Apresentação está disponível na íntegra no canal de YouTube da TV UFSC
O professor e filósofo Vladimir Safatle proferiu a palestra “A lógica da guerra civil mundial como resposta às crises do capitalismo” durante a aula magna de abertura do ano letivo de 2026, realizada na quarta-feira, dia 8. O evento atraiu grande público ao Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
A aula magna iniciou com a apresentação de duas coreografias solo interpretadas por integrantes da Companhia de Dança da UFSC. Em seguida, a pró-reitora de Graduação e Educação Básica, Dilceane Carraro, e o reitor Irineu Manoel de Souza formaram a mesa oficial de abertura do evento.
A professora Dilceane Carraro deu as boas-vindas aos estudantes, especialmente aos ingressantes do semestre. “A gente deseja que vocês logo se encantem pela Universidade, que aproveitem cada espaço que ela proporciona. E que ela possa ser um espaço de acolhida, de afetos, de convivência e de despertar para a ciência e para o conhecimento”.
O reitor Irineu Manoel de Souza destacou que a presença do professor Vladimir Safatle na aula magna representava um acontecimento de grande relevância acadêmica, política e cultural. O tema da conferência foi mencionado pelo reitor como muito importante e atual, num contexto de ataques às universidades públicas do Brasil e de Santa Catarina. “A UFSC não apenas resiste a esses ataques, mas reafirma a ciência e a educação pública como pilares da democracia”, disse o reitor.


Na sequência, o professor Vladimir Safatle iniciou a sua apresentação. Durante mais de uma hora, ele atraiu a atenção e o interesse do público com uma reflexão sobre as transformações sociais. De acordo com o filósofo, vivemos atualmente uma era de consolidação do fascismo global. Ele afirma que o chamado fascismo histórico não volta mais, porém existe uma forma de fascismo que permaneceu no corpo social. “O fascismo estrutural pode se adaptar às realidades históricas”, afirmou.
Segundo o professor, o fascismo estrutural tem como afetos centrais a circulação contínua da dessensibilização social e da indiferença. O elemento central da lógica fascista, argumenta, é que devemos aceitar a degeneração do corpo social, isto é, que não há sociedade para todos. Assim, deve haver uma partilha, em que alguns grupos determinados serão privilegiados e outros serão excluídos. A dessensibilização, neste contexto, serve ao propósito de forçar uma aceitação, uma resignação da sociedade em relação à exclusão de grupos e indivíduos. “O dado estrutural do fascismo é uma forma específica de violência. Não a violência do Estado contra a sociedade, mas a violência da sociedade contra si mesma, que reconstrói os vínculos sociais”.
Em sua visão, vivemos atualmente um sistema de crises conexas – ecológica, política, econômica, social, psíquica, epistêmica e demográfica. São crises estacionárias, que não vão regredir ou desaparecer. Num cenário de crises simultâneas e permanentes, as guerras surgem como um modo singular de estabilização social, pois permitem a unificação de estruturas de poder do Estado e mobilizam os indivíduos. “O fascismo emerge como resposta racional e realista às crises”, afirmou.

Após a palestra, a professora Letícia Cesarino, do Departamento de Antropologia da UFSC, realizou um debate sobre o livro “A ameaça interna – Psicanálise dos novos fascismos mundiais”, de autoria de Vladimir Safatle, que estava à venda no saguão do Centro de Eventos, em um estande da Editora da UFSC.
Fonte: Notícias da UFSC
