*Por Rogério Portanova
Nesta segunda feira dia 24 foi realizado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina o velório de Manoel Dias. Eu estava presente, prestando minha última homenagem, desta vez como membro do Conselho de Representantes da Apufsc.
Vou fazer uma breve digressão histórica, pois estive pela primeira vez com o Maneca quando da constituição da primeira Frente Popular em 1988 em Florianópolis. Eu era presidente do Partido Verde e fui testemunha de que ele foi o principal articulador da grande coligação que permitiu, através da Frente Popular, eleger a câmara de vereadores mais plural que já houve em Florianópolis e 4 anos depois em 1992 eleger Sérgio Grando prefeito da capital. Na época havia uma espécie de discurso em forma de brincadeira, embora verdadeiro, de que as duas únicas ilhas comandadas por um comunista eram Cuba e Florianópolis.
Brincadeiras à parte, Manoel Dias foi peça chave, tanto por seu histórico de luta, como pela experiência como líder parlamentar e partidário que permitiu que pela primeira e única vez na história da cidade, a esquerda chegasse ao poder municipal.
Poderia destacar tantas outras caminhadas que tivemos juntos, mas prefiro me ater a este ato inicial e de como travei meu primeiro conhecimento e construção política junto com Maneca Dias.
Desde aquela época, se consolidou uma amizade e uma admiração recíproca e quis a história que 22 ou 23 anos depois, mais precisamente entre maio de 2010 e agosto de 2011, a Apufsc viesse a conseguir a primeira carta sindical do sindicalismo universitário federal. Nesta ocasião eu era vice-presidente da Apufsc e o Maneca ministro do trabalho. Travamos muitas reuniões e negociações para a obtenção da carta sindical. A forma republicana e a seriedade com que esteve à frente do ministério inaugurou um novo tempo no sindicalismo universitário federal.
Maneca teve esta marca, estar à frente do seu tempo, seja para identificar lideranças que pudessem dar um novo rumo a cidade e a política, bem como fazer cumprir a constituição e sacudir as velhas formas do sindicalismo que àquela época estava petrificado e inaugurar os novos ares da democracia sindical nas universidades federais.
Por onde Maneca passou fez história e deixou seu legado, como bom trabalhista, obcecado com a melhoria da condição de vida dos trabalhadores e com olhos no futuro sem se apegar a dogmas ou doutrinas herméticas, mas sempre comprometido com um projeto nacional para a emancipação do povo trabalhador e independência do país diante das ameaças que se fizessem presentes. Foram praticamente 40 anos de amizade que navegamos pelo mundo político, sindical e acadêmico.
Fica aqui o reconhecimento da sua luta da qual fui testemunha e de que ele vai fazer muita falta e mais ainda: o exemplo de líder que ele foi e tanta saudade vai deixar nesses tempos difíceis que estamos vivendo na política. Tenho orgulho e alegria de ter convivido com tão ilustre e íntegro dirigente partidário e homem público diferenciado.
Trabalhistas e democratas de todos os matizes estão de luto, mas temos a certeza que a semente que você Maneca plantou, deu frutos e sua caminhada será sempre lembrada por aqueles que tem amor a política e a coisa pública. O nosso reconhecimento por toda sua luta e trajetória e os sentimentos aos familiares e a todos que lhe são próximos.
MANECA PRESENTE!
*Rogério Portanova é membro do Conselho de Representantes da Apufsc
Artigo recebido às 22h55 do dia 24 de agosto de 2026 e publicado às 7h58 do dia seguinte
