Não é uma escolha difícil

*Por Tiago Kramer de Oliveira

O segundo turno das eleições para reitor ocorrerá na quarta-feira, dia 15 de abril, em um piscar de olhos após as eleições do primeiro turno. O calendário e a forma de consulta foram impostos por entidades que desavergonhadamente apoiam a reeleição do reitor. Mesmo assim, a chapa pretendente à reeleição quase ficou fora do segundo turno. O resultado só não foi pior porque a chapa que ficou em terceiro lugar fechou-se em si mesma, foi praticamente incapaz de sair da bolha da esquerda universitária e da armadilha criada pelas nada democráticas “plenárias”, nas quais pequenos grupos organizados obliteraram o debate mais amplo e consequente. 

A direita mostrou sua força. Sua presença nas eleições foi decisiva para o ótimo desempenho eleitoral da chapa Amir e Felipa. Este fato, contudo, não permite extrapolações levianas. Desde o começo da sua formação, mesmo antes da definição de nomes, o grupo que lançou a candidatura de Amir e Felipa contou com importantes quadros da centro-esquerda, centro e centro-direita. Não me consta que algum professor ou professora de extrema direita ou bolsonarista tenha participado ativamente da construção do projeto e das propostas. O cheiro de bolsonarismo no ar foi uma justificativa aceitável para muitas pessoas de esquerda não votarem 41 no primeiro turno, já que havia outra chapa de oposição. Mas no segundo turno, entre a reeleição do atual reitor e o voto em Amir e Felipa, não há escolha difícil. 

Os atuais diretor e vice-diretora do CFH, Alex Degan e Michele Monguilhott, a ex-diretora Miriam Hartung e o ex-diretor Jacques Mick manifestaram seu apoio à chapa 41, Amir e Felipa, e manifestaram ainda o que já sabíamos pelos colegas de esquerda que compõem o projeto de Amir e Felipa desde o início: a gestão terá uma postura antifascista e não haverá retrocessos nas políticas de inclusão. Não basta, como fez a gestão atual, aprovar resoluções, mudar nomes de pró-reitorias e gritar palavras de ordem. É preciso dar eficiência ao cumprimento das políticas afirmativas. Em todos os anos da gestão Irineu houve atrasos nas validações de autodeclarações de pretos e pardos, o que prejudicou o ingresso de cotistas na universidade. 

A Educação à Distância, forma de trazer para a universidade pública aquelas pessoas que mais distantes estão das oportunidades geradas pelo ensino público de qualidade, foi praticamente abandonada pela gestão central, que há mais de um ano deixou o cargo de Coordenação Geral da UAB completamente vago e não deu nenhuma manifestação de apoio ao direito ao voto dos estudantes do EaD. Registre-se que a única chapa que manifestou o apoio ao voto dos estudantes do EaD, com a adoção do voto digital, foi a chapa Amir e Felipa. 

A situação da estrutura física da universidade é péssima, nossos ambientes de trabalho e de estudo estão em deterioração. O orçamento, de fato, não é o melhor de todos os tempos, mas a falta de eficiência na gestão piora muito o cenário. Professores estão sem equipamentos, sem ar-condicionado e outros materiais em seus gabinetes e laboratórios. Isto não se dá não apenas pela falta de dinheiro, mas também pela ausência de contratos vigentes para que as parcas verbas disponíveis nas unidades de ensino e nos departamentos possam ser usadas para adquiri-los. A gestão atual sequer é capaz de deixar o campus iluminado no período noturno. 

A incompetência e a irresponsabilidade na gestão de contratos ficaram evidentes no bolso e na saúde dos servidores com o fiasco da negociação com a Unimed. Os muitos gestos para “jogar para a torcida” serviram para afagar uma esquerda autoritária e inconsequente e para afundar a institucionalidade e a credibilidade dos órgãos colegiados. Entre esses grupos de uma esquerda pouco democrática e sem representação social que apoiam Irineu, há muitas pessoas que na época do golpe contra o governo Dilma foram pelo “Fora Todos”, depois defenderam voto nulo entre Bolsonaro e Lula, agora adotam um discurso antigoverno Lula que faz inveja aos extremistas da direita. 

Para quem é da esquerda democrática, tem responsabilidade com a UFSC, se preocupa com a eficiência das políticas de inclusão, com a segurança da comunidade, com boas condições de trabalho e estudo, a escolha não é difícil. É preciso ter compromisso com a coisa pública para fugir da omissão, que pode ser melhor para projetos políticos futuros, mas é pior para a nossa comunidade. Votar em Amir e Felipa não significa não poder, no futuro, fazer críticas e mesmo encampar uma oposição. Entre a continuidade da administração atual e o projeto de gestão de Amir e Felipa, construído junto com muitos democratas, da esquerda à direita, eu não tenho dúvidas. O meu voto é 41, Amir e Felipa, para reitor e vice.

*Tiago Kramer é professor do Departamento de História da UFSC

Artigo recebido às 21h53 do dia 13 de abril de 2026 e publicado às 9h20 do dia 14 de abril de 2026.