É preciso consertar bicicleta com ela andando, e sem cair

Educadores, acadêmicos e formuladores de opinião pública de toda a América Latina

O mundo nunca enfrentou uma pandemia como essa. A globalização contribuiu para a velocidade com que o vírus ignorou fronteiras, e as novas tecnologias oferecem estratégias importantes para lidar com a crise. Certamente superaremos esse momento, mas nunca voltaremos ao “normal” como o conhecíamos antes. 

Não há tempo para disputas políticas. Nossa prioridade imediata deve ser proteger a nós mesmos, nossas famílias e nossos vizinhos; combater a propagação do vírus; e fazer todo o possível para mitigar os danos. Não sabemos quanto tempo durará essa crise, portanto as instituições devem agir agora! 

As instituições de ensino superior têm um papel crítico nesta crise. Além de fornecer serviços importantes, as IES continuam sendo uma importante fonte de pesquisa de soluções de problemas como o COVID-19, e devem continuar a ser apoiadas e protegidas. Existem várias outras coisas que elas podem e devem fazer: 

1. Faculdades de medicina e hospitais universitários precisam continuar funcionando. Estes hospitais muitas vezes prestam serviços a populações marginalizadas que não recebem atendimento em outros lugares. Universidades com residências estudantis podem oferecer espaço para hospitais sobrecarregados. Os dirigentes universitários devem se concentrar na proteção da equipe médica, fornecendo os recursos necessários e fazendo todo o possível para manter suas instalações em funcionamento.

2. A saúde dos alunos, professores e funcionários está em risco. Para sua própria segurança, todos os que não trabalham em atividades críticas relacionadas à segurança do campus ou serviços essenciais devem ficar em suas casas.

3. As instituições devem assumir a responsabilidade pela segurança e bem-estar dos estudantes estrangeiros que não puderem voltar para seus países de origem.

4. As atividades de extensão, especialmente aquelas relacionadas ao atendimento à população mais carente, devem continuar na medida do possível, com as instituições atuando para apoiar e proteger os professores e alunos envolvidos.

5. A interrupção da continuidade dos estudos e adiamento da conclusão dos cursos afetará milhões de estudantes em todo o mundo. Não devemos, e não podemos dispensar estudantes ou professores das obrigações e responsabilidades que teriam em tempos normais. Colocar os cursos online é a nossa melhor opção no momento. Claramente, poucos estudantes, professores ou administradores estavam preparados para essa mudança, mas todos, em todo o mundo, estão enfrentando o desafio. Continuar trabalhando online é uma opção que devemos oferecer aos nossos alunos, apesar dos desafios para nossos professores e equipe de apoio.

6. Os dirigentes devem apoiar e monitorar os esforços dos professores. Obviamente, a qualidade variará enquanto essa transição ocorrer, mas há recursos, tutoriais e serviços de apoio disponíveis para todos, se não na própria instituição, certamente através de uma grande quantidade materiais disponíveis online. A curva de aprendizado será acentuada, mas a qualidade melhorará com a experiência, a flexibilidade e a vontade de se adaptar a uma circunstância excepcional. Novos mecanismos para avaliação da qualidade serão, sem dúvida, necessários.

7. Com tantas instituições trabalhando à distância, haverá preocupação com a qualificação que os estudantes irão obter. É uma questão importante que deverá ser tratada mais adiante, mas não é motivo suficiente para interromper a transição para o ensino à distância. 

A desigualdade sempre assombrou o ensino superior, e se torna mais evidente do que nunca durante a crise. O fato de alguns alunos terem acesso mais fácil à tecnologia do que outros ou que alguns professores se sintam mais confortáveis com a tecnologia do que outros não pode ser uma justificativa para limitar as opções para todos. As instituições devem fazer todos os esforços para disponibilizar os cursos através do maior número possível de meios – telefones, tablets, desktop, TV – para maximizar o acesso. 

A maioria das instituições de ensino superior demoraram em incorporar os recursos das novas tecnologias. Se tivesse havido abertura e flexibilidade mais cedo, a transição agora seria menos traumática. O ensino superior provavelmente não será o mesmo de antes da pandemia, com a educação virtual ocupando um lugar muito mais importante em todas as instituições, públicas e privadas, do que tem sido até agora. 

Não há respostas perfeitas para essa emergência. Se adiarmos decisões importantes, gastando tempo discutindo a legislação e as normas internas, pesquisando as melhores práticas e esperando que as pessoas se adaptem à educação à distância, perderemos um tempo precioso. Devemos oferecer opções enquanto nos adaptamos à realidade atual da melhor maneira possível. É preciso consertar bicicleta com ela andando, e sem cair. 

Os cientistas vêm prevendo há tempos que uma pandemia poderia ocorrer, mas não tiveram recursos suficientes para desenvolver soluções. Muitos políticos optaram por ignorar os avisos, deixando de financiar a pesquisa e o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde. A política não causou essa crise, mas os políticos certamente contribuíram para nos deixar despreparados. 

O foco de nossas instituições deve estar na saúde pública e no que podemos aprender com os cientistas à medida que eles aprendem mais sobre esse vírus. A liderança institucional deve fazer todo o possível para apoiar nossos pesquisadores e professores, na busca de soluções. Os políticos devem assumir um papel ativo de liderança agora para apoiar todas nossas instituições para chegar aos melhores resultados. Se perdermos tempo dando prioridade às agendas políticas individuais, locais ou nacionais, o risco de todos aumentará. 

Assinado, 

Raúl Atria Vicedecano, Facultad de Ciencias Sociales Universidad de Chile. 

Jorge Balán Nueva York, EEUU 

Elizabeth Balbachevsky Profesora Asociada, Departamento de Ciencias Políticas Universidad de Sao Paulo (USP) Directora, Centro de Investigación para la Política Pública, Universidad de Sao Paulo Sao Paulo, Brasil 

Andrés Bernasconi Profesor de Educación, Pontificia Universidad Católica de Chile Santiago, Chile 

Javier Botero Álvarez Consultor Colombia 

José Joaquín Brunner Director, Cátedra UNESCO de Políticas Comparadas de Educación Superior Centro de Políticas Comparadas de Educación (CPCE) Universidad Diego Portales Santiago, Chile 

Hans de Wit Director, Center for International Higher Education, Boston College Boston, EEUU 

Ana Fanelli Investigadora, Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (CONICET) Centro de Estudios de Estado y Sociedad (CEDES) Buenos Aires, Argentina 

Jocelyne Gacel-Avila Directora, División de Estudios sobre Estado y Sociedad Centro Universitario en Ciencias Sociales y Humanidades Universidad de Guadalajara Guadalajara, México 

Kelly Henao Asociación Columbus – Francia Investigadora – Centro de Internacionalización de la Educación – Universidad de Groningen Bogotá, Colombia 

Marcelo Knobel Rector Universidadde Campinas (Unicamp) Campinas, Brasil 

María José Lemaitre Directora Ejecutiva, CINDA Santiago, Chile 

Alma Maldonado-Maldonado Investigadora Departamento de Investigaciones Educativas (DIE-CINVESTAV) Ciudad de México, México 

Salvador Malo Director Aseguramiento de la Calidad en la Educación y el Trabajo (ACET) Ciudad de México, México 

Francisco Marmolejo Asesor Educativo Fundación Catar Doha, Catar 

Mónica Marquina Investigadora CONICET, UNTREF Profesora Universidad de Buenos Aires Argentina 

Carlos Marquis Investigador. Universidad de San Martín (UNSAM) Consultor en Educación Superior Buenos Aires, Argentina. 

Iván Francisco Pacheco Consultor de Educación Superior Asociado de Investigación. Center for International HigherEducation, Boston College Boston, EEUU 

Marcelo Rabossi Profesor de Educación, Universidad Torcuato Di Tella Buenos Aires, Argentina 

Alberto Roa Rector Universidad Tecnológica de Bolívar Cartagena, Colombia 

Fábio Reis Director de Innovación y Redes de Cooperación, SEMESP Presidente del Consorcio STEHM Brasil 

Liz Reisberg Consultora de Educación Superior Asociada de Investigación, Center for International Higher Education, Boston College Boston, EEUU 

Jamil Salmi Profesor Emérito de Política de la Educación Superior Centro de Políticas Comparadas de Educación (CPCE), Universidad Diego Portales Research Fellow, Center for International Higher Education, Boston College 

Dante Salto Assistant Professor, University of Wisconsin-Milwaukee EEUU 

Daniel Samoilovich Director Ejecutivo, Asociación Columbus Paris, Francia 

Simon Schwartzman Academia Brasileira de Ciências Brasil 

Lina Uribe-Correa Rectora Fundación Universitaria Konrad Lorenz Colombia 

Jeannette Vélez R. CEO Glocal Actions and Solutions GLOCCALS Colombia

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