Presidente do Senado diz que “não aceitará pressões” para votar o fim da escala 6×1

Entidade diz que “senadores estão sentados no projeto”

Em nota à imprensa divulgada na última terça-feira, dia 7, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que não aceitará pressões, intimidações ou ameaças em relação à tramitação da PEC que acaba com a escala 6×1. Davi afirma que a definição da pauta e da tramitação das matérias é prerrogativa constitucional do presidente do Senado, que “não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”.

A nota ainda diz que “na última semana, o presidente Davi reuniu-se com a líder do Governo no Senado, Teresa Leitão, o senador Paulo Paim e representantes das centrais sindicais para tratar da matéria, reafirmando seu compromisso com o diálogo e com a regular tramitação da proposta”.

Para passar a valer, é preciso que o texto aprovado pela Câmara também seja aprovado pelo Senado, em duas votações, com votos favoráveis de 49 dos 81 senadores que compõem a Casa.

Entidade diz que “senadores estão sentados no projeto”

O Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) publicou uma nota em que afirma que “após a ala conservadora da Câmara dos Deputados ser encurralada pelos brasileiros para aprovar a redução da jornada de trabalho sem a redução de salário, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem empurrado a votação definitiva para depois das eleições de outubro, transformando a exaustão da classe trabalhadora em moeda de troca política”.

A nota acrescenta que “os senadores estão sentados no projeto porque temem desagradar financiadores de campanha e setores empresariais. E fazem isso às custas de cerca de 15 milhões de brasileiros que sofrem diariamente sem tempo para o descanso básico, o estudo ou o convívio familiar”.

Diálogo com o Senado

Conforme a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a PEC tem sofrido resistências, principalmente por parte de senadores de oposição ao governo Lula, e até agora não foi colocada em votação pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Para avançar, a CUT e as demais centrais têm realizado diálogos com os senadores.

Para o presidente da CUT, Sergio Nobre, “a redução da jornada significa repartir os ganhos do desenvolvimento entre aqueles e aquelas que produzem a riqueza do país”. Ao rebater as críticas de setores empresariais de que a mudança elevaria os custos das empresas, Nobre afirmou que o mesmo discurso foi utilizado sempre que os trabalhadores conquistaram novos direitos, como férias remuneradas, 13º salário e a redução da jornada de 48 para 44 horas semanais prevista na Constituição de 1988.

Dieese defende redução de jornada e fim da escala 6×1

“A jornada de trabalho no Brasil é o espelho da nossa profunda desigualdade e dos entraves ao nosso desenvolvimento econômico, tecnológico e social”. Com esta frase, a diretora-técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Adriana Marcolino, iniciou a defesa do fim da escala 6×1 e a redução de jornada das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem redução salarial, durante debate no Senado, na útima semana.

Com dados do Dieese e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ela destacou que enquanto a produtividade e os lucros crescem, a renda segue concentrada, citando como exemplo, o salto do Excedente Operacional Bruto (EOB) — a fatia da riqueza gerada que fica com as empresas e o capital —de 33% para 37% do PIB. Em contrapartida, a participação dos salários encolheu de 35% para 31%.

“Quero deixar claro, com dados em mãos: reduzir a jornada e acabar com a escala 6×1 não é um gasto, não é um custo. É o alicerce fundamental para o desenvolvimento econômico e social do Brasil”, disse a diretora-técnica do Dieese.

A Apufsc-Sindical e o Proifes-Federação defendem o fim da escala 6×1 por melhores condições de trabalho e de vida. Clique aqui e participe da campanha de mobilização que visa pressionar os senadores a votarem pela aprovação da pauta em plenário.

Imprensa Apufsc