*Por Raul Valentim
Eureka! é conhecida como uma interjeição atribuída ao matemático Arquimedes, que, quando estava entrando na banheira, percebeu que o nível da água aumentava. Esta observação foi suficiente para ele ter condições de medir o volume da coroa real e descobrir, utilizando densidades conhecidas e o raciocínio lógico apropriado, que o ourives contratado tinha trapaceado, na sua confecção, substituindo parte do ouro recebido por prata.
Trata-se, portanto, de uma exclamação associada com a descoberta da solução de um problema complexo. Assim, pretendo associar Eureka!, neste artigo, com a descoberta de argumentações lógicas, lastreadas em constatações científicas apropriadas, que considero suficientes para convencer pessoas, preparadas e não dogmáticas, da indispensável e insofismável existência do Verdadeiro Autor do Universo e da Vida.
Os seres vivos são formados por células que possuem um sistema bioquímico de informações conhecido como genoma, formado por genes, regiões de regulação gênica e DNA mitocondrial. Estima-se que um ser humano adulto tenha mais de 30 trilhões de células, sendo 68 kg o respectivo peso médio na América Latina. Uma baleia jubarte adulta pesa mais 30 toneladas sendo portanto 440 vezes maior. Seus filhotes já nascem com o peso aproximado de uma tonelada.
Tanto os humanos como as baleias são mamíferos originários de uma célula zigoto, totipotente, que sabe gerar todas as diferentes células, tecidos, órgãos, sistemas orgânicos e organismos da respectiva espécie. Assim cada célula zigoto, de cada ser vivo com reprodução sexual, conhece toda a biologia necessária para gerar todos estes componentes da sua espécie, conhecendo também toda a dinâmica fisiológica necessária para sua sobrevivência e reprodução, incluindo comportamentos e atividades voluntárias e instintivas (inatas).
O processo de clonagem da ovelha Dolly, que foi replicado com sucesso em outros animais, mostrou que não apenas o genoma dos zigotos conhece toda a biologia da respectiva espécie. Outras células, devidamente processadas, conseguem também gerar animais com todas as características biológicas de seu genitor. Assim cada genoma sabe como criar todo o material biológico de sua espécie, ao longo de toda a sua vida. Tal conhecimento do genoma de cada uma das milhões de espécies existentes, evidentemente, supera o saber científico da humanidade, mesmo no caso específico dos próprios seres humanos. A biologia é a base científica dos seres vivos. No entanto, outras ciências também estão largamente envolvidas no desenrolar da vida na Terra.
Sabemos que os movimentos dos animais são decorrentes de contrações e relaxamentos musculares. Portanto, cada um dos músculos, de cada uma das milhões das diferentes espécies existentes, precisa dispor, a cada momento, de reserva energética suficiente e de saberes genéticos apropriados para executar estes processos quando for especificamente acionado pelo respectivo sistema nervoso. Certamente a obtenção destas competências biológicas, de imensa complexidade, pelos genomas dos animais não pode ser atribuída ao acaso de mutações genéticas.
Os processos de gestação, altamente diferenciados e complexos, de baleias e humanos estão integralmente codificadas em cada célula das respectivas fêmeas. Os processos de metamorfose completa de cerca de 750 mil espécies de insetos, também altamente complexos e diferenciados, estão igualmente definidos, como informações genéticas, nos genomas das respectivas espécies. A diversidade observada torna racionalmente imprescindível uma intervenção idealizadora e criativa que extrapola as alternativas científicas conhecidas.
Esta complexa problemática da ciência ateia complica-se bastante quando processos químicos envolvidos passam a ser considerados. A cada instante, bilhões das trilhões de células de cada ser humano estão certamente envolvidas em diferentes reações químicas. Assim, por exemplo, a estabilidade da homeostase torna necessários ajustes combinados da temperatura corporal, da pressão arterial e dos níveis de glicose no sangue, através da insulina liberada pelo pâncreas. Os saberes presentes no genoma e no zigoto permitem que as reações químicas necessárias ocorram, a cada momento, em cada célula do organismo.
O zinco pode bem exemplificar a complexidade química presente na vida e imersa nos saberes do genoma humano. Este mineral, de número atômico 30, é um dos múltiplos micronutriente essenciais para sobrevivência da humanidade. Atuando em mais de 300 reações enzimáticas e sendo crucial para o fortalecimento do sistema imunológico, a cicatrização das feridas, a produção de hormônios sexuais e a síntese de proteínas e do próprio DNA. Quando ocorre cada fecundação humana, o óvulo libera bilhões de íons de zinco que impedem novas fecundações, viabilizando a geração de uma nova vida. Em seres vivos de outras espécies, o zinco desempenha outras funcionalidades essenciais. Assim ocorre com sua utilização na formação óssea de bovinos e das cascas dos ovos das aves.
As físicas e suas respectivas matemáticas também estão devidamente inseridas nos genomas dos seres vivos. Tanto a usual e determinística física clássica, como a misteriosa, probabilística e hoje centenária mecânica quântica são muito bem utilizadas pelos organismos para nascer/brotar, crescer, sobreviver e se reproduzir. Assim, cada vegetal sabe absorver a luz solar e o dióxido de carbono da atmosfera para gerar glicose e liberar oxigênio. Com este processo, as plantas viabilizam a vida animal que, com estes insumos, sabe gerar geneticamente, em cada uma das milhões de espécies existentes, diferentes e essenciais impulsos elétricos, forças, deslocamentos, movimentos e comunicações sonoras, nos tempos apropriados
Em comportamentos inatos de determinados animais podem ser constatadas múltiplas evidências de intervenções inteligentes, inseridas no nível genético, que devem ser racionalmente atribuídas ao Verdadeiro Autor do Universo e da Vida. Este é o caso bastante exemplificativo dos caranguejos-aranha, que precisam trocar anualmente suas carapaças para continuar crescendo. Perto da primeira lua cheia do inverno, nas pradarias de grama marinha da Austrália centenas de milhares desses animais chegam e se amontoam em camadas sobrepostas criando grandes aglomerados de cerca de 100 metros de comprimento. Com esse inusitado comportamento coletivo, minimizam a ação de predadores no período de alguns dias, em que ficam desprotegidos, enquanto uma nova concha está endurecendo. Depois, retornam para as profundezas do oceano para suas vidas solitárias costumeiras.
As diferenciadas lactações de mais de 6 mil espécies de mamíferos que, a partir de diferentes alimentos e diversificados processamentos digestivos, elaboram leites apropriados para as respectivas crias, fisiologicamente definidos nos respectivos genomas, igualmente evidenciam intervenções suficientemente inteligentes de uma Entidade criadora da vida. A vinculação da lactação com o início da gestação, em criaturas com diferentes sistemas nervosos também são evidências da indispensável atuação de um abrangente idealizador e Criador dos seres vivos que habitam ou já habitaram a Terra. As imensas diversidades genéticas de formas e de funcionalidades sistemicamente organizadas, observadas na natureza terrestre, mostram suficientes evidências para tornar insustentável as alternativas ateístas existentes.
*Raul Valentim é professor aposentado do CTC/UFSC
Artigo recebido às 14h39 do dia 14 de abril de 2026 e publicado às 16h05 do mesmo dia
