Sem fortalecer o serviço público não há remédio

Por Bebeto Marques

Os milhões de brasileiros que há meses não conseguem ser atendidos pelo INSS antecipam o que pode acontecer no atendimento à pandemia de coronavírus. O governo federal impede que o serviço público funcione adequadamente cortando verbas e impedindo concursos para repor o pessoal necessário ao atendimento da população.  Só em 2019 foram nove bilhões de reais a menos para o SUS. O teto de gastos públicos desvia este dinheiro para o pagamento de juros da dívida, que só beneficia os mais ricos.

Agora, o governo responde à crise propondo o corte de salários de trabalhadores das empresas privadas e do serviço público, depois de já ter cortado nas aposentadorias. Oferece apenas duzentos reais por mês para os autônomos que ficarão sem trabalho. Corta bolsa família de 160 mil pessoas necessitadas no Nordeste. Mas para os banqueiros, o Banco Central já liberou mais de um trilhão de reais em ajuda.

Os servidores públicos formam um corpo altamente capacitado para atender à população. Profissionais da saúde, da educação e da segurança são imprescindíveis neste momento para enfrentar a pandemia. Cientistas estão trabalhando em todas as universidades e institutos de pesquisa do país para desenvolver vacinas, medicamentos, equipamentos de proteção e políticas de atendimento à população. Mas trabalham em condições precárias, pelo corte de verbas para a ciência e de bolsas de pós-graduação, que dizimaram suas equipes. Agora querem também cortar os seus salários.

Alguns veículos da grande mídia, como as Organizações Globo, estão apoiando estes cortes. Os irmãos Marinho, donos das Organizações Globo, estão entre os bilionários brasileiros que ficam ainda mais ricos com a ajuda do governo aos bancos. Esses bilionários brasileiros nunca pagaram o imposto sobre as grandes fortunas que está previsto há 32 anos na Constituição do país, porque o Congresso Nacional nunca regulamentou esta cobrança. Agora, querem usar este mesmo Congresso Nacional para cortar os salários dos trabalhadores e dos servidores públicos.

A tragédia do coronavírus se alastra pelo mundo, e os países que estão resistindo melhor a ela são os que estão investindo pesado no serviço público e na assistência econômica à população. Só um povo sadio, bem alimentado e bem atendido poderá recuperar a economia atingida pela crise. Só com investimento na ciência, na educação e na saúde, o país se recupera desta crise. 

A economia e a vida dos brasileiros dependem do bom funcionamento do serviço público. Não podemos permitir que o governo, o Congresso e os interesses dos mais ricos tirem o seu oxigênio, como já vimos acontecer com o atendimento do INSS. Investir no funcionamento do SUS, da ciência e da educação pública é a única garantia da população brasileira.

Presidente do Sindicato dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina (Apufsc)

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