Professores do Paraná completam uma semana em greve de fome contra o governo

Docentes protestam contra prova presencial para selecionar temporários em meio à pandemia

Professores da rede pública do Paraná estão no sétimo dia de greve de fome em protesto contra um edital do governo do estado para seleção de docentes temporários. Até esta quinta-feira, 26, dez dos 47 professores que iniciaram o movimento em frente à sede do Executivo, em Curitiba, continuam sem comer.

Na quinta-feira passada, 19, o grupo ocupou o prédio da Assembleia Legislativa, buscando apoio dos deputados para pressionar o governo contra o edital, mas a Justiça determinou que eles deixassem o local. Desde então, os professores estão acampados sob a marquise, na área externa do Palácio Iguaçu.

A APP-Sindicato, que representa os educadores, promoveu uma assembleia geral na tarde desta quinta para deliberar sobre a continuidade da mobilização. A maioria, no entanto, votou contra uma greve geral da categoria.

Segundo a entidade, na última semana, não houve qualquer resposta à greve por parte de integrantes da gestão Ratinho Jr. (PSD). Na sexta-feira, 20, o governo conseguiu na Justiça a reintegração de posse da área externa do Palácio e, via assessoria, afirmou à Folha que, diante da manutenção do movimento mesmo com a ordem, entende “que não há espaço para diálogo”.

Um dos que mantêm a greve de fome é o presidente da APP-Sindicato, Hermes Silva. Ele e os demais manifestantes estão sendo monitorados por um grupo de médicos voluntários.

A briga dos professores é principalmente contra o edital que prevê a contratação de 4.000 docentes temporários para 2021 por meio de processo seletivo simplificado (PSS), mas também inclui outras pautas. A seleção, que até então era feita considerando o tempo de serviço e os títulos dos professores, agora também terá uma prova presencial, que será aplicada no dia 13 de dezembro para 47 mil inscritos. O sindicato argumenta que o período de pandemia oferece riscos a todos os envolvidos e impossibilitaria a presença de profissionais idosos ou com alguma comorbidade.

A entidade defende também a extinção do sistema, que é previsto apenas para situações emergenciais. Diante da demanda, que, segundo a APP, girava em torno de 30 mil pessoas até o ano passado, os professores querem a realização de concurso público, com direito a estabilidade.

A APP também aponta que a seleção deste ano prevê o chamamento de apenas 13% do número médio de docentes temporários geralmente demandados por ano pelo estado. Argumenta ainda que o contrato de R$ 4 milhões para a realização da prova foi feito sem licitação.

Leia na íntegra: Folha de S. Paulo

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