Dos compromissos de uma gestão na UFSC

Por Áureo Moraes*

Há alguns dias compartilhei em meu perfil pessoal em um rede social um vídeo, gravado pelo Procurador Geral de SC, no qual ele revelava o estado das instalações do prédio onde funcionavam a TV UFSC e a SEAD. Depois de só conseguir as chaves do espaço mediante decisão judicial, a PGE-SC mostrou que salas e banheiros estavam em precárias condições, para dizer o mínimo.

A postagem teve várias reações, mas duas delas, vindas de amigas docentes, chamaram a minha atenção. Uma delas me advertia de que a postagem era “inadequada; desqualifica a UFSC e qualifica o governo estadual”. A outra de minhas amigas disse: “quero te externar minha grande decepção ao constatar que tu, justamente tu, uma pessoa que sempre vi defendendo a UFSC acima de tudo, *por fins eleitoreiros* simplesmente publicizar uma crítica à UFSC (*a atual gestão claro*)”.

À parte o fato de respeitar a opinião de amigas muito queridas, não posso deixar de manter a intenção contida na publicação que compartilhei e reforçar o comentário que incluí na postagem: “lamentável a ausência completa de respeito ao patrimônio público. Um absurdo a gestão da UFSC permitir que isso tenha ocorrido. Que vergonha!”

Trago aqui esse breve relato para tratar de um segundo tema que, tanto quanto o primeiro, revela a meu modesto juízo incompetência, ineficiência e falta de transparência da atual gestão. Refiro-me ao novo contrato de Plano de Saúde. Sobre o qual, aliás, artigo neste mesmo espaço em 12 de dezembro passado, já tratava com detalhes incontestáveis (https://www.apufsc.org.br/2025/12/12/de-emergencia-em-emergencia-a-incapacidade-administrativa-que-encarece-a-vida-dos-servidores-da-ufsc/). Eu mesmo, também neste espaço, já havia escrito sobre o modo como se conduzia a contratação do Plano…

Claro que, provavelmente, serei novamente responsabilizado por “desqualificar a UFSC” ou estar fazendo “uso eleitoreiro” de um assunto que nos afeta a todos e todas…

Mas, convenhamos: assinar um contrato com a Unimed sem conhecer plenamente suas condições, ou, como diz a própria Administração em nota, “Desde o início da vigência contratual, a fiscalização e a gestão do contrato solicitaram formalmente à operadora a disponibilização da nova tabela de coparticipação, contendo os valores de cada procedimento (consultas, exames e demais procedimentos), considerando que, após o início do novo contrato, a tabela anterior foi retirada do site da Unimed e não foi substituída por nova tabela vigente.” E assinaram mesmo assim???

Não é a primeira vez que faço publicamente críticas às condutas da atual gestão. E não será a última.  Também não é segredo para ninguém que me situo no campo de oposição à reeleição do atual reitor, atuando intensamente para construir uma candidatura que assuma a UFSC nos próximos anos. Logo, se criticar a gestão, posicionar-se contrário e contestar seus atos – e omissões – me transforma em culpado pela desqualificação da Instituição, perdoem-me. Não serei responsável pela eventual continuidade dessa vergonha. Ou teremos uma gestão com compromissos sérios, responsáveis, eficientes e transparentes, ou ficaremos mais quatro anos dando desculpas ou responsabilizando terceiros. Se, até lá, nossa saúde estiver em dia…

*Áureo Moraes é professor do Departamento de Jornalismo do CCE/UFSC

Artigo recebido às 11h34 do dia 15 de janeiro de 2026 e publicado às 12 do dia 15 de janeiro de 2026