo ao Tribunal Regional Federal da 3º região (TRF-3). O juiz responsável pela ação determinou que as partes envolvidas no processo se manifestassem novamente, impedindo o reitor eleito, professor Etienne Biasotto, de tomar posse até que o caso fosse julgado.

Segundo Biasotto, apenas ele, a ex-reitora, professora Liane Maria Calarge,  e a universidade se manifestaram judicialmente por enquanto – ainda faltava ouvir os professores da chapa derrotada e o próprio MEC. Porém, no dia 10 de junho, o mandato da ex-reitora expirou e o MEC designou Mirlene Damázio para reitora temporária. “O MEC e os professores Joelson e Nelson ainda não se manifestaram, justamente para que não houvesse o julgamento, culminando na nomeação da interventora”, afirma Biasotto.

Confira: Sul 21


 

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